Capítulo 21

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Enrico Niccolo

01 de abril

Abro meus olhos, tentando me acostumar com a claridade do local. Olho para o lado e vejo meu pai sentado na cadeira ao lado da minha cama. Ele está com os cotovelos apoiados no braço, e sua cabeça está abaixada.

Olho ao meu redor e percebo que estou em um quarto branco, possivelmente um quarto de hospital.

Meu pai olha para mim quando uma tosse sai pela minha boca.

- Grazie a Dio ti sei svegliato! - Ele diz e se levanta. (Graças a Deus você acordou)

- Coe'è successo, babbo? - pergunto. (O que aconteceu, papai?)

Antes que ele possa me responder, um homem vestido com um jaleco branco e uma prancheta na mão, entra no quarto.

- Olá, Enrico. Eu sou o doutor Roger. Como você está? - ele me pergunta, quando chega ao lado da minha cama.

Olho para o meu pai, com receio de responder o doutor.

Fecho os olhos quando, de repente, a lembrança dela me afogando na piscina aparece em minha mente. Quando eu os abro novamente, lágrimas já os preenche.

Meu pai segura minha mão, e só agora percebo que em baixo dos seus olhos tem olheiras escuras. Olheiras que antes não existiam ali.

- Está tudo bem, figlio. Ela não vai mais te fazer nenhum mal. - Uma lágrima escorre pelo seu rosto, enquanto ele tenta me tranquilizar. (Filho)

Abro meus olhos, assustado. Me sento na cama e percebo que estou todo suado, logo tiro minha camiseta, a jogando em cima da cama.

Olho ao meu redor e percebo que estou sozinho, na cama do meu quarto, na casa do meu pai.

Olho para o relógio em cima do criado mudo, ao lado da minha cama, e vejo que são seis horas da manhã.

Ao lado do relógio há um maço de cigarro e um isqueiro. Eu os pego, me levanto e vou para a janela do meu quarto. A abro e tiro um cigarro de dentro do maço, em seguida, o acendo.

Dou uma tragada e sinto meus músculos relaxarem.

Estou cansado de ter sempre os mesmos sonhos e pesadelos. Parece que mesmo deixando o passado para trás, ele volta, de uma forma ou de outra, para me assombrar.

Termino de fumar o meu cigarro, querendo que os meus pensamentos se acalmem. E assim que eu o termino, eu volto para o lado da minha cama, e guardo o maço de cigarro e o isqueiro dentro de uma das gaveta do criado mudo. Me viro para a cama e começo a dobrar o cobertor, para arrumá-la. Assim que termino, saio do meu quarto e começo a descer as escadas.

A mansão do meu pai tem três andares. No primeiro andar tem a sala de estar, a sala de jantares, a cozinha, a despensa, a lavanderia, dois banheiros e o escritório principal do meu pai. No segundo andar tem a suíte do meu pai, a minha, a do Tyler, a da Zoe, a da Martha, uma outra suíte reserva e dois quartos. Também tem um banheiro e o escritório secundário do meu pai. No terceiro andar tem uma pequena academia, um grande quarto de brinquedos para a Zoe, um quarto para massagens, onde tem seis cadeiras de massagem e uma cama de massagem. E nesse andar tem mais um banheiro.

Assim que chego no primeiro andar percebo que a casa está vazia. Hoje é sábado, os funcionários da casa não trabalham nos finais de semana, exceto a Martha, que trabalha em alguns finais de semana em que eu e nem meu pai podemos ficar com a Zoe.

Vou para a cozinha, pensando no que eu poderia fazer de café da manhã. Por fim, decido fazer as minhas panquecas, já que Tyler e Zoe as amam e o meu pai come tudo o que eu faço, que seja comestível.

Mia SoleOnde histórias criam vida. Descubra agora