34. Calmaria

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Na faculdade, Peter recebeu uma mensagem de Betty pedindo para que ele comparecesse ao Clarim Diário o quanto antes, e assim ele o fez, quando teve tempo.

Peter levou uma advertência no trabalho. Haviam boatos confirmados pelo corpo de bombeiros local que o Homem Aranha havia retornado, e até testemunhas oculares de sua pessoa passeando de teia com Deadpool nos braços. Tudo isso e não houve nenhuma foto para o Clarim Diário, que perdeu a oportunidade de anunciar o seu retorno, perdendo lucro, como se não fosse difícil o suficiente competir por novas manchetes com páginas aleatórias de fofocas no Instagram. Outro fotógrafo teve que ir até a cena onde havia acontecido a explosão e fotografar para noticiarem, mesmo que estivessem mais de doze horas atrasados.

Peter ficou chateado com a situação, ele realmente havia se esquecido do seu trabalho, e ele continuava em uma situação financeira onde não podia fazer isso. Por tanto, após frequentar as aulas da faculdade e estudar um pouco por fora, foi para a rua atrás de um pouco de ação com o seu traje e a sua câmera em mãos. Mas para a sua surpresa, a cidade estava quieta demais.

Fez algumas boas ações, como ajudar idosos a atravessar a rua, tirar gato de cima de árvore, até alcançar um cachorro em fuga e evitar atropelamento. Fotografou cada ação, mesmo sabendo que seriam fotos descartadas por Jonah Jameson, já que ele não gostava de publicar sobre o heroísmo do Homem Aranha. Suspirou, um pouco chateado pela falta de oportunidade, mas algo em suas entranhas dizia que aquilo era apenas uma calmaria pré-tempestade, afinal… de acordo com Wade, faltavam cinco dias para o encontro dos seus amigos com Harry Osborn.

Estava pensando no que faria, se chegaria lá desde o início sem dar a oportunidade para Harry fazer o seu teatro, ou se chegaria no meio da conversa, depois de assistir como ele tentaria manipular os seus amigos. Sim, manipular. Porque Peter sabia que Harry era um bom manipulador. Afinal, ele sempre foi alguém da alta sociedade, que tinha que manter as aparências. Ele sempre foi bom em sorrir quando não queria e em conquistar as pessoas usando o ponto fraco delas. Desde pequeno o viu fazer isso com outras crianças, e até mesmo professores. Harry sempre tinha o que queria, e sabia que não era algo difícil para ele conquistar os seus amigos, isso é, se Demolidor não usasse o seu radar.

Peter estava dividido sobre o que deveria pensar dessa situação. Por mais que tivesse demonstrado compreensão para com Wade, a verdade era que ele estava bem chateado pela intromissão do trio. Eles definitivamente não tinham o direito de vasculhar o seu passado daquela forma, e muito menos em interrogar o cara que estava mais do que óbvio que odiava. Sabia que não havia sido discreto no dia em que ouviu o nome dele e quebrou um copo por puro descontrole emocional. Eles souberam naquele instante que prosseguir com aquele plano era uma péssima ideia, e mesmo assim o fizeram. Se havia tanta curiosidade, era melhor só perguntar, por mais que não gostasse da ideia de ter que falar sobre isso. E mesmo assim, quem eles achavam que eram para investigá-lo sobre isso? O que eles tinham a ver com o seu passado? Para que eles queriam essa informação? Peter simplesmente não entendia, ele não saía futricando o passado de ninguém, então por que tinham que fazer isso com ele?

Interrogar Harry? O que eles iam ganhar com isso? Como eles podem preferir interrogar o cara errado da história, que eles nem mesmo conheciam, que estava até mesmo internado por insanidade, do que perguntar para o amigo? O que eles esperavam interrogando Harry? Que ele contasse a verdade, mas que se mostrasse arrependido, querendo voltar a amizade que tinham? Isso… isso não era possível. Não para Peter. Peter era um cara bom, mas ele não perdoaria Harry. Não depois do que ele fez.

Praticar o perdão era algo importante a se fazer, Peter sabia, sabia e fazia constantemente o seu melhor para fazê-lo no seu dia a dia. Mesmo que o machucassem, Peter era capaz de perdoar. Havia feito isso incontáveis vezes. Mas não com o Harry. Harry foi o seu melhor amigo de infância, era ele a quem Peter recorria quando queria uma companhia, ou quando precisava de ajuda. Ele era o seu confidente, quando os seus pais morreram, ele foi o seu único amigo a apoiá-lo. Mas quando lhe negou algo, a sua primeira reação foi puni-lo. Uma punição pesada demais para um amigo.

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