39. Piadas

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Peter não estava pronto para conversar sobre o ocorrido, mas mesmo assim ele disse para May o que havia acontecido. E aquilo foi muito para ela raciocinar. A dupla personalidade de Harry Osborn, a tentativa dele de matar Peter, os amigos e o namorado do sobrinho. Aí teve a decisão impulsiva de Peter sobre a vida de uma pessoa, e a quase tentativa de assassinar alguém. Então veio Wade e o fez no seu lugar, e agora, ele estava preso no limbo da vida e da morte sendo corroído por duas doenças letais.

Peter explicou sobre a imortalidade de Wade, ocultando o fato da paixão dele pela morte. Por Deus, Peter não conseguia falar sobre aquilo, dizer em voz alta que o seu namorado desejava a Morte, não apenas como um estado, mas como um indivíduo, iria deixá-lo em pedaços. Ele nunca seria capaz de dizer aquilo.

May quis visitar Wade, e Peter a levou até o quarto dele, mostrando a ela a imagem pálida, ferida, doente e desacordada do namorado. Aquilo fez com que May precisasse segurar o choro. Como se não bastasse Wade ter o corpo repleto de cicatrizes, agora ele estava completamente ferido, uma nova vez, e dessa vez era de dentro para fora. Ela conhecia a hiperplasia retroviral, ela já havia ouvido alguns médicos comentando sobre o caso dos Orsborn, era uma doença cruel, progressiva, crônica e letal. E não o bastante, ainda havia o câncer em situação de metástase. Era como se Wade tivesse inúmeras sanguessugas doentes espalhadas pelo corpo, que sugava toda a energia e nutrientes do seu organismo, e deixava parasitas doentes pela sua corrente sanguínea, para contaminar e destruir o pouco que lhe restava de vida.

Enxugando as lágrimas, May se aproximou do corpo desacordado de Wade, a fim de alcançar a sua mão e afagá-la, como se aquilo pudesse lhe trazer algum conforto. A sua ação despertou o homem, que abriu os olhos em busca daquele toque gentil. Mas antes que pudesse dizer algo, uma crise forte de tosse o pegou desprevenido. Precisou alcançar os lenços ao lado da cama para cobrir a boca, impedindo de sujar os lençois com o sangue que saia da sua garganta.

Os Parkers assistiram com tristeza Wade acabar de se limpar, deixando os lenços ensanguentados na lixeira ao lado da cama.

Sabe, — Wade aclarou a garganta, corrigindo a voz rouca e sorriu: — antes eu tossia piadinhas. Agora é sangue. Temos um progresso?

Wade bem que tentou, mas nenhum deles riu. Mas ele não desistiu:

— Como diz o palhaço da concorrência: "Por que estão tão sério?" Não precisam ficar preocupados, isso é só o meu corpo ensaiando pro papel de cadáver pra peça da escola.

Wade aumentou mais o sorriso, esperando algum deles o acompanhar. Mas ao invés disso, recebeu um olhar recriminatório do namorado, o fazendo murchar.

— Porra, tô tentando ser alguém engraçado aqui. — Wade resmungou, fazendo Peter suspirar e se aproximar.

— Eu adoro quando você é engraçado sem fazer piadas autodepreciativas. — Peter disse, beijando a têmpora do namorado, que fechou os olhos com o carinho.

— Eu tô ferrado então, porque o meu acervo de piadinhas conta com Wade Wilson como inspiração.

Peter fez uma cara brava, e segurou o rosto do namorado para lhe dar uma mordida leve na bochecha.

— Não me faça te morder outra vez!

— Espera, você está me recriminando ou me incentivando? — Wade levantou a sobrancelha. — Porque pra mim isso foi um puta de um incentivo.

Peter riu de leve.

— Tudo para você parar com as piadinhas.

— Ta boom, menos piadinhas autodepreciativas, e mais mordidas.

May sorriu de leve, assistindo como Peter e Wade interagiam bem, mesmo com toda a situação que os envolviam. Observou eles sorrirem, os olhos apaixonados brilhando, como se estivessem se segurando para não continuar flertando. May suspirou com a nostalgia que sentiu no peito de quando ela e Ben eram jovens e apaixonados. O amor sempre era uma coisa bonita quando verdadeiro, e mesmo em momentos turbulentos como aquele que viviam, ele continuava sendo norteador.

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