44. Julgamento

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Peter acordou assustado de outro pesadelo, onde o julgavam e o recriminavam de suas ações. Passou a mão pela testa, recolhendo o suor da febre e desceu o punho para seus olhos, enxugando as lágrimas. Fungou de leve, sentindo uma presença silenciosa na sala, e ao levantar os olhos, contemplou a imagem de tia May, que o assistia com uma expressão neutra.

O coração de Peter acelerou como o de uma criança que foi pega no flagra depois de cometer um erro.

— Tia... tia May. — Peter se sentou devagar, e voltou a olhar para a tia, que ainda o olhava com um olhar sério. — Eu... eu sinto muito, eu...

— Peter. — não existia conforto na voz de May. — O que aconteceu?

Peter quis chorar ao ouvir aquela pergunta naquele tom impassível. Ela não estava ali para confortá-lo, ela estava ali para recriminá-lo se fosse necessário.

— Tia May, eu... foi um acidente. Eu não queria. Eu juro, eu não...

— Não foi o que eu perguntei, Peter. O que aconteceu?

O corpo de Peter voltou a tremer com a ansiedade.

— Tia May, o Wade me deixou. Ele não deixou nenhuma explicação, ele só deixou um bilhete idiota e a aliança. — Peter disse olhando os dedos trêmulos. — E quando eu estava tentando absorver isso, o Lápide surgiu. Foi ele quem destruiu o meu braço na última vez. Ele foi o responsável por explodir o Matthew e a Jéssica, você lembra que ele precisou de uma cirurgia?

— E então você matou ele? — May perguntou num tom julgador.

— Não! Não, tia May, eu não fui e matei ele. Você precisa acreditar em mim, ele me ameaçou, ameaçou o Wade. Então eu tentei deter ele, só isso. Ele fugiu da prisão e estava lá, e eu só... só machuquei ele. Eu não sabia que ele estava mais frágil do que antes, eu vi o Wade se quebrar todo só por tentar socar ele! Eu não sabia que eu ia matar ele com um soco!!

Tia May assistiu Peter chorar, desesperado. E aquilo fez ela derramar lágrimas também.

Peter... você cruzou uma linha que não deveria ter cruzado. — tia May disse com a voz trêmula. — Eu não vou passar a mão na sua cabeça e dizer que está tudo bem.

Peter fechou os olhos, sentindo as lágrimas fugirem do seu controle.

— Eu sei, tia May. Eu não tive a intenção, mas isso não muda o que eu fiz.

— Você sabe o que o Ben te ensinou, Peter. A responsabilidade que você precisa ter com o seu poder. — doía em May ser rígida daquela forma, mas ela precisava. Ela precisava ter certeza de que Peter não voltaria a cometer aquele erro. — Você errou com ele, Peter.

As lágrimas de Peter se intensificaram ainda mais, e ele tampou os olhos e mordeu os lábios para não urrar com a dor no peito que sentiu.

— Eu entendo que foi um acidente, Peter... mas você não pode ser um assassino.

— Eu não... eu não quero ser um assassino, tia May. Eu nunca quis matar ninguém, eu nunca quis. Por favor, você tem que acreditar em mim.

May chorou ainda mais ao ver o sobrinho chorar daquela forma.

— O Matthew conversou comigo. A situação se enquadra como legítima defesa, mas isso aos olhos jurídicos.

Peter abriu os olhos, paralisado. E então desceu as mãos do rosto para olhar a tia nos olhos.

— E... nos seus olhos?

Tia May apertou a bolsa entre os dedos.

— Você precisa me provar que não é um assassino, Peter.

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