Era Natal. Peter e May tomavam café da manhã juntos, em uma energia acolhedora. Ela fazia um misto quente, enquanto o sobrinho já devorava o seu bolo.
— Onde você vai tão cedo desse jeito? — ela perguntou ao olhar o sobrinho bem agasalhado.
— Vou à missa com o Matt. Lá em Hell's Kitchen.
— Ele mora lá? — ela perguntou tirando o misto quente da misteira, para então se sentar em frente ao sobrinho.
— Sim.
— Vai de metrô ou teias?
Peter sorriu.
— Teias. Mais rápido e ainda mais econômico.
May sorriu também, e mordeu no misto quente.
— Acredito que você tenha o convidado para jantar conosco?
— Sim. Espero que não se importe...
— Imagina. O Matt é sempre muito bem vindo.
Peter ficou em silêncio, olhando disfarçadamente para a tia. Sentiu vontade de dizer o que tinha acontecido entre eles, mas estava com vergonha.
— Hmmm... acho que alguém quer me dizer alguma coisa. — May riu de leve ao ver a expressão do sobrinho de ser pego no flagra.
— Uhhhg, como você faz isso? — Peter perguntou envergonhado.
— Eu também tenho super poderes. — brincou. — Mas me conta. Tem a ver com ele, não tem?
Peter corou e olhou para baixo. Começou a desenhar a estampa do pano de mesa com o dedo.
— É. Tipo... — Peter lambeu os lábios e os apertou. — A gente...
— Vocês estão namorando?
Peter arregalou os olhos e ficou ainda mais vermelho.
— Não...! Não.
— Cedo ainda?
— Sim...
— Mas se beijaram?
Peter ficou em silêncio. Mas seu rosto quase roxo era como uma confirmação para May, que sorriu e cochichou:
— E foi bom?
Peter voltou a desenhar as formas geométricas do pano de mesa com o indicador. E então acenou positivo. May riu, se divertindo com a vergonha do sobrinho.
— Que bom, Peter. Fico feliz que você esteja indo bem.
Peter abaixou os olhos, e apertou as mãos, uma na outra, sentindo aquela costumeira culpa voltar a se instalar no peito. A culpa de seguir a vida sem o Wade. Ele sentiu isso também depois que perdeu Gwen... parecia algo normal a se sentir. Normal, mas não fácil.
May percebeu na hora a mudança no semblante dele. O sorriso tímido desapareceu, e os olhos que antes brilhavam com um traço de alegria agora estavam carregados de peso e dúvida. Ela largou o misto quente no prato e estendeu a mão, cobrindo a de Peter sobre a mesa..
— Peter... — chamou com a voz suave, como quem escolhia cada palavra com cuidado. — Eu sei o que você está sentindo. A gente aprende a reconhecer esse olhar, sabe? Esse medo... essa culpa de seguir em frente... de ser feliz de novo.
Peter mordeu o lábio, lutando para não desabar ali mesmo.
— Mas deixa eu te contar uma coisa que eu aprendi depois de muitos anos cuidando de você... — ela sorriu de leve, com aquele olhar cheio de amor que só a May tinha. — Corações como o seu... eles não nascem para ficar sozinhos.
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Just a Habit - Spideypool
Romance- "Apenas um hábito" - O Espetacular Homem Aranha ganha um novo stalker, extremamente pervertido por sinal, e seus dias "costumeiros" vão por água à baixo. De início a companhia do seu perseguidor mostra-se bastante incomoda, mas, aos poucos, o heró...
