Seu dia tinha sido repleto de conversas, desabafos e entendimentos e, apesar de ter ficado sentado o tempo todo, a sensação de esgotamento tomou conta de Pran assim que encerrou a ligação com Chimon.
Ele dormiu um sono pesado e profundo e quando acordou, era evidente o que precisava fazer, mas ele preferiu comer alguma coisa, depois tomou um banho, depois mexeu no celular, depois assistiu televisão e se recriminou pela sua enrolação.
Andando ansioso, de um lado para o outro na sala, Pran notou que não existia aquela vontade desesperada pela bebida. Para o que planejava fazer, ele precisaria se manter sóbrio e, nesta hora, uma lágrima correu pelo seu rosto contornando a covinha que surgiu em sua bochecha. Mesmo com as mãos tremendo um pouco pelo nervosismo, não existia aquele desejo avassalador por se embriagar e era como se ele se sentisse livre pela primeira vez em tanto tempo.
A única coisa de que ele precisava era se acalmar e esperar, só isso!
Ele pegou o celular e não conseguiu pensar em nenhuma música adequada para este momento e tinha receio de perder o controle e atrapalhar os vizinhos de novo.
Ele procurou por [Músicas para relaxar] na busca e colocou a primeira playlist para tocar.
Por que a música demorou tanto para começar? Próxima.
Por que essa música era tão lenta? Próxima.
A música era tão entediante! Próxima.
Próxima.
Próxima.
As músicas tocaram menos de 5 segundos antes de serem puladas e isso não era nada relaxante.
[Músicas para meditação]
Isso funcionaria! Era uma ótima ideia!
Ele tinha feito algumas sessões de meditação na clínica e tinha sido bom. Sentado no piso frio, de pernas cruzadas e olhos fechados, ele respirou fundo e deixou que a música se espalhasse pela sala. “Vai ficar tudo bem, você só precisa esperar mais um pouco!” Ele pensou e se mexeu, ajeitando a postura, porque sua bunda não parecia devidamente acomodada no chão “Você precisa esvaziar seus pensamentos!” Não era fácil e a voz nos autofalantes o incomodava. Próxima música. “Como a instrutora dizia? Sinta cada parte do seu corpo conforme você respira: inspire e sinta seu pulmão expandindo; expire e sinta seus ombros relaxando. Por que esta música parece um lamento?” De canto de olho, Pran pulou para a próxima faixa ”Ombro? Isso, relaxa o ombro! Inspira!” Seu joelho começou a incomodar e ele esticou a perna e um estalo alto o fez abrir os olhos, assustado. Ele não estava tão velho assim para suas articulações estalarem desta forma. “Você está fazendo isso sóbrio!” Pran tentou mudar o foco para algo menos preocupante e sorriu, orgulhoso, enquanto alisava o joelho. Com uma das pernas esticada, tentando se ajeitar numa postura relaxante, ele mudou a música. De olhos fechados novamente, ele deixou que os sons tomassem conta de sua mente, era uma música interessante, mas esse sino que tocava de tempos em tempos o deixava disperso. “Esses sinos tem um nome, não tem? Um, dois, três, quatro, piiIIIIMMMmm, cinco, seis, sete, piiIIIIMMMmm…” Ele pensou que talvez esse som pudesse ajudá-lo a se concentrar e diminuir seus pensamentos, mas como é que ele poderia relaxar se agora sua maior preocupação era medir a frequência do tilintar dos sinos? “Como era o nome do filme onde os tripulantes de uma nave espacial caíram em um planeta e o diretor usou um som para marcar a passagem dos anos? SINOS TIBETANOS!!” Ele se assustou com o próprio pensamento, pois os sinos desta faixa eram deste tipo, sinos tibetanos! “Se acalma! Inspira e expira! Mantenha o foco na respiração!” Ele abriu um pouco um dos olhos e mudou de faixa. Sim, essa era melhor. “E se ele não vier?” Próxima música “Ele vai vir.” Por que esta música parecia um zumbido? “Ele disse que viria!” O que ele tinha que fazer para calar seus pensamentos?
Pran grunhiu, xingou e se levantou, irritado pela sua estupidez.
“Meditação é o caralho! Que merda de ideia estúpida!” Ele xingou, jogou o celular no sofá, flexionou e esticou a perna, testando se suas articulações ainda funcionavam “Se acalma, você não é louco!”
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Castelo de areia
FanfictionDois garotos se conhecessem numa praia durante as férias de verão. Ano após ano, esse curto período de tempo é o que os une. Essa é uma história sobre o encontro de duas pessoas destinadas a ficarem juntas, mesmo que o caminho não seja fácil.
