______________ [30 e 32] ______________
“Janta com a gente, Pran?” Pat o convidou.
“Sim! Eu.. é, sim, claro!” Pran gaguejou e sentiu o ar escapar dos pulmões e suas orelhas ficarem vermelhas.
“Eve precisa tomar banho antes e…”
“Não!” A menina gritou, jogou a bola no chão e cruzou os braços.
“Sim! A Eve porquinha precisa tomar banho antes do jantar.” Pat fez cócegas na menina, que empurrou sua mão sem desfazer a cara de irritação e o pai sorriu, depois disse “Eu te espero no restaurante do hotel, tudo bem?”
Pran ainda se levantava, após pegar a bola no chão e notou que sua mão tremia um pouco ao devolvê-la para Pat, que fez um leve aceno de cabeça em agradecimento.
“Tudo bem.” Pran colocou as mãos para trás e abriu e fechou os dedos algumas vezes, como se fosse ajudar a se tranquilizar.
Pai e filha se afastaram e, mesmo de longe, Pran conseguia ver que a menina era teimosa e Pat parecia tão acostumado a isso, que ria e a provocava. Por fim, ele ouviu um gritinho empolgado vindo dela, seguida pela risada dos dois.
A cena era tão perfeita!
Por que ele tinha aceitado?
Ele não podia fazer isso, afinal ele sabia os sentimentos que tinha por Pat, que agora era um homem casado. Isso era errado e cruel consigo mesmo de tantas formas e o machucaria ainda mais.
Talvez ele precisasse disso para expurgar o último fio de esperança que o ligava a este passado.
A consciência do erro que seria esse jantar não minimizava a agitação em seu íntimo porque veria Pat uma última vez: eles comeriam juntos e pediriam sobremesa de chocolate (as covinhas de Pran surgiram tímidas).
De olhos fechados, Pran sorriu, uma brisa suave balançou seus cabelos e ele inspirou profundamente.
Os dois conversariam e ele ouviria as histórias do casamento e do nascimento de Eve.
Ele expirou desolado porque não havia como lutar contra este fato e só restou a ele voltar ao hotel.
Em seu quarto, Pran caminhava de um lado para o outro sem saber o que fazer. Ele se sentia nervoso como se estivesse indo ao um encontro, mesmo que nunca tivesse ido a um.
Seus encontros amorosos... Pran soltou uma risada debochada ao pensar nisso.
Amorosos?
Não! Seus encontros sempre foram sexuais e somente aconteciam após algum show, evento ou nas idas aos bares. Ele nunca sentiu essa sensação de expectativa para encontrar com alguém pela primeira vez, tampouco saiu com a mesma pessoa mais de uma vez, pelo que se lembrava.
Houve uma época em que ele ansiava por vir a praia.
Se ele ganhasse uma moeda cada vez que tinha suspirado desde que voltou ao seu quarto, Pran poderia encher uma de suas malas.
O homem no espelho parecia tranquilo e Pran não entendia como seu reflexo podia mentir tanto.
Ele vestia uma roupa escura porque as pessoas diziam que ele ficava sexy assim.
Era um comportamento adequado tentar ser sexy neste jantar?
Ele dobrou as mangas da camisa ate o meio dos antebraços, depois a soltou, depois dobrou de novo até o cotovelo e a soltou.
Uma camiseta ficaria melhor.
Se não era um encontro, não precisava de formalidade.
A camiseta estava um pouco amassada e o homem no espelho torceu o nariz e Pran se sentiu uma criança novamente sendo repreendido pela mãe: Pat era modelo e sempre estava bem arrumado, mesmo nas fotos que saíam nas páginas de fofoca.
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Castelo de areia
FanfictionDois garotos se conhecessem numa praia durante as férias de verão. Ano após ano, esse curto período de tempo é o que os une. Essa é uma história sobre o encontro de duas pessoas destinadas a ficarem juntas, mesmo que o caminho não seja fácil.
