Parte 23

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Anteriormente na Parte 1:

“Esse garoto Pawat parecia ser o tipo de pessoa que gostava de fazer brincadeiras e ele não tinha tempo para isso.”
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“PAWAT!”

As bochechas de Pran arderam de vergonha ao ouvir aquela declaração e, apesar da sua vontade de correr e se esconder, ele se virou e beijou Pat, calando a risada sacana que ouvia.

“Peço desculpas, Korapat Kidpran!” Ele disse de modo ironicamente formal antes de tirar o quadro das suas mãos e se virar para colocá-lo na parede “Eu menti! Você não é a pessoa que eu mais amo.” Ele completou ao ficarem frente a frente mais uma vez.

“Eu sei!” Pran encarou Pat e seu sorriso de zombaria, o mesmo sorriso que o deixava inquieto desde a infância “Eve deveria ser sua resposta!”

As duas mãos de Pat esmagaram as bochechas de Pran, transformando sua boca em um bico disforme e ele precisou dar pelo menos três tapas em Pat para conseguir se soltar.

“E é por isso que você é a pessoa que eu mais amo E desejo!” Pat enfatizou a conjunção “Você sempre foi tão inteligente!”

“Tá bom, tá bom! Para de me atormentar porque eu estou sujo!”

Assim que se livrou dos apertões dele, Pran só conseguiu pensar que queria se lavar, porque se sentia desconfortável com a bagunça que tinha acontecido dentro da sua roupa íntima. Contudo, Pat parecia tramar algo: por que ele continuava sorrindo? Pran passou ao seu lado, desconfiado dessa atitude e não demorou muito para descobrir que tinha razão em sua suspeita: Pat o agarrou pela cintura, o levantou alguns poucos centímetros no ar e correu desengonçado até o banheiro, chacoalhando seu corpo de um lado para o outro.

“PAWAT!! PAWAAT!!!” Pran gritou e riu e ele não diminuiu o passo “Pat, seu pateta! Me solta!”

Eles tomaram banho juntos, deitaram, suaram novamente e ficaram abraçados conversando boa parte da noite.

De manhã os dois discutiram porque Pat insistia em levá-lo ao trabalho e Pran não via necessidade disso, mas também não queria se separar. Quanto mais confuso ele ficava, mais perdido se sentia e, por fim, aceitou.

“Nós temos que passar em casa antes, porque a Milk viaja hoje e eu preciso buscar a Eve.” Pat explicou.

Pran concordou sem nem pensar muito a respeito, como se isso fosse rotineiro e casual em um relacionamento de muitos anos e quando se deu conta do que estava fazendo, seu coração bateu acelerado. A sensação de ser um impostor ou um usurpador cresceu dentro dele e seu polegar foi mordido algumas vezes em uma tentativa inútil de se controlar.

Conforme se mordia, ele listou mentalmente alguns pontos importantes que ele e Chimon haviam conversado: Milk o aceitava e estava em outro relacionamento; Ohm ainda o amava e os dois ficariam juntos por muito tempo; e, por fim, ele havia prometido que brincaria com Eve. Não tinha nada de errado nisso, ele podia relaxar.

Ele baixou a mão, esfregando a saliva na manga da blusa, depois tocou a perna de Pat, que dirigia concentrado na rodovia.

Pat não disse nada, mas tinha reparado nos movimentos que Pran fez e sorriu para ele. Apesar de ficar apreensivo, Pat queria demonstrar que estava tudo bem, por isso baixou uma das mãos do volante para retribuir o carinho, acariciando os dedos dele sobre sua coxa.

Eve corria pelo gramado do quintal da casa e por mais que Pran mantivesse seus olhos na criança, ele nunca superaria a atenção que Pat dava a ela. Ele tinha se tornado um excelente pai e Pran se orgulhou dele.

Era a segunda vez que vinha até esta casa e era a primeira depois de terem descoberto que o amor entre eles ainda existia, sempre existiu, era verdadeiro e maior do que os dois podiam supor.

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