55. Reatando

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Wade acordou de um desmaio de quatro segundos, com o seu corpo sendo arrastado por uma força conhecida. Ele abriu os olhos, e mesmo com tanto barulho à sua volta e tremores no chão, sabia que se tratava de Jéssica. Antes de dizer qualquer coisa, seus olhos captaram a imagem do prédio desabando por completo. Em cima de Peter.

Wade se levantou e começou a gritar pelo seu amado, tentando se soltar:

— NÃO, NÃO, MEU DEUS, PETER!!!! PETER!!!

Mas Jéssica o segurou, o impedindo. Ela parecia querer dizer algo, mas Wade não queria escutar:

— ME SOLTA, PORRA!!! — Wade gritou furioso, e aquilo enfureceu Jéssica, que o socou, desmaiando-o novamente.

Wade acordou depois de dez segundos, já mais distante do prédio. Havia pessoas ao redor, que assistiam o prédio residencial ruir. Jéssica ainda o segurava, visto que sabia que ele acordaria a qualquer instante e se debateria, coisa que ele fez no mesmo segundo. Desesperado, Wade se chacoalhou tentando se soltar, mas Jéssica era forte demais, fazendo com que ele parecesse apenas uma criança birrenta sendo segurada pela mãe.

— SUA FILHA DA PUTA, ME SOLTA, CARALHO!

— Fica quieto, seu cabeça oca!

Wade conseguiu se levantar, mas ainda assim era segurado por Jéssica, e depois de se debater por longos minutos, sem escolhas, suas pernas cederam, e ele caiu de joelhos enquanto assistia os dois últimos andares caírem por cima daquele grande entulho criado.

As lágrimas vieram quentes e incontroláveis, e Jéssica o soltou apenas quando o desabamento acabou e a poeira abaixou. Porque quando o fez, Wade caiu, já se levantando logo em seguida para correr até os entulhos, arrebentando as suas sandálias, para começar a tirar pedra por pedra, a fim de encontrar o corpo de Peter.

— PETER!!!!! — ele chamava, desesperado. A angústia entalava a sua garganta, e sua voz saía chorosa, mesmo que gritada, sem o seu controle. — PETER!!! PETER!!!

Wade pegava as pedras e as jogava para o lado, mas quando chegou nos grandes pedaços de concreto, forçava os dedos para segurá-los para tirá-los, entretanto, sequer conseguia os mover e apenas machucava seus dígitos, ralando-os inutilmente, enquanto quebrava as unhas e deixava o seu rastro de sangue no cimento.

Jéssica, vendo aquilo, suspirou e se aproximou.

— Dá licença, Wade. — ela disse, mas não o esperou, apenas o empurrou para trás, o fazendo voar para o chão. Ele sequer se importou, porque viu a mulher levantar o concreto, aquele mesmo que rasgou os seus dedos por causa do peso, com apenas uma mão, jogando-o para o lado.

Com cuidado, Jessica escolhia quais entulhos ela daria uma pancada com o dedo da mão em forma de peteleco para espatifar, e quais ela levantaria e jogaria ao término do entulho, a fim de abrir espaço para caminhar. E de pouco em pouco, ela conseguiu ir até o meio de tudo aquilo, onde estaria o seu objetivo.

— Luke?! — ela chamou. Wade vinha atrás, tentando ajudar como podia.

— Aqui! — o homem respondeu.

Aquilo fez o coração de Wade palpitar esperançoso.

Jéssica continuou com o seu trabalho, até chegar em um amontoado maior. Ela tomou mais cuidado e retirou as grandes partes de concreto, e até alguns móveis amassados e espatifados, até que as últimas pedras começaram a se mexer. Luke estava tentando se levantar, e Jones enfim conseguiu o ajudar.

O homem tinha o corpo de Peter nos braços. Pálido, frágil e desacordado. E o pior, com muito, muito sangue pelo corpo, manchando as roupas de Luke.

Wade correu até ele e com toda a delicadeza que podia ter, acariciou o rosto ferido de Peter. Suas mãos tremiam, como um reflexo do seu medo de constatar que ele estivesse... morto. Mas seus olhos flagraram o leve movimento da caixa torácica, ele estava respirando!!

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