Becky estava empolgada, mas também determinada a unir aquele casal. Durante o intervalo, elas estavam sentadas no jardim da escola, e Becky tinha começado a explicar a Anya todos os meios de confissão possíveis, baseados em suas novelas românticas favoritas.
— Certo, Anya, temos vários estilos de confissão: o romântico, o casual, o dramático e até o ousado! — disse Becky, enumerando com os dedos. — Você só precisa escolher um.
— "Ousado?" — Anya perguntou, inclinando a cabeça. — O que isso quer dizer?
— Tipo, você agarra a mão dele, olha nos olhos e diz "Eu gosto de você!" sem nenhum medo! — Becky explicou, gesticulando como se estivesse encenando.
Anya sentiu o rosto esquentar só de imaginar.
— Isso é impossível!
— Foi você quem deu a idéia primeiro, se lembra?
— Mas eu não consigo! Eu nem consigo mais falar direito com ele!
Becky suspirou.
— É por isso que estamos treinando, Anya! Vamos começar pelo básico.
Primeira Tentativa: O Bilhete Secreto
A primeira ideia de Becky era simples. Anya escreveria uma carta confessando seus sentimentos e entregaria discretamente a Damian. No entanto, no momento em que Anya tentou deixar o bilhete na mesa dele, Emile e Ewen apareceram, rindo alto e comentando sobre "segredos misteriosos". Assustada, Anya jogou o bilhete no lixo e fugiu.
— Você tem que ser mais discreta! — Becky exclamou, segurando os ombros da amiga.
— Eu tentei! — Anya respondeu, frustrada.
Segunda Tentativa: O Encontro no Jardim
Becky sugeriu que Anya convidasse Damian para um encontro no jardim durante o intervalo. Tudo estava indo bem até que Damian apareceu, acompanhado de Emile e Ewen como sempre, que decidiram "ver o que Anya queria". A confissão foi arruinada antes mesmo de começar.
— Eles são como parasitas! — Becky resmungou, cruzando os braços. — Vamos tentar outra coisa.
Terceira Tentativa: O Plano Ousado
Finalmente, Becky insistiu para que Anya fosse direta. Durante a aula de educação física, quando todos estavam distraídos, Anya tentou chamar Damian para falar a sós, mas acabou tropeçando nos próprios pés, e caiu na frente dele. Mas foi Charles que a ajudou a levantar, enquanto o Desmond a observava com um expressão estranha. Anya ficou tão nervosa que apenas murmurou algo ininteligível e saiu correndo.
Becky, vendo tudo de longe, colocou a mão na testa.
— Você é uma causa perdida, Anya! — ela disse, derrotada.
O Último Plano
No dia seguinte, Becky trouxe a última tentativa. No corredor, ela parou Anya e apontou para a sala à frente.
— Já da pra ouvir aquele bando de garotos irritantes daqui. O Desmond está lá. Você trouxe o que combinamos?
Anya ergueu uma sacola de papel com os chocolates.
— Ótimo. Agora, é simples: você entra na sala, chama o Damian para um canto e diz a verdade. Sem enrolação. E se isso não der certo... — Becky parou e cruzou os braços. — Partimos para a última opção.
— Qual é a última opção? — Anya perguntou, temendo a resposta.
— Eu mesma conto para ele! — Becky respondeu, deixando Anya ainda mais desesperada.
— N-não precisa! Eu vou tentar!
— Boa sorte. — Becky piscou, dando um leve empurrão na amiga em direção à porta.
Anya assentiu com a sacola de chocolates nas mãos. Seu coração batia tão rápido que parecia que todos ao seu redor podiam ouvi-lo. Ela parou diante da porta aberta, respirou fundo e se preparou para entrar. Porém, antes que pudesse tomar coragem, ouviu vozes vindas lá de dentro.
— E então, Damian, você já pensou no tipo de garota que quer casar? — era Emile.
— É, conta aí! — Ewen incentivou.
Damian balançou a cabeça, claramente não interessado em participar da conversa.
— Não tenho tempo para esse tipo de coisa agora. Não vejo por que precisamos falar sobre isso.
— Ah, vai, Damian! Diga logo. Qual o seu tipo ideal? Você tem que ter uma mulher que seja à sua altura.
— Eu não tenho tempo pra pensar nisso agora. Mas... — Ele hesitou.
— "Mas?"
— Uma mulher educada, elegante e inteligente...
Anya parou no meio do corredor, os olhos arregalados e a respiração presa. As palavras de Damian pareciam ecoar em sua mente, repetindo-se como um tambor silencioso: "Educada, elegante e inteligente."
Ela olhou para a sacola de chocolates em suas mãos. De repente, o embrulho bem-feito e o aroma doce pareciam insignificantes. Um nó apertava sua garganta, e algo dentro dela começou a desmoronar, como um castelo de cartas abalado por um leve sopro.
Sem pensar, ela recuou um passo, depois outro, o corpo se movendo antes mesmo que sua mente pudesse processar. O corredor parecia mais longo, mais vazio. O som abafado de vozes na sala agora era distante, como se tudo ao redor tivesse perdido o foco.
Ela apertou a sacola contra si, como se segurá-la mais forte fosse evitar que seus próprios sentimentos escapassem. Mas o peso era demais. As lágrimas começaram a encher seus olhos, turvando sua visão. Antes que alguém pudesse vê-la naquele estado, Anya virou-se e começou a correr.
Seus passos ecoaram pelo corredor vazio, rápidos e desajeitados, enquanto ela lutava contra a urgência de chorar. A sacola balançava em sua mão, quase caindo, mas ela não se importava. Tudo o que queria era fugir – da sala, das palavras dele, de si mesma.
Becky, que aguardava ansiosa pelo resultado do plano, avistou Anya correndo pelo corredor como se estivesse fugindo de algo.
— Anya! O que aconteceu?! — Becky chamou, alarmada, mas a amiga não parou.
Sem pensar duas vezes, Becky correu atrás dela. Quando finalmente alcançou Anya no jardim, parou abruptamente ao ver a cena diante dela.
Anya estava encolhida perto de um banco, o rosto escondido entre os braços cruzados sobre os joelhos. A sacola de chocolates, agora estava amassada e esquecida ao seu lado.
Becky arregalou os olhos. Ela nunca tinha visto ela assim antes.
— Anya... — Becky se ajoelhou ao lado da amiga, tocando suavemente seu ombro.
Anya levantou o rosto devagar, revelando lágrimas grossas que escorriam pelo rosto corado. Seus olhos estavam vermelhos, e a expressão de dor era tão evidente que o coração de Becky apertou.
— O que aconteceu? Por que você está assim? — perguntou.
Anya abriu a boca, mas nenhum som saiu. Ela balançou a cabeça com força, como se não quisesse ou não pudesse explicar.
— Foi o Desmond? Ele fez algo? — Becky insistiu, agora com uma pontada de raiva na voz.
Anya apenas apertou mais os braços ao redor de si mesma, como se quisesse desaparecer. Becky sentiu um misto de frustração e tristeza.
— Me dá um minuto que eu vou resolver isso. — Ela se levantou rapidamente.
— O que você vai fazer? — Anya perguntou.
— Eu já volto.
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Love x Friends
Fanfiction"Pela paz mundial" era o que Anya achava, até se ver atraída por seu rival na academia Éden e ter de executar uma nova missão para entender seus sentimentos.
