eyes off you

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Richard

— Veiga vai vir passar o ano novo com a gente. — Murmuro, assim que leio a mensagem que acabou de chegar. — Olha, o Gomez também.

— Se o Murilo arranjar de vir também eu...

— É, ele vem. — Rio fraco, erguendo o olhar para o mais velho, que apenas revira os olhos.

— Depois ele reclama que não arranja tempo pra família. — Joaquín bufa, desfazendo a trancinha do cabelo de Sol, apenas para fazer novamente.

Eu estava com Piquerez na casa dele, meu irmão veio também e convenceu a Luna de deixar a Sol com a gente. Ela e a minha irmã foram fazer alguma coisa que ninguém quis me contar. Eu relevei.

— Mas e aí, quando você vai pedir a Luna em namoro? — Ergue o olhar, apenas pra me ver revirar os olhos.

— No ano novo. — Respondo, talvez sem pensar, porque o que sai dos lábios do meu amigo é um grito histérico.

— Não brinca! Vai mesmo!? Tipo, no ano novo, meia noite? Você vai mesmo? — Repete, colocando a mão sobre a boca e reacomodando Sol em seu colo. — Eu não acredito. Você falou isso pra calar minha boca, certeza!

— Eu falei no grupo, deve ter uns quarenta minutos. — Reviro os olhos novamente, soltando meu celular sobre a mesa.

Eu realmente fui dormir pensando no que meu irmão disse ontem. Por um lado, ele não estava errado. Eu sou um frouxo e morro de medo de estragar tudo, o que acaba com as minhas chances de melhorar tudo também. Eu queria que Luna soubesse o quão especial ela é e o quanto ela me faz querer ser alguém melhor. Eu precisava deixar claro que é ela quem eu quero ver todas as manhás, é ela quem eu quero ligar quando os dias se tornarem difíceis. É com ela que eu quero viver os momentos bons e os momentos ruins. Quero que ela saiba que pode confiar em mim. E eu não podia esperar mais pra dizer.

— É por isso que os meninos arranjaram de vir! — Joaco exclama, com meu celular nas mãos. — Ah meu Deus, vocês são tão perfeitos! Quando vocês casarem, eu posso ser o padrinho?

— Eu não sei nem se ela vai aceitar o pedido de namoro, cara! — Resmungo, desviando o olhar para Sol, que franze o cenho e me estende os braços, exatamente o que ela faz quando está com sono. — Ela quer dormir, dá aqui.

O lateral ri da minha cara e levanta a miniatura de gente, que logo está deitada em meu ombro, com os bracinhos em volta do meu pescoço.

— Você é um pai tão lindo que me dá nojo. — Apoia o cotovelo na madeira escura, apoiando o queixo no punho e me encarando com um sorrisinho sugestivo. — Essa criança vai surtar sem você quando a gente voltar a jogar.

alright, richard rios.Onde histórias criam vida. Descubra agora