Parte 11

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______________ [22 e ...] ______________

A pressão forte que sentia na bexiga fez Pran levantar e, embora mal enxergasse o caminho, ele conseguiu ir arrastando os pés até o banheiro, apoiou a mão na parede e mirou o vaso sanitário.

Ele lembrava de ter voltado para casa de táxi e tinha tirado a roupa assim que fechou a porta do seu novo apartamento e nessa hora ele se arrependeu de ter mudado para um lugar maior, porque antes sua cama ficava a poucos passos da entrada. Seu ombro doía e provavelmente era por ter esbarrado em alguma porta no caminho até seu quarto.

Quando Chimon o ajudava, sua vida era bem mais fácil.

Ele não iria pensar nisso agora.

Seu reflexo no espelho mostrou um homem de olheiras fundas, olhos vermelhos, cabelo sujo e bagunçado e ele forçou um sorriso. Suas covinhas ainda estavam ali e não interessava o quanto se sentia destruído, Pran ainda habitava aquele corpo.

Enquanto lavava as mãos na água fria, a sensação da língua áspera e boca seca por causa da ressaca ficou mais evidente e, sem pensar, Pran enfiou a cara embaixo da torneira, matando sua sede com um certo desespero.

Talvez ele devesse tentar beber mais água após os shows, seria bom para o seu organismo.

Esta resolução vinha sendo abandonada constantemente antes de cada apresentação e retomada na manhã seguinte e ele sempre dizia que esta seria a última vez.

Como sua cabeça pulsava e pesava, ele caminhou de volta para a cama, procurou seu celular perdido entre os lençóis, coçou o saco, puxou um dos travesseiros e se deitou.

Desde que a banda começou a ter visibilidade, Pran se viu obrigado a criar um perfil oficial para suas redes sociais, antigamente ele usava uma conta falsa e não precisava se expor. Agora, cada vez mais, sua cara aparecia em vários lugares, as pessoas o marcavam como se tivessem alguma intimidade e isso o irritava. Seu manager insistia que era bom para divulgação, então sua única opção era aceitar.

A foto dele beijando a bochecha de um fã (o ângulo era ruim ou ele tinha beijado tão perto assim da boca dele?) estava em todos os lugares e ele revirou os olhos, repostou uma delas e ignorou o resto.

Na página de Pat havia uma atualização e uma das novas fotos o mostrava como embaixador de uma grife, porém estas fotos não faziam jus a sua beleza real.

“Você parece um idiota fazendo essas caras com este cabelo escorrido de gel.” Pran resmungou.

[“Oi, vocalista!”]

Uma notificação de mensagem surgiu no alto da tela do seu celular.

[“Quando vou poder te ver de novo?”]

Pran não lembrava muito bem do rapaz da foto que tinha viralizado, mas a conta que tinha mandado a mensagem mostrava uma pessoa bem parecida com ele.

Algumas imagens da noite passada iam e vinham em sua memória e talvez não tivesse sido um sonho. Pran lembrava vagamente de acariciar o maxilar bem delineado de um rapaz ajoelhado na sua frente dentro de uma das cabines do banheiro do bar.

O problema é que sua mente insistia em trazer outro gemido para aquele momento e definitivamente não era Pat quem chupava seu pau.

Pran abriu a mensagem e viu que o rapaz digitava mais alguma coisa e o bloqueou antes que terminasse e voltou a ver as fotos de Pat.

Além das poucas novas imagens deste ensaio, havia algumas fotos mal tiradas por fãs que o viram em um restaurante com Milk.

Milk, a amiga. A modelo. A modelo de amiga.

Castelo de areiaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora