Capítulo 26

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A SALA ESTAVA ENVOLTA POR UMA PENUMBRA CONFORTÁVEL, ILUMINADA APENAS PELA LUZ AZULADA DA TELEVISÃO. O SOM DO FILME PREENCHIA O AMBIENTE COM DIÁLOGOS LEVES E TRILHA SUAVE, CRIANDO UMA BOLHA DE CALMA AO REDOR DOS DOIS.

Ritinha estava jogada no sofá como quem não tem pressa de nada — o corpo mole, relaxado, com a cabeça repousando no ombro de Marcos. Ele estava com o braço estendido por trás dela, quase como se a envolvesse, os dedos distraidamente percorrendo os fios úmidos do cabelo da esposa, que ainda exalava o perfume doce e exótico do banho de cheiro. A respiração dos dois seguia compassada, num ritmo íntimo e familiar, como se naquele momento só existisse o sofá, o filme e a companhia um do outro.

Então, do nada, a tela piscou. Um bip estridente ecoou na sala. Aquele som frio, urgente, cortando o ar como uma navalha. A vinheta do plantão invadiu o espaço com seu tom grave, quase solene, como o prenúncio de algo que ninguém gostaria de ouvir. Marcos reagiu de imediato — como se o próprio corpo soubesse, antes mesmo da mente compreender.

Ritinha sentiu a ausência do toque e abriu os olhos, confusa. Levantou um pouco a cabeça, encarando a televisão, e então viu o rosto de Rubinho estampado na tela junto às palavras em letras garrafais. O coração disparou. Uma tensão invisível tomou o lugar da paz de minutos atrás, como se a sala tivesse sido invadida por um vento gelado.

Marcos já estava de pé. A respiração ofegante, os punhos cerrados ao lado do corpo, os olhos fixos na tela. O maxilar travado denunciava o esforço para conter a raiva ou o instinto. Caminhou até a frente da televisão sem nem perceber, como se quisesse ter certeza do que acabara de ouvir, como se o corpo inteiro estivesse em estado de alerta. Cada músculo tenso, cada gesto controlado por um impulso silencioso e sombrio.

O silêncio que pairava na sala foi rompido bruscamente pela voz de Marcos, que explodiu com uma raiva contida, os olhos ainda fixos na televisão onde o plantão havia acabado de anunciar a fuga.

— Eu não acredito que esse desgraçado fugiu! — ele disse, a voz grave, tensa, carregada de indignação.

Marcos passava as mãos pela cabeça, andando de um lado pro outro, com o maxilar travado e os olhos ardendo em fúria. O nome Rubinho parecia ser um gatilho direto no seu instinto — não era só mais um criminoso foragido, era alguém que ele conhecia, que ele havia algemado, enfrentado, combatido.

Joyce levou a mão ao peito num gesto instintivo, como se tentasse conter uma arritmia provocada por algo que ia além do medo.

— Tanto preso pra fugir... tinha que ser justo esse! — disse ela, ofegante, a voz trêmula, como se estivesse tentando convencer a si mesma de que aquilo era apenas uma coincidência. — Eu tenho um trem ruim com esse homem...

Ela sentia algo na pele, uma inquietação inexplicável. Era como se o corpo falasse antes da razão. Olhou para o filho com um aperto no coração, como se quisesse protegê-lo de algo que nem ela sabia explicar.

𝐌𝐄𝐑𝐌𝐀𝐈𝐃 | 𝑹𝒊𝒕𝒊𝒏𝒉𝒂 / 𝓐 𝓯𝓸𝓻𝓬𝓪 𝓭𝓸 𝓺𝓾𝓮𝓻𝓮𝓻Onde histórias criam vida. Descubra agora