Capítulo 34

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O relógio apontava quatro da manhã, Kagome mal tinha pregado os olhos naquela noite, assim como ela havia feito nas duas noites passadas. O sono não a seguia durante o dia também e ela se sentia exausta.

Desde o último incidente, Kagome vem evitando tudo e todos, com exeção de Inuyasha, que agora respirava profundamente próximo ao seu ouvido, em um sono invejado por ela.

O braço do hanyou pesava em sua citura, isento de tudo o que passava na mente da sacerdotisa. Desde a cena aterrorizante de seu assassinato, ao encontro irritante com seu cunhado, que por sinal, fazia três dias que não aparecia na casa.

Ela queria afirmar que não estava preocupada com Sesshomaru, mas sua humanidade era incompreensível e ela sabia que o havia ferido muito mais dessa vez.

Irônico pensar assim, ela sendo apenas uma humana irritante (como ele mesmo costuma chamá-la) sendo uma ameaça para o maior daiyoukai vivo em sua era...

Kagome suspirou e virou seu corpo, saindo do abraço do hanyou e ficando de frente para ele. Não pode evitar o sorriso sutil  que se formou em seus lábios ao percebê-lo tão sereno enquanto dormia. Lembrava-se dele sempre em alerta durante sua viagem para recuperar os fragmentos, seu coração se acalmava ao vê-lo assim.

Sentiu suas costas esquentarem e uma ilumiação diferente no quarto. Virou o rosto para trás e percebeu que o céu clareava.

Com muito cuidado, Kagome se levantou da cama e vestiu um hoby grosso para protegê-la do frio, caminhou em passos lentos até o lado de fora, avançando pelo deck até sua borda.

O céu mudava de cor gradativamente, o azul escuro, agora arrastava um véu branco esfumaçado que separava o alaranjado suave que o sol formava, pelo menos, aquele dia não começaria nevando como os outros.

Uma cena linda, um novo amanhecer após dois dias de neve persistente, seu peito vibrou de emoção ao ver o sol se levantando sem trabalho nenhum para governar em seu lugar habitual.

O mesmo sol que agora ilumanava os passos que alguém havia deixado na neve, e que agora iluminava um homem feroz que olhava para ela de abaixo, sentindo-se incomodado com isso.

O nome saiu dos seus lábios como um suspiro:

-Sesshomaru...

🌸

Ele não esperava encontrá-la tão cedo, humanos costumavam dormir ainda naquele horário.

Seu corpo parou de caminhar no impulso ao vê-la pendurada na cerca de madeira que rodeava o deck do quarto do seu irmão. Ela assistia o nascer do sol como se aquilo fosse um expetáculo raro. Era ridiculo o romantismo que os humanos colocavam em tudo o que era simples e monótono. 

Então ela finalmente o viu e parecia surpresa a isto. Talvez por não ter mais nenhum ferimento em seu corpo? Pensar nisso o fez rosnar.

Precisou de três dias inteiros para que seu corpo se recuperasse e precisava de distancia, qualquer dose de reiki que essa criatura emitisse era um atraso para seus esforços.

Foram três,. longos e difíceis, dias...

🌙🌙🌙

-Por que não a deixou morrer no rio? - Irasue perguntou de forma séria ao olhar para seu filho ensanguentado.

Sesshomaru não respondeu, o que tirou um suspiro exausto da demonesa.

-Foi bom tê-la salvo, Kagome precisa estar viva...

-Eu já falei...

-Não estão pedindo para sacrificá-la, filhote. Eu nunca quis isso.

Sesshomaru rosnava para sua mãe, estava ferido, com dor e cada vez mais irritado com aquela mulher que veio de tão longe apenas para falar coisas incoerentes. 

Último SacrifícioOnde histórias criam vida. Descubra agora