O quarto estava silencioso, iluminado apenas pela luz suave que entrava pela janela. Eu estava deitada de lado na cama, a mesma posição em que tinha passado quase todas as últimas horas, com o celular apoiado no peito e o coração numa mistura estranha de aperto e cansaço.
Dois dias desde a briga. Dois dias desde que Justin foi embora sem olhar para trás. Dois dias em que eu não conseguia tirar da cabeça as palavras dele.
Eu sei que eu o provoquei até não aguentar mais, mas não imaginei que eu fosse sentir tanta falta dele. Acho que no final, ele estava um pouquinho certo.
Rolei mais uma vez na cama, inquieta, e o pequeno anel de brilhantes escorregou da minha mão, brilhando no lençol como se zombasse de mim. Não sei porquê eu ainda guardo essa porcaria.
Eu o peguei rapidamente, como se alguém pudesse vê-lo. Segurei entre os dedos. Era lindo. Simples. Elegante. Diferente de tudo que eu achava que Justin seria capaz de escolher.
— Idiota... — Murmurei, sem saber se xingava ele ou a mim mesma.
Até que meu celular vibrou. Como um reflexo, eu o desbloqueei no mesmo instante e deslizei o dedo no ecrã. Era uma foto. Uma foto dele. Em uma balada. Ele estava rindo com os amigos. Segurava um copo na mão. Luzes coloridas dançando no rosto dele. Tão vivo. Tão solto. Tão... bem.
Senti a raiva subir como um calor no peito. Como ele consegue seguir em frente assim? Dois dias? Depois de tudo o que ele me falou, depois de jurar de pés juntos que me amava? Dois dias e ele já está se divertindo?
Apertei o anel com força.
— Que ótimo pra você, Justin — Sussurrei, irritada, sentindo o nó na garganta crescer. — Maravilhoso. Parabéns por não ligar.
E então, eu pensei melhor. Uma pequena parte de mim, a parte racional, a que eu odiava admitir, sentiu um certo alívio. Ele estava bem. Ele estava seguro. Rodeado de gente. Rindo. Ele não estava destruído. Ele não estava perdido. Ele não estava sofrendo sozinho. Ele está bem. E isso doía e confortava na mesma medida.
Joguei o celular de lado e me enrosquei no travesseiro, girando o anel no dedo. O quarto parecia grande demais para o tamanho da saudade que eu não queria ter.
Por que eu estou sofrendo, quando foi eu quem decidiu terminar? Se ele me enviou a foto, alguma coisa ele espera que eu faça. E eu vou fazer.
— Nick, vamos sair. Se arruma. — Invadi o quarto do garoto e joguei algumas roupas em cima dele, apenas para vê-lo resmungar.
— Aonde vamos? — Pergunta curioso.
— Na Red Lights. — Disse simples. — Chama a Alyssa e o Chaz também. Preciso distrair a cabeça.
— Tudo bem? — Ele pergunta realmente preocupado.
— Tudo ótimo! — Digo e saio do seu quarto.
De uma coisa eu tinha certeza. Eu precisava me arrumar para matar. Eu tinha que ser a mais bonita, a mais gostosa e a que mais chamasse atenção. Eu quem disse que não queria namorar com o Justin, então eu meio que preciso estar melhor do que ele.
Tomei um banho rápido, passei óleo no corpo e me enfiei em um vestido justinho azul marinho com um decote nas costas. Calcei um salto alto e ajeitei o meu cabelo. No rosto, não quis fazer muita coisa. Gostava de parecer não usar maquiagem, quando ena verdade tem um montão de produtos no meu rosto. Nos lábios, me permiti passar um batom vermelho vinho que foi complementado com um gloss cintilante. Espirrei perfume em pontos estratégicos do meu corpo e separei uma bolsa com o necessário, apenas. Complementei o visual com alguns acessórios, misturando prata e dourado mesmo.
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cruel summer
Fiksi PenggemarJustin era como fogo; ardente e selvagem por onde quer que passasse. Estava acostumado a arrancar suspiros apaixonados de garotas por toda Los Angeles. Menos os de uma pessoa em especial. Ariana nunca se interessou pelas molecagens de Justin. Não a...
