forever in debt with your priceless advice
Algumas semanas após o incidente, Kurt e eu decidimos não voltar à clinica de reabilitação no entanto, concordamos em fazer terapia. Todos os dias dois terapeutas vinham à nossa casa e faziam sessões conosco. A princípio era difícil lidar com a abstinência, com aquele vazio e sensação pesada que preenchia a casa, mas lidávamos com isso escrevendo músicas para um novo álbum ainda sem título. Tudo parecia estar se inclinando para uma melhora; Dave e Krist voltaram a se aproximar de nós, Kurt se impunha mais em relação à gravadora, as revistas de fofoca não tinham mais a nós como assunto principal.
Eu estava em nosso quarto com um baixo na mão e pensando em como faria uma base para Dumb. Guardei o instrumento frustrada no seu suporte e bufei por estar sem inspiração, mas enquanto eu me levantava, vi uma nova fita cassete ao lado de uma caixa que Kurt geralmente guardava seus rascunhos. Mais de perto pude perceber escrito o nome Heart-shaped box, minha curiosidade foi atiçada na hora e imediatamente coloquei no toca fitas do quarto. Uma melodia bruta, alguns acordes errados introduziram a música junto ao tom melancólico de Kurt.
She eyes me like a Pisces when I am weak
I've been locked inside your Heart-shaped box for weeks [...]
No momento que a parte I wish I could eat your cancer when you turn black começou a tocar, escutei passos subindo a escada e imediatamente desliguei o toca fitas e guardei o rascunho do loiro na mesma caixa. Depois de uns instantes a maçaneta inclinou-se para baixo, Kurt apareceu com uma cara de bunda e fechou a porta puto.
- Oi Amber - ele disse com um tom ríspido - parece que alguém acabou descobrindo que a gente fugiu da reabilitação e começaram a me encher com isso na entrevista - bufou enquanto tirava o casaco e os sapatos
O loiro se aproximou cada vez mais da cama e me abraçou se posicionando entre minhas pernas com a cabeça na minha barriga. Seus músculos se descontraíram e sua expressão aos poucos se acalmava.
- Odeio jornalistas - ele disse com a voz abafada em mim
- Eu sei, e eu deveria ter ido com você pra ter batido neles
- Batido? Bem que podia dar um sumiço em todos, mas aparentemente você não me ama o suficiente pra isso
Revirei os olhos dramaticamente enquanto o abraçava mais forte e ri
- Você quer um banho? Tá fedendo
O loiro assentiu e me soltou, caindo cansado na cama. Me levantei e fui ligar a banheira, colocando umas espumas coloridas na água e me sentando na beira do local enquanto tirava meu pijama. Aquela música não saia da minha cabeça. Quando me dei conta, Kurt apareceu na porta do banheiro e vindo em minha direção com uma pequena caixa em formato de coração.
- Mandei fazer um anel pra você, desculpe se demorou - o loiro disse me entregando o que estava em suas mãos.
- É lindo - falei encantada com a joia e a coloquei na bancada da pia para não perder enquanto tomava banho - não precisa pedir desculpas. - sorri - te amo, obrigada
Ele me beijou e depois entramos na água morna. Seus braços me rodearam por trás de mim enquanto seu queixo se posicionava no meu ombro, e então pude me permitir pensar sobre o quanto minha vida havia mudado se umas semanas pra cá, o salto entre ter decidido minha morte e finalmente poder pensar que eu mereço algo, que posso finalmente ter um futuro e que esse futuro não é um completo caos.
- Já escolheu o vestido pro casamento? - o loiro disse apertando minha cintura
- Já, vai ser simples mas você vai gostar. Tem umas flores nele - inclinei um pouco para olhá-lo - e você?
- Sinceramente por mim iria com uma roupa qualquer, mas me esforço por você - beijou meu ombro - vou de vestido também. Talvez eu até pegue um dos seus e apareça andando até você no altar
Fingi estar horrorizada.
- O quê? Você acha que vou me casar com uma bicha, Cobain?
Ele riu
- Eu sempre roubo seus vestidos para fazer shows, porque não posso usar pra me casar com você, Cobain?
Quando Kurt me chamou por seu sobrenome, minhas bochechas assumiram um tom ruborizado na hora e ele pareceu gostar disso, visto que seu sorriso aumentou de tamanho. Aquilo fazia meu coração palpitar bem mais rápido que o fato de que estávamos nos abraçando nus naquela banheira, pois agora eu estava nua espiritualmente.
- Já pensou em ter filhos? - a voz dele estava mais tímida dessa vez
- Filhos? - franzi minha sobrancelha em choque e depois suspirei - já quis mas ainda não decidi se seria capaz - mordi meu lábio inferior um pouco nervosa
Senti o seu ritmo cardíaco acelerar através de seu peito em minhas costas.
- Acho que você seria a melhor mãe que meus filhos poderiam ter caso algum dia mude de ideia. Sabe, não estou dizendo isso da boca pra fora, desde que te conheci você acabou cuidando de mim algumas vezes, até agora, mesmo que você estivesse fodida como eu. Te acho uma pessoa boa de verdade
- É sério? - uma expressão incrédula passou pela minha face novamente, lágrimas queimavam o canto dos meus olhos enquanto eu pensava sobre como alguém genuinamente achava aquilo, que eu não era nojenta, que eu poderia ser uma boa mãe, uma melhor que a minha.
- Sério - ele me virou em seu colo para que pudesse me olhar. Vendo minha expressão eme sorriu suavemente - você é muito fofa sabia? Pra mim era tão óbvio
Quando seus lábios se encostaram nos meus, meu mundo parou. Enrolei meus braços envolta dele, e sorrindo como boba, me pronunciei novamente.
- Se pudesse, teria quantos filhos?
Kurt riu nasalmente com minha mudança de humor e pensou um pouco
- Dois, na verdade, duas meninas se pudesse escolher.
Me permiti imaginar duas garotinhas correndo pela casa enquanto brincam com ele. Na imagem que criei em minha mente, uma possuía olhos azuis e cabelos preto, a outra, cabelos dourados como o do pai e olhos verdes como os meus. A ideia de amar alguém tanto assim como um filho, de finalmente poder ter uma família de verdade preenchia meu coração de uma forma surpreendente, e então, decidi pensar melhor no assunto
- É isso que quer? Talvez eu dê pra você - beijei sua bochecha rapidamente
O loiro riu alto embaixo de mim
- Realmente, se quisermos ter filhos você vai ter que dar. Muito
- Não foi isso que eu quis dizer - falei envergonhada, mesmo que indiretamente realmente significasse algo assim
Kurt sorriu de lado
- Eu sei - falou me pressionando para baixo contra si - mas bem que poderia
Sua boca tomou meu pescoço em um movimento cauteloso, ele depositava beijos molhados na região e eu sentia seu membro enrijecer contra minha coxa.
- Vamos pro quarto? Minhas mãos estão enrugadas e eu não aguento mais essa banheira
- Vamos - murmurei
q cap meloso ein, morreu a depressao aq
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𝐃𝐫𝐚𝐢𝐧 𝐘𝐨𝐮 | ᴋᴜʀᴛ ᴄᴏʙᴀɪɴ
Fanfiction"E se eu achasse alguém que em meio à tanta água estivesse se afogando como eu?" Amber era uma típica groupie dos anos 80, cheia de sonhos estragados por um namorado abusivo e uma mãe que a expulsa de casa. Sem abrigo, sem comida, sem dinheiro, apen...
