30. Instabilidade

127 18 93
                                        

Quando Peter deu falta de Wade, já era tarde demais.

Peter entrou em seu quarto e notou as roupas que ele vestira espalhadas no chão, como um resquício de uma mudança abrupta de planos. Outra vez a Aranha o alertou, e a primeira coisa que passou por sua cabeça foi a quantidade de tempo em que Wade Wilson havia deixado de dormir, e isso foi o suficiente para fazê-lo se arrepender do que havia falado para ele, ou pelo menos, de como falou. Tinha sido apenas uma provocação com um fundinho de verdade, mas jamais pensou que poderia tomar um rumo como aquele.

May Parker reconheceu algo errado assim que viu o seu sobrinho descer as escadas novamente, agora, com um olhar culpado no rosto. Quando o questionou, Peter abriu o jogo, contando o seu infeliz confronto sobre o seu relacionamento.

- Mas você não fez errado em cobrar um pedido. - May tentou o consolar.

Mas Peter sabia que tinha errado o momento e a maneira de fazer isso.

- Eu- Eu sei tia May, mas sabe, é o Wade. - Peter coçou a testa. - Eu preciso ter mais tato quando eu for falar com ele sobre coisas sérias, principalmente quando... quando ele não tá bem.

- E por que ele não estaria bem?

Peter olhou a tia e suspirou.

- Ele é imortal, mas isso não quer dizer que ele não sofra.

May levantou uma sobrancelha, esperando a explicação, enquanto ainda costurava o traje do sobrinho.

- Tia May, tipo, tem semanas que ele não dorme por minha causa. E eu sei lá como estava o sono dele antes disso, e... eu não sei se te contei, mas ele é esquizofrênico.

Dessa vez, foram ambas as sobrancelhas de May que se levantaram, junto com os seus orbes para mirar o sobrinho.

- Isso é mal. - ela deduziu.

- Muito. - Peter se sentou e pegou o telefone, discando o número de Wade. Caixa postal. - Foi tão difícil endireitar ele, tia May. Em fazer ele parar de matar. Eu temo que desfazer o nosso avanço seja muito mais fácil do que eu possa imaginar.

May arregalou os olhos com a palavra "matar", mas tentou deixar esse tópico de lado, considerando que Deadpool tinha cara sim de fazer esse tipo de atrocidade. Ouviu o sobrinho suspirar, e retomou a sua atenção nele ao vê-lo apertar as têmporas e fechar os olhos para continuar a desabafar:

- Isso não é só um problema de relacionamento. E se eu tiver que passar por isso sempre que tivermos um impasse?

May ficou em silêncio por um instante, enquanto pensava. Aquilo poderia tomar uma proporção muito maior. Se algo acontecesse, Peter poderia se culpar eternamente.

- Peter. - May crispou os lábios enquanto pensava. - Talvez você tenha que procurar por ele.

Peter levantou os olhos cansados para a tia e suspirou. Mas antes que se levantasse, ela continuou:

- Mas talvez você devesse confiar nele um pouco mais também. - eles se encararam por um momento, até a tia voltar a costurar o traje. - Eu não sei, eu sinto isso. Wade pareceu se esforçar muito para te conquistar, considerando que ele teve que parar de fazer uma coisa que aparentemente ele costumava fazer muito. - ela sorriu de lado, voltando a atenção ao traje, os olhos por baixo dos óculos de leitura. - Talvez a sanidade restante dele seja o suficiente para não se esquecer disso. De que houve muito esforço para ser jogado fora tão fácil assim.

Peter levantou as sobrancelhas, franzindo a testa.

- Poxa... isso... seria ótimo. - ele disse com um pouco de esperança florescendo no peito. - Wade me provou de muitas formas que eu posso confiar nele. Seria ótimo se isso se aplicasse até mesmo em momentos onde ele não está tão são.

Just a Habit - Spideypool Onde histórias criam vida. Descubra agora