Surpresa

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Às onze e meia, minha amiga Rocío passa para me pegar e juntas vamos ver seu sobrinho. Como meu pai disse, o menino é uma gracinha.

À uma já estamos de volta e vamos para a piscina. A água está fresquinha e deliciosa.

Rocío me conta suas coisas e tenta me perguntar sobre Fernando. Mas, assim que percebe que não quero tocar no assunto, deixa pra lá e falamos de outras coisas. Às duas e meia, minha amiga volta para casa e eu fico deitada na beira da piscina. Meu telefone apita. Uma mensagem. É Fernando me chamando para almoçar. Recuso o convite e deito
na espreguiçadeira para ouvir música.

Meu celular apita de novo. Que saco! Pego o aparelho e fico sem ar quando leio:

“Quer ir beber comigo?”

É Rafaela!
Meu coração dispara.
Rafaela está em Madri e eu a muitos quilômetros de distância. Pego a Coca-Cola e bebo.

Minha garganta ficou seca de repente, e o celular apita outra vez.

“Você sabe que não sou paciente. Responde.”

Com as mãos tremendo, começo a digitar, mas não acerto as teclas! Finalmente consigo escrever:

“Estou de férias.”

Envio a mensagem e minha barriga se contrai até que ouço o celular apitar e leio sua resposta:

“Eu sei. Muito bonita a porta vermelha do chalé do seu pai.”

Quando leio isso, dou um gritinho, largo o celular, pego uma canga e corro desesperada até a porta. Na minha corrida, derrubo cadeiras do quintal, bato com o quadril, mas não me importo.
Rafaela está aqui!
Rápida, abro a porta, mas minha cegueira é tamanha que não vejo nenhum carro que possa ser o dela, até que uma buzinadinha me faz olhar pra direita e eu vejo uma mulher numa moto maravilhosa. Ela desce, tira o capacete e seus olhos e sua boca sorriem para mim.
Sem me importar com mais nada nem ninguém, corro até ela e me atiro em seus braços. Meu impulso é tão forte que nós duas quase caímos no chão, mas nada, absolutamente nada, me importa. Eu apenas a abraço e estremeço quando volto a ouvir
sua voz em meu ouvido:

— Pequena... senti sua falta.

Estou nervosa. Histérica! Rafaela, minha Rafa!, está nos meus braços. Em Jerez. Na porta da casa do meu pai. Veio me buscar. Me encontrou e essa é a única coisa em que quero pensar.

Quando me separo um pouco dela, sinto seu olhar percorrer meu corpo e então me dou conta da minha aparência.

— Rafaela, você podia ter avisado. Olha o meu estado.

Ela não responde. Apenas me olha e em seguida me segura pela nuca e me puxa pra ela, pronta para me dar um beijo apaixonado que faz toda Jerez estremecer.

— Você está linda, querida.
Ai, meu Deus! Vou ter um troço. E ainda por cima me chama de “querida”!

— Como está o braço? — pergunta de repente.
Eu mostro a marca do ferro.

— Ótimo.
Rafaela faz um gesto com a cabeça e eu a convido a entrar na casa.
Vai me seguindo e ofereço uma cerveja. Ela recusa e pede água. Eu a faço esperar na piscina enquanto me visto. Rafaela resiste, mas explico que essa é a casa do meu pai, que pode aparecer a qualquer momento. Ela entende e obedece. Em cinco minutos eu me visto. Um jeans, um top e pronto.
Quando apareço, Rafaela olha para mim.

— Você recebeu duas mensagens do Fernando.

Respiro fundo e, antes de conseguir responder, Rafaela me puxa para si e me beija com voracidade. Seus beijos me fazem entender que ela sentiu tanta falta de mim quanto eu
dela, e isso me deixa feliz. Apesar de que ela ainda me deve muitas explicações. Em meio aos beijos, entramos na cozinha. Rafaela me sobe na mesa para continuar me beijando
e ao mesmo tempo me aperta contra ela.

The Boss / RabiaOnde histórias criam vida. Descubra agora