tempo de recuar e tentar encontrar o melhor caminho.

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***POV. LENA***

Num lapso de desespero e impaciência, Lena se curvou e agarrando-a pela cintura, levantou-a do colchão, fazendo-a sentar-se. Então, arrumou os cabelos em desalinhos que escondiam-lhe a face pálida. Kara estava tão arrasada quanto ela.

- Me ouça, meu amor....

- Não me chame de meu amor e, ... - Kara interrompeu-a, tentando desvencilhar. Seus olhos, apesar de vermelhos e inchados pelo choro, estava frios como pedras de gelo. - Você mentiu para mim, Lena!

- Não! Nunca!... - a voz da morena quase nem saía.

- Mentiu! Veja! - e pegando as fotos, foi mostrando, uma à uma, com raiva... - "Nunca toquei nela, Kah..." - imitando-a, cinicamente - O que é isto aqui? Me diz, Lena! Você, no iate, nua, abraçando-a. E aqui.... deitadas, juntas... dormindo, inocentes. Por que, Lena? Por que mentiu para mim? Eu nunca a perdoarei... - e de novo voltou a chorar.

Lena, nervosa, tomou o resto das fotos de suas mãos.

- Tem de acreditar que estás fotos são falsas!- quase berrou.

- Falsas? - agora foi a vez de Kara se alterar, em meio a uma risada nervosa.

- Pense um pouco com a cabeça, em vez de com o coração... - Lena, tentou argumentar, mas foi interrompida por um suspiro cansado da loira.

- Não tenho mais coração, Lena. Você o arrancou do meu peito e jogou fora.

- Melodrama não vai ajudar em nada nesta situação, Kara! - falou firme.

Kara encarou-a e a pontinha de humor que viu na expressão carregada da morena, a deixou ainda mais enraivecida. Levantou-se num salto.

- Marcarei minha passagem de volta para Londres para está noite...

Lena empalideceu. A onda de medo que havia sentido naquela manhã, quando conversavam sobre a ida de Kara para Londres, agora invadiu-lhe a alma. Tendo que disfarçar seu estado, levantou-se também e, numa voz firme, apesar de rouca, disse:

- Fugindo de novo, Kara? - E, como a resposta não veio, acrescentou - Tome cuidado, pois poderei deixar mesmo que faça isso.... Não passarei minha vida temendo a próxima vez que decidir me deixar.

Kara percebeu naquela voz sensual, a tristeza e o medo disfarçados numa zanga inexplicável.

- Por que está zangada comigo? Não deveria ser o contrário? - Kara perguntou, perplexa.

- Não estou zangada com você, meu anjo! - ela tentou se aproximar, mas Kara deu um passo atrás. - Meu ódio é isso aqui! - E balançou as fotos no ar. - Você não foi a única a receber cópias...

Então ela lhe contou quem mais as recebera.

- ...Isso é sério, Kara! Alguém quer causar um escândalo e, acabar com nosso casamento. Por isso, preciso de sua ajuda, não de seu desprezo... - interrompeu-se como se algo tivesse acendido dentro de si. Então, seus olhos começaram a passear pelo quarto.

Focalizando o que procurava, andou até o velho computador de Kara e começou a verificar pinos e tomadas.

- Você sabe usar isto aqui... - falou para Kara.

- Este computador não é usado há três anos. Talvez não funcione por falta de uso. - a loira a interrompeu.

- Ao menos tente! - Lena exclamou, exasperada.

Notando a seriedade e ansiedade da morena, Kara obedeceu. E surpresa, constatou que apesar dos anos ali parado, a máquina funcionava.

- Lena... dê-me uma boa razão para isso! - seus olhos azuis buscaram os verdes.

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