Parte 22

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Ainda confuso pelo sono, pela cama estranha e pelo barulho da chuva, Pat esticou o braço sobre o colchão, procurando por Pran, mas o espaço ao seu lado estava frio e vazio. Apenas alguns segundos de pânico foram suficientes para suas memórias projetarem as imagens de Pran fugindo na praia, ele o encarando no meio da multidão no show e se afastando, ele saindo do restaurante sem olhar para trás e entrando no táxi, indo embora de sua casa. Desesperado, ele sentou, olhou em volta, sem encontrar ninguém, mesmo assim, ele riu envergonhado ao ouvir o barulho vindo do chuveiro do banheiro.

Ele não tinha fugido desta vez, os dois estavam juntos, não havia abandono nem rejeição: Pran estava ali.

Ele estava, não é?

Como se rezasse, ele repetia e implorava mentalmente para que fosse Pran a pessoa dentro do banheiro. Não havia outra possibilidade, mesmo assim o sono e o medo de perdê-lo mais uma vez não deixavam sua cabeça funcionar muito bem.

Pran estava ali.

Da porta do banheiro, Pat admirou a forma como a água caía sobre o rosto dele, que parecia tranquilo e feliz. Sim, Pran parecia contente e leve, como se não carregasse mais em seu semblante aquele o peso e apreensão que sempre incomodaram Pat ao ver as fotos dele no passado.

Ao constatar isso, Pat também sentiu como se tivesse se livrado do fantasma que o perseguia há tanto tempo e que sempre sussurrava em seu ouvido que ele fazia tudo errado.

O seu Pran estava ali. O seu Pran de sorriso doce e mãos fofinhas.

Enquanto o assistia tomar banho, Pran se afastou um pouco do chuveiro, abriu os olhos e o encarou, assustado.

“Você fugiu de mim!” Ele disfarçou sua vontade de rir com um bocejo e coçou os olhos e depois se jogou sobre Pran, abraçando-o pelo pescoço, sentindo seu coração bater com mais calma.

“Eu só precisava tomar banho.” Pran riu.

O que Pat havia feito com ele? Por que ele só sabia rir, rir e rir?

“Não! Você me deixou lá sozinho!” Pat choramingou e apertou ainda mais o abraço em volta do pescoço dele.

A água caía agora sobre as costas de Pat, lavando seu suor e perfume, e isso não era um problema porque eles nunca mais se afastariam e Pran poderia ter o cheiro dele sempre que quisesse e era só dele.

“Eu estou aqui, tá bom?” Pran beijou perto de sua orelha, antes de empurrá-lo um pouco para conseguir respirar.

Pat afrouxou o abraço e deslizou as mãos até os ombros de Pran para, depois, subir em direção ao seu rosto e segurá-lo com firmeza para beijá-lo mais uma vez.

“Eu não vou fugir de novo!”

Pran disse baixinho quando Pat afastou sua boca, embora os dois mantivessem suas testas encostadas uma na outra.

“Eu não vou fugir, porque eu não posso fugir!” Pran confessou com um certo desespero “E eu não quero fugir. Pat, eu te amo e sempre te amei e não quero mais ficar longe de você.”

Pran sentiu uma súbita vontade de chorar após se declarar, mas a gargalhada de Pat foi mais rápida, os dois se beijaram entre sorrisos úmidos e com palavras de amor entrecortadas.

“Eu te amo! Eu te amo tanto, Pran!”

Ao dizer essas palavras, o coração de Pat pulsou forte contra o peito de Pran e o dele respondeu na mesma intensidade. Seus corpos colados não permitiam nem mesmo que a água se interpusesse entre eles. Ambos sentiam como se carregassem os dois corações juntos em seus peitos.

Tomar banho com outra pessoa era uma novidade, além de ser confuso, íntimo, pouco produtivo e divertido. Os dois sentiam como se fossem crianças brincando com a espuma e, em outros momentos, seus corpos os lembravam de que eram adultos e tudo ficava um pouco mais intenso.

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