______________ [30 e 32] ______________
"Você não é mais uma criança agora, você vai fugir de mim?"
"Você é casado e tem uma filha." Pran revirou os olhos "Sim, eu vou fugir de você."
Pat o encarou por um tempo e dava para ver que mil coisas se passavam dentro da sua cabeça, mas o único sentimento que deixava transparecer era a tristeza. Bem diferente de Pran, que sentia um grande vazio dentro de si, como se não houvesse mais nada o que entregar.
"Eu não quis... eu não queria... eu sinto muito se te assustei naquele dia." Pat disse por fim.
O garçom parou ao lado deles e os dois esperaram seus pratos serem servidos antes de agradecerem e começarem a comer. Pran não fazia ideia do que tinha na sua frente porque tudo parecia insosso e sem gosto.
O silêncio doía e incomodava e Pran não sabia lidar com isso.
"E como é a vida de supermodelo?" Pran vestiu seu sorriso forçado de trabalho, mas não convenceu Pat com sua alegria mentirosa.
Talvez ele não fosse tão pateta assim.
Ele terminou de mastigar, respirou fundo e sorriu, do jeito doce e travesso que só ele sabia fazer.
"Você pergunta isso como se também não fosse uma celebridade e um astro do rock."
Isso era tão óbvio! Durante toda sua vida, Pran imaginou que Pat o tinha esquecido ou não se importava com ele (pelo menos não se importava da mesma forma que Pran), e ao ver a foto e ver o sorriso dele falando sobre sua vida o fez se sentir burro.
"As pessoas só me conhecem aqui, você é conhecido internacionalmente." Pran ruborizou e se estivesse ao lado dele, teria esmurrado seu ombro.
"Depois do seu último prêmio, tenho certeza de que o mundo todo te conhece."
Ele pensou no prêmio que recebeu pelo seu curta metragem e a imagem gravada em sua memória eram os pedaços dele na cozinha. Após sair do hospital, ele pediu para irmã levá-lo até sua casa para buscar algumas roupas. Ela abriu a porta e o amparou pela cintura porque sua cabeça doía onde tinha tomado alguns pontos. A poça de sangue seco ainda estava na sala e, ao passar pela cozinha, ele viu de relance o símbolo do seu sucesso espalhado pelo chão, junto com cacos de vidro e misturado ao cheiro de vômito.
Um tempo depois, quando foi liberado pela clínica de reabilitação para passar alguns dias com a família, ele viu seu prêmio remendado na estante da sala da casa da irmã. Com um meio sorriso debochado, ele pensou que o troféu o retratava muito bem, já que os dois estavam no mesmo estado: quebrados e com remendos.
"Não foi tão relevante assim." Pran falou, por fim.
"Você está sendo modesto! Eu sei que seu fandom é grande fora do país." Pat comentou e baixou os olhos como se tivesse falado demais.
"Onde está sua esposa?" Pran perguntou, querendo mudar de assunto.
"Ela viajou para um evento." Pat respondeu enquanto mastigava, sem nem ao menos se importar "Ela está fora do país."
Como ele podia ser tão canalha? Ele perguntava se Pran iria fugir, dando a entender que poderia haver algo entre eles, sendo que era casado e falava da esposa sem parecer se importar de fato com ela.
Pran continuou comendo e deixou que o silêncio os engolisse.
"Ah! As sobremesas daqui são deliciosas!" Pat limpou a boca com o guardanapo e sorriu, mas um respingo de molho tinha manchado seu pescoço e a gola da sua camisa branca "Você precisa provar a torta de chocolate que..."
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Castelo de areia
FanfictionDois garotos se conhecessem numa praia durante as férias de verão. Ano após ano, esse curto período de tempo é o que os une. Essa é uma história sobre o encontro de duas pessoas destinadas a ficarem juntas, mesmo que o caminho não seja fácil.
