CAPÍTULO 42

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KIRA FANE

— Que cara boa é essa? — Meu irmão perguntou após eu entrar no meu veículo e colocar o cinto.

— Nadinha. — Encolhi os ombros e permaneci fitando o prédio da Mahara.

— Sei, sei, sei. — Continuou, movendo o volante e saindo do espaço onde estacionou o carro. — Está mais que claro que vocês se amam. Você nunca escondeu e ela está demonstrando agora.

— Você acha que ela me ama? — Fitei-o, cruzando as pernas em cima do banco.

— Você ainda tem dúvidas? Porra, até um cego vê. — Disse num tom carregado de ironia.

— Estou gostando de ver as mudanças dela. Sim, é verdade, Mahara tá expressando muito mais os sentimentos. Principalmente em espaços públicos. Está me beijando, me abraçando, me tocando muito mais. Mas será que amar é a palavra certa? Não quero me iludir, maninho. Ela pode estar apaixonada... — Fiz uma pausa para pensar, também perdida. — Mas amar é uma palavra forte, pelo menos por agora.

Chase girou o volante com uma mão, contornando uma rotatória. Ele fez um barulhinho com a boca e deu de ombros, não me dando uma resposta clara.

Chato.

— Você está tentando me ajudar ou confundir mais a minha cabeça?

— Você é lerda, não tenho paciência para suas lerdezas. — E ele estava de volta. Sempre carinhoso. — Talvez num futuro não muito distante possamos falar sobre isso de novo e você vai responder a sua própria pergunta.

Mas será que amar é a palavra certa?

Era? Mahara me amava?

— Grosso. — Resmunguei, revirando os olhos. — Quando você pretende voltar para o Brasil?

— Depois de amanhã.

— Você está com muita saudade da Lua, né?

Sorri maliciosamente e cutuquei seu braço.

— Você não imagina o quanto. Não vejo a hora de ver a minha mulher. — Seu peito subiu e desceu, soltando uma respiração pesada.

Minha boca se abriu em um leve choque. Esperava que meu irmão me respondesse com alguma patada ou um palavrão, ou o famoso — não enche meu saco —, uma vez que minha intenção era provocá-lo e o humor dele tinha fases e era imprevisível. Porém, não aconteceu. Não quando o assunto era a mulher que ele amava.

A mãe dos filhos dele.

Baixei a cabeça e alarguei os lábios, formando um sorriso boboca.

— Você às vezes me assusta, Kira. Fica sorrindo do nada, tá enlouquecendo? Se sim, me avisa, para eu e a mãe internamos você. — Havia zombaria em seu timbre.

— Vai se foder, Chase! — Disparei impaciente, escutando a gargalhada dele. — Esqueci o quanto você consegue ser insuportável quando quer. — Outra vez, rolei os olhos e desviei o foco para a janela. — Para onde estamos indo? — Mudei de conversa, não reconhecendo o caminho para o meu apartamento.

— Vamos almoçar fora.

— E a mãe?

— Mãe está com o Tommaso. Vamos nos encontrar com ela mais tarde, na hora do jantar. Ela até já escolheu o restaurante e tudo.

— Deixa eu adivinhar, é italiano? — Chutei com 100% de certeza que acertei.

Chase negou com a cabeça.

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⏰ Última atualização: 18 hours ago ⏰

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