40. Amor

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Os dias se passaram e Wade seguia com a quimioterapia. Particularmente, ele não via razão em fazer aquilo, já que ia se recuperar em algum momento, mas ver como Peter estava sofrendo ao vê-lo perder para o câncer, o fez prosseguir o tratamento.

Como a condição de Wade era extremamente grave, o protocolo quimioterápico era rígido. Todo dia ele precisava tomar as malditas pílulas e sentir todo o seu corpo formigar e adormecer, além disso, duas vezes na semana a quimioterapia era injetável, e para completar, ele fazia radioterapia para controlar os tumores duas vezes semanalmente. Era uma droga, uma merda, simplesmente odiável, mas Wade fazia por Peter, se esforçando em não demonstrar como aquilo o desgraçava da cabeça.

Wade só teve um pedido para a equipe médica: desligar o monitor cardíaco e não contar para Peter quantas vezes ele morria. Como lidavam com uma situação completamente fora do normal, os médicos e enfermeiros aceitaram aquele pedido, afinal, solidarizaram com o casal, e sabiam que não atribuiria nada a Peter saber quantas vezes o monitor já havia parado. Já haviam perdido as contas de quantas vezes Wade fora empurrado da vida para o pós vida, para ser empurrado de volta novamente, sem nem fazerem uso do desfibrilador. E quando Parker questionou sobre a ausência do monitor, o médico apenas desconversou.

Era uma rotina exaustiva para qualquer pessoa. Mesmo que não estivesse sempre consciente do que acontecia, sabia que a manhã começava cedo com os seus medicamentos. A maioria era injetável: o opióide, antiemético, o antiinflamatório, o antibiótico e o quimioterápico, quando era dia. Mas depois ele precisava acordar para tomar o protetor estomacal, para comer alguma coisa e então tomar os remédios psiquiátricos, que mais uma vez Peter pediu para que fosse tratado. Se tratavam de antipsicóticos, antidepressivos e estabilizadores de humor.

Wade não sentia mais gosto de nada. Não sentia o sabor da comida, ou da vida. Por mais que tivesse o celular consigo, não havia nada que o entretesse. Wade passou a viver confinado em uma cama, esperando distrações como a presença de Neena, Weasel, Dopinder quando podia, Jéssica e até do Matthew, mas o seu único momento feliz era quando Peter aparecia a noite para acompanhá-lo no sono, sentado à poltrona.

Wade sabia que Peter sempre tentava o seu melhor para mantê-lo entretido. Levava suas HQs, escutavam música no fone de ouvido, assistiam filmes, e levava lanches para que comessem juntos, na tentativa de estimular o apetite de Wade. Naquela semana, Peter o presenteou uma nova vez com flores, o que deixaria Wade muito emocionado, se não fosse os efeitos fortes dos medicamentos psiquiátricos que o impedia de sentir suas emoções. Mas pelo menos o psiquiatra disse que isso seria apenas nos primeiros quinze dias, até que seu corpo se acostumasse.

Naquele noite, Peter apareceu sorridente. Na verdade, ele sempre estava sorridente, como se esforçasse em passar boas vibrações para Wade, mas naquele dia em específico, o sorriso parecia muito espontâneo, o que fez o namorado sorrir em companhia.

— Ei, que carinha boa é essa? — Wade disse assistindo o namorado deixar sua mochila na poltrona, enquanto se sentava devagar, animado com o bom humor do amado.

— Wade! — Peter sorriu ainda mais, se aproximando, e seus olhos brilharam no momento em que viu um curativo a menos no rosto do amado: a primeira ferida que apareceu no rosto de Wade havia se fechado! Apesar do seu ânimo, preferiu não comentar, para não fazer o namorado se lembrar da sua aparência machucada. — Você não vai acreditar!

— O quê? O quê? — Wade se remexia euforicamente na cama, com certo esforço. Estava sempre se esforçando em ocultar como o seu corpo estava em pedaços. — Não, espera aí, deixa eu adivinhar!

Peter se sentou na cama ao seu lado, como costumava a fazer, e juntou as mãos, tentando conter sua euforia.

— Você...! — Wade apontou para Peter. — Achou um ninho de aranhas!

Just a Habit - Spideypool Onde histórias criam vida. Descubra agora