Capítulo 27

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Enrico Niccolo

03 de abril

Ontem acabamos dormindo e perdemos o horário de levar a Zoe de volta para a casa do meu pai. E, já que a Zoe tem um guarda-roupas só dela no meu apartamento e sempre deixamos um uniforme reserva dela lá, Tyler e eu decidimos que ela se trocaria no meu apartamento e eu a levaria para a escola. E foi exatamente isso que eu fiz.

Agora, estou em cima da minha moto, na garagem da mansão do meu pai.

Eu estou muito confuso. Preciso urgentemente conversar com o meu pai.

Desci da moto e entrei na mansão. Agora ainda são sete horas e trinta e quatro minutos, então, não tem funcionários na casa, pois eles só trabalham a partir das nove horas.

Eu estou torcendo para que o meu pai esteja acordado. Não mandei mensagem antes de vir e ele deve estar dormindo tranquilo, porque eu disse que levaria a Zoe para a escola.

Subo as escadas até o segundo andar, vou até a porta do meu pai e bato, esperando ele abrir, mas isso não acontece. Abro a porta e vejo que ele não está na cama. Entro no quarto e o procuro no banheiro e no closet, mas ele não está em nenhum dos dois cômodos.

Se ele não está aqui, só pode estar em mais dois lugares.

Saio da suíte, subo mais um andar e vou até a porta do escritório secundário do meu pai. Abro a porta, mas o cômodo está vazio. Fecho a porta e começo a descer as escadas, para voltar para o primeiro andar.

Só resta mais um lugar.

O meu pai tem dois escritórios. O principal, com isolamento acústico, é o que ele se tranca dentro para poder trabalhar em paz e sem interrupções. O secundário, sem isolamento acústico, é o que ele trabalha quando a Zoe e eu estamos em casa.

Encosto na fechadura do escritório principal, torcendo para que a porta não esteja trancada. Giro a maçaneta e, para a minha sorte, a porta se abre.

Encontrei meu pai dormindo no sofá, encolhido, com vários papeis em cima e ao seu redor. Olho mais atentamente ao local e percebo que a sua garrafa de whisky, que sempre está cheia e com dois copos de vidro ao lado, na mesinha ao lado do sofá, está vazia, e, no pé do sofá, há uma outra garrafa de whisky. 

Vou até o meu pai, agacho mas, segundos antes de o acordar, percebo que ele está segurando uma garrafa de vodka.

Porra!

Começo a tentar acordar ele e quando ele abre um pouco os olhos, eu digo:

- Papà, vai a dormire nel tuo letto. - (Pai, vá dormir na sua cama)

- No, non posso- Ele se levanta rapidamente, me fazendo levantar e dar um passo para trás. (Não, não posso)

- Sí, puoi e lo farai! - Eu peguei ele pelo o braço e o puxei para fora do escritório. (Sim, você pode e vai!)

Levo meu pai até o seu quarto e o ajudei a deitar em sua cama. O cobri com o edredom vermelho, que antes estava dobrado. Ele fecha os olhos e adormece, então saio do seu quarto e volto para o seu escritório.

Assim que eu entro no local bagunçado, começo a recolher os papeis que estão jogados.

O escritório do meu pai nunca fica bagunçado. Sempre está perfeitamente arrumado, pois ele não gosta de bagunça e de sujeira e ele não deixa nenhum funcionário ou amigo entrar e nem limpar o seu escritório. Apenas meu pai, eu, Tyler e Zoe podemos entrar no local, e apenas meu pai e eu podemos limpar o local.

Mia SoleOnde histórias criam vida. Descubra agora