THIRTY FIVE

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Stuck In The Past

Não estou confortável.

Após derramar litros de lágrimas sobre a blusa de Garfield, o mesmo me conduziu de volta para seu carro, enquanto eu ainda estava agarrada em suas roupas. Como um pequeno filhote, que se segura no corpo da mãe afim de não cair sobre o chão de terra. Um filhote que busca desesperadamente proteção.

Eu sou um pequeno filhote. Em busca de proteção, felicidade, amor, tudo o que lhe sempre faltou. Tudo o que sempre rezou em ter, mesmo que suas preces nunca tivessem respostas.

Um grande e profundo silencio se faz entre nós como uma muralha. Meus olhos perdidos encaram todos os objetos que há dentro do veículo, tentando esquecer o quão frágil estou novamente em sua frente. Enquanto sinto seus olhos intensos me observar, com tanta atenção, que sinto que até mesmo minha alma está sendo observada.

Fleches do meu passado ainda se repetem em minha mente, esmagando cada vez mais as migalhas que sobraram do meu coração.

"Há pessoas que ainda se importam com você, Rachel. Supere o passado, e viva um futuro ao lado delas."

Suas palavras vagam por minha mente, e sem minha permissão, mais uma lágrima escapa dos meus olhos. Como posso superar algo que me machucou tanto? Que ainda me machuca?

Acho que jamais terei uma resposta.

Sinto uma grande mão tocar delicadamente meu rosto, limpando a lágrima que ainda caia sobre o mesmo. Diferente de mais cedo, eu não surto ou tenho outro ataque. Apenas fecho meus olhos, apoiando minha cabeça dolorida sobre a mão. Que a segura com cuidado, fazendo leves carinhos em minha bochecha vermelha.

- Eu matei os meus pais. - sua voz ecoou pelo carro, me fazendo levantar a cabeça de sua mão para olha-lo. 

Surpresa, é a única palavra que pode me definir neste exato momento. Pois eu esperava que qualquer coisa pudesse sair de seus lábios, tudo, menos essas cinco palavras.

- Quando eu tinha cinco anos, meus pais biológicos e eu fomos para a África por causa do trabalho de ambos. Eles precisavam estudar alguns animais doentes que encontraram na África e não tinha com quem me deixarem, então me levaram junto. - continuou Garfield, com seus olhos presos nos meus.

- A primeira semana que passamos lá foi incrível, experimentei diversas comidas diferentes e vi um tigre pela primeira vez, meu animal favorito. - um pequeno sorriso se fez em seus lábios, até seus olhos brilharem devido as lágrimas que insistiam em descer. - Até que um dia pegamos um carro de um de seus amigos emprestado e fomos passear por uma trilha.

Assim que a primeira lágrima escapou de seus olhos verdes, minha mão segurou a sua firmemente, sem ao menos eu perceber. Foi como um instinto, algo que não consigo controlar.

- Eu estava tão animado, que não parava de gritar e pular no banco de trás do carro. Minha mãe se virou e pediu para eu me sentar e colocar o sinto, mas não a escutei e continuei a gritar e pular. Até meu pai se virar para mim estressado e gritar comigo. - ele respirou fundo, então continuou. - Enquanto ele estava virado, um elefante parou na frente do nosso carro que estava indo rápido demais. Assustado, eu gritei. Meu pai rapidamente virou o volante e conseguiu não atingir o animal.

Seus lábios começaram a tremer, desviando seus olhos dos meus ele se entregou as lágrimas, permitindo que todas pudessem descer e molhar seu rosto. Eu  observava sem saber o que fazer. Segurei sua mão com ainda mais força e apenas escutei, assim como ele havia me escutado.

Garfield esteve ao meu lado em todos os momentos em que estive fraca e frágil, está na minha vez de fazer o mesmo por ele.

- Ele... ele perdeu o controle do carro e... tudo o que fiz foi fechar os olhos com medo... eu era apenas uma criança.

