46. Natal

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Era Natal. Peter e May tomavam café da manhã juntos, em uma energia acolhedora. Ela fazia um misto quente, enquanto o sobrinho já devorava o seu bolo.

— Onde você vai tão cedo desse jeito? — ela perguntou ao olhar o sobrinho bem agasalhado.

— Vou à missa com o Matt. Lá em Hell's Kitchen.

— Ele mora lá? — ela perguntou tirando o misto quente da misteira, para então se sentar em frente ao sobrinho.

— Sim.

— Vai de metrô ou teias?

Peter sorriu.

— Teias. Mais rápido e ainda mais econômico.

May sorriu também, e mordeu no misto quente.

— Acredito que você tenha o convidado para jantar conosco?

— Sim. Espero que não se importe...

— Imagina. O Matt é sempre muito bem vindo.

Peter ficou em silêncio, olhando disfarçadamente para a tia. Sentiu vontade de dizer o que tinha acontecido entre eles, mas estava com vergonha.

— Hmmm... acho que alguém quer me dizer alguma coisa. — May riu de leve ao ver a expressão do sobrinho de ser pego no flagra.

— Uhhhg, como você faz isso? — Peter perguntou envergonhado.

— Eu também tenho super poderes. — brincou. — Mas me conta. Tem a ver com ele, não tem?

Peter corou e olhou para baixo. Começou a desenhar a estampa do pano de mesa com o dedo.

— É. Tipo... — Peter lambeu os lábios e os apertou. — A gente...

— Vocês estão namorando?

Peter arregalou os olhos e ficou ainda mais vermelho.

— Não...! Não.

— Cedo ainda?

— Sim...

— Mas se beijaram?

Peter ficou em silêncio. Mas seu rosto quase roxo era como uma confirmação para May, que sorriu e cochichou:

E foi bom?

Peter voltou a desenhar as formas geométricas do pano de mesa com o indicador. E então acenou positivo. May riu, se divertindo com a vergonha do sobrinho.

— Que bom, Peter. Fico feliz que você esteja indo bem.

Peter abaixou os olhos, e apertou as mãos, uma na outra, sentindo aquela costumeira culpa voltar a se instalar no peito. A culpa de seguir a vida sem o Wade. Ele sentiu isso também depois que perdeu Gwen... parecia algo normal a se sentir. Normal, mas não fácil.

May percebeu na hora a mudança no semblante dele. O sorriso tímido desapareceu, e os olhos que antes brilhavam com um traço de alegria agora estavam carregados de peso e dúvida. Ela largou o misto quente no prato e estendeu a mão, cobrindo a de Peter sobre a mesa..

— Peter... — chamou com a voz suave, como quem escolhia cada palavra com cuidado. — Eu sei o que você está sentindo. A gente aprende a reconhecer esse olhar, sabe? Esse medo... essa culpa de seguir em frente... de ser feliz de novo.

Peter mordeu o lábio, lutando para não desabar ali mesmo.

— Mas deixa eu te contar uma coisa que eu aprendi depois de muitos anos cuidando de você... — ela sorriu de leve, com aquele olhar cheio de amor que só a May tinha. — Corações como o seu... eles não nascem para ficar sozinhos.

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