Enrico Niccolo
03 de abril
Assim que sinto meu celular vibrando em cima da mesa, eu olho para a tela do mesmo, querendo saber quem está me ligando, e assim eu descubro.
Meu pai é a pessoa que está me ligando.
Atendo a ligação imediatamente, com medo de que tenha acontecido algo grave.
- Papá? È successo qualcosa? - Pergunto. (Pai? Aconteceu alguma coisa?)
Ele fica em silêncio por um breve tempo, e responde:
- No, figliolo. Non preoccuparti. - (Não, filho. Não se preocupe.)
Suspiro aliviado com a resposta dele.
- Vieni a casa nostra, per favore. - Me pede, praticamente implorando. (Venha para nossa casa, por favor.)
Me levanto da cadeira tão rapidamente, que fico tonto por alguns segundos, mas, mesmo assim, continuo caminhando, quase correndo, em direção a minha moto.
Pego o meu capacete de cima da moto, subo em cima dela e o coloco. Tiro a chave da moto do meu bolso, coloco no contato e dou partida, para a casa do meu pai.
Estou pilotando a minha moto numa velocidade a mais, do que eu deveria, mas isso é importante.
Meu pai raramente me liga. Se ele me ligou, ainda mais, pedindo para eu voltar para a nossa casa, é um grande sinal para eu me preocupar com ele.
Quando chego na esquina da rua do meu pai, eu aperto o botão do portão eletrônico, para quando eu chegar na frente dele, eu não perder tempo com ele abrindo.
Assim que passo pelo portão aberto, rapidamente tiro o meu capacete e aperto novamente o botão do portão, para ele ser fechado novamente, mas não espero até ele fechar por completo, apenas corro até a porta de entrada da casa.
Eu entro desesperado na casa e chamo pelo meu pai, que demora alguns segundos para aparecer na sala de estar.
Dá para ver, claramente, que ele estava chorando. Pelo fato do seu rosto estar inchado, dos seus olhos e nariz estarem vermelhos e ele estar fungado.
Rapidamente ando até ele e lhe dou um abraço apertado.
- Você vai ou não me contar o que está acontecendo? - Pergunto, ainda o abraçando.
- Não está acontecendo nada, figlio, só queria te ver. - Ele me aperta mais. - Da quando un padre non può semplicemente voler vedere suo figlio? - Ele dá uma risada fraca. (Desde quando um pai não pode querer apenas ver o filho?)
Não o respondo, pois a sua pergunta é retórica, e sei que ele não vai dizer nada agora, então não vai adiantar nada.
Após longos minutos, nós nos afastamos e vamos para a cozinha. Ele se senta em uma cadeira, do lado oposto de onde eu estou, e eu sento na sua frente.
- Esse bolo está maravilhoso! - Diz, enquanto come uma fatia.
- É o seu favorito, eu sabia que você iria gostar.
- Obrigado.
- De nada. - Sorrio, enquanto corto uma fatia para mim.
Como eu já esperava, em sua mão esquerda, tem uma xícara de café, recém feito.
Eu e meu pai conversamos mais em italiano, pois preferimos a língua italiana, do que a inglesa, e porque é a língua de origem do meu pai.
Desde que eu era pequeno, nós conversamos em italiano e em inglês, para não perder o hábito de falar nenhuma das duas. Mas a minha genitora odiava. Na frente do meu pai, ela amava. A sós comigo, era outra opinião.
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Mia Sole
RomanceEnrico Niccolo, um italiano, mulherengo, traumatizado. Não se apega à ninguém. É grosseiro com tudo e todos. Ele nunca se apaixonou de verdade por ninguém, e nunca imaginou que um dia se apaixonaria. Será que isso pode mudar, com a mudança de uma jo...