Sua mão tremeu contra a minha, me fazendo segura-lo com as duas mãos.

- O carro bateu contra uma grande rocha e tudo o que vi foi o vidro do carro se quebrar, enquanto os gritos da minha mãe ecoavam na minha mente. Eles... eles morreram bem ali... na minha frente... tudo isso porque eu não quis escuta-los.

Sem me conseguir me conter, eu solto sua mão e lanço meus braços sobre seus ombros. O envolvendo em um abraço firme e carinhoso. O mesmo nem pensou duas vezes antes de abraçar minha cintura fortemente, enquanto seu grande corpo tremia contra o meu.

Sinto algo molhado e quente escorrer sobre meu rosto, e um gosto salgado invadir minha boca. Não era apenas Garfield que chorava como um bebê, mas eu também.

- Eles morreram por minha culpa... é tudo minha culpa...

Seus braços me apertaram ainda mais, como seu eu fosse a única coisa que o prendia a este mundo. E eu faço o mesmo, sentindo meus cacos de vidro me machucarem, pois pela primeira vez eu ando sobre eles. Tudo para sair do meu esconderijo apenas para segurar Garfield, apenas para ajuda-lo como ele me ajudou.

- Foi um acidente... - minha voz sussurra em seus ouvidos, fazendo o garoto se encolher ainda mais no abraço. - Não foi sua culpa... nunca foi e nunca será.

Me afasto e seguro seu rosto quente com minhas mãos frias. Encaro seus olhos verdes, que sempre foram tão alegres, agora estão tristes e abalados. Mesmo sem vontade, ele devolve o olhar, ainda sem conseguir parar de chorar e soluçar.

- Está me escutando? - Garfield concorda, soluçando ainda mais. - Não é, nunca foi e nunca será sua culpa!

Ele concorda mais uma vez, respirando fundo. Secando o rosto molhado rapidamente, seu olhar se encontra com o meu. Então ele sorri, mesmo triste e abalado. Garfield consegue me dar o sorriso que sempre odiei, mas que agora, parece ser a coisa mais linda que já vi.

- Acho que nos dois estamos presos no passado. - disse, soltando uma pequena risada. Enquanto eu apenas concordo, com um pequeno, bem pequeno sorriso.

- Odeio concordar com você. - o mesmo ri ainda mais. - Mas não tenho muita opção agora.

Observando o brilho voltar para aqueles olhos verdes, eu percebo que Hailey tinha razão ao me dar aquele conselho antes de sair do quarto.

Há realmente pessoas que se importam comigo, pessoas com quem eu me importo. E pela primeira vez eu quero viver, quero viver ao lado delas... ao lado dele...

- Mas vamos seguir em frente, RaeRae. Um ao lado do outro. - disse ele, com seu olhar perdido no meu.

- Juntos, é? - pergunto, erguendo uma das minhas sobrancelhas. Ele concorda no mesmo instante, pegando minha mão novamente, a segurando.

- Juntos!



⚠️AVISO!⚠️

Pessoal, sei que vcs amam essa história, mas infelizmente eu ñ posso dizer o mesmo para mim. Amo esse casal com todo o coração e amei escrever essa história, mas não consigo mais.

Não sou mais a mesma pessoa que começou essa fanfic. Leio esses capítulos e me pergunto pq os escrevi desse jeito. Tanto, que este capítulo está guardado a meses, mas não tive coragem de postar.

Sinto em informar, mas ñ continuarei esta história.  Se quiserem, posso postar outro capítulo com tudo o que eu havia pensado pra ela, para que vcs possam pelo menos saber como essa história iria terminar.

Estou fazendo isso para seguir em frente e correr atrás dos meus sonhos, sem ficar presa a essa história que ñ me trás mais alegria.

Me desculpem mesmo!

Com amor, Elenna. 💜

BROKEN HEARTOnde histórias criam vida. Descubra agora