Capítulo 23

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RITINHA ESTAVA DENTRO DO CARRO, COMPLETAMENTE DOMINADA PELO MEDO

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RITINHA ESTAVA DENTRO DO CARRO, COMPLETAMENTE DOMINADA PELO MEDO. AS MÃOS ESPALMADAS SOBRE AS PERNAS TREMIAM SEM CONTROLE, E O SOM DO MOTOR PARECIA ECOAR NO FUNDO DO SEU PEITO COMO UM TAMBOR DE GUERRA. O CARRO SEGUIA POR RUAS QUE ELA NUNCA TINHA VISTO ANTES, ESTREITAS, COM LADEIRAS ÍNGREMES E BECOS APERTADOS QUE MAIS PARECIAM CAMINHOS ESQUECIDOS POR DEUS. DO LADO DE FORA, POSTES MAL ILUMINADOS LANÇAVAM SOMBRAS QUE SE MEXIAM, DISTORCIDAS, COMO MONSTROS SILENCIOSOS À ESPREITA.

O motorista não dizia uma palavra, apenas trocava olhares com o homem ao lado dele — aquele que ainda segurava um fuzil apoiado entre as pernas. De tempos em tempos, viravam o rosto e olhavam para ela como se estivessem apenas aguardando a hora certa para agir. O ar dentro do carro estava pesado, sufocante. O cheiro de gasolina misturado com suor e pólvora deixava a garganta de Ritinha seca, difícil de engolir.

Ela vestia o mesmo vestido leve e florido que usara para sair com Marcos mais cedo, e agora aquele tecido que antes trazia lembranças doces do beijo, do toque dele, parecia uma prisão. Quando a rua começou a inclinar e o carro subiu o morro em zigue-zague, o coração de Ritinha disparou com mais força. Ela sabia. Sabia que estava sendo levada para dentro de um território perigoso, para o covil de feras. As lágrimas escorriam em silêncio, deslizando pelo rosto e manchando a maquiagem que ainda restava.

O carro parou com um solavanco diante de uma viela apertada. Antes mesmo que pudesse pensar em fugir, a porta do carro se abriu com violência e uma mão grossa e pesada agarrou seu braço com força.

— Sai! — ordenou o homem, puxando ela com brutalidade.

Ritinha tentou firmar os pés no chão, mas ele a empurrou sem dó. Ela tropeçou, mas se manteve de pé, mesmo com os joelhos bambos. Estavam agora numa área onde o silêncio era mais ameaçador que barulho. Apenas o som de passos ao longe, uma moto passando devagar, e uma música baixa vindo de alguma casa improvisada mais à frente. O cheiro de maconha no ar era forte, misturado com fumaça e a tensão quase palpável que circulava no ambiente.

— Tá aqui a garota! — disse o homem, empurrando Ritinha na direção de outro sujeito, que se virou lentamente para encará-la.

Sabiá.

Ele estava parado na entrada de um barraco de madeira, com o peito nu e uma arma presa à cintura. O olhar dele era frio, cruel, calculado — e quando bateu em Ritinha, percorreu cada centímetro do corpo dela como se estivesse medindo o valor de uma ameaça.

— Então é você... — ele disse com voz baixa, quase debochada. — A esposa daquele policialzinho enxerido?

Ritinha sentiu o estômago revirar. Ela tentou falar, tentou dizer qualquer coisa, mas os lábios tremiam tanto que nenhuma palavra saiu. O queixo batia, o choro apertava a garganta, e seu corpo inteiro parecia prestes a desabar. As mãos trêmulas, o coração descompassado, a visão embaçada pelas lágrimas.

𝐌𝐄𝐑𝐌𝐀𝐈𝐃 | 𝑹𝒊𝒕𝒊𝒏𝒉𝒂 / 𝓐 𝓯𝓸𝓻𝓬𝓪 𝓭𝓸 𝓺𝓾𝓮𝓻𝓮𝓻Onde histórias criam vida. Descubra agora