“O tio pode brincar agora?” Ela segurou a mão de Pran.
“Ele precisa ir para a casa...” Pat pegou a filha no colo.
“NÃO!! Ele disse que ia brincar aqui!” Ela cruzou os braços e fechou a cara.
“Outro dia eu volto para a gente brincar.” Pran tentou amenizar a cara amarrada da menina.
“Não gosto de outro dia, eu quero agora.” Ela se balançou no colo do pai, irritada por ter sido contrariada.
“Agora ele não pode e a gente já conversou sobre isso, Eve! Nem sempre…” Pat falava com calma e a menina o interrompeu.
“A tia Love tá chegando, a mamãe falou, a gente ia brincar de esconde-esconde.”
Confuso com a menção deste nome, Pran viu Milk sorrir constrangida antes de pegar a filha dos braços do pai e a carregar de volta para o quarto.
“Love? Qual Love? Do programa Lovely Morning?” Pran perguntou em voz baixa.
“É uma longa história.” Pat riu envergonhado “Se você precisa ir, eu te levo!” Ele andou pela sala, procurando pelas chaves do carro.
“Eu prefiro ir sozinho.”
Os dois discutiram por alguns minutos: Pat insistia em levá-lo e Pran recusava, afinal estava tarde e não havia necessidade dele sair de casa (deixar sua família era o termo que ele não queria usar, mas que sua mente gritava).
A viagem de volta pareceu interminável e barulhenta porque sua memória se comportava como um rolo de filme travado, repetindo incessantemente as mesmas cenas: as conversas, as risadas, o choro, os abraços. Além disso, o perfume de Pat ainda estava em seu nariz fazendo cócegas.
Todos estes estímulos se misturavam em sua cabeça, que parecia girar, enquanto seu peito ardia, sufocado. Ao abrir a janela do carro, o vento bateu com força em seu rosto, bagunçou seus cabelos e levou embora o cheiro de Pat.
Qualquer um teria ido atrás da pessoa que amava. Pat tinha feito isso. Qualquer pessoa teria feito a mesma coisa! Qualquer um, menos ele.
Parecia tão fácil viver quando observava seus colegas de trabalho, sua família, os conhecidos da clínica. Por que sua vida não seguia uma linha tranquila e ordenada como a dos outros?
Sua covardia era a resposta, era o que o tinha imobilizado durante tantos anos, impedindo-o de ir ao encontro dele. Como uma piada cruel, quando teve coragem para esquecê-lo, Pat reapareceu.
Durante o período da reabilitação, Pran tentou se convencer de que sua paixão não passava de uma obsessão, mais uma mania estranha que ele tinha adquirido na infância. Contudo, ao ficar cara a cara com Pat de novo, seu coração bateu de uma maneira confusa, acelerada, desesperada, apaixonada, enlouquecedora mais uma vez.
E a covardia continuava ali, presa a ele, fiel e determinada a não o abandonar.
O que o impediu de se entregar de vez a Pat e ao amor que ele desejou por toda sua vida? Não havia motivo para ficar temeroso por ele ser casado, afinal era um casamento de mentira.
Uma mentira que somente eles sabiam.
Pran entrou em seu apartamento e correu até a cozinha, onde enfiou o rosto debaixo da torneira, bebendo a água com um certo desespero, depois esfregou as mãos molhadas na cara e na nuca.
As pessoas sabiam que ele era casado e para todo o resto do mundo, isto não era uma mentira. Elas conheciam Pawat e Milk, que se apaixonaram e juntos construíram uma empresa e uma família perfeita, amada e invejada. Inclusive ele mesmo, por muito tempo, sentiu inveja da relação dos dois.
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Castelo de areia
FanfictionDois garotos se conhecessem numa praia durante as férias de verão. Ano após ano, esse curto período de tempo é o que os une. Essa é uma história sobre o encontro de duas pessoas destinadas a ficarem juntas, mesmo que o caminho não seja fácil.
