O céu estava nublado, carregado de um cinza que parecia pesar sobre os ombros de todos os presentes, o vento frio cortava a pele, mas como o tempo marcava neve, todos estavam bem protegidos e agasalhados naquela pequena multidão que se reuniu ao redor do caixão simples, coberto por flores brancas.
Ao longe havia repórteres, que eram mantidos atrás de barreiras pela polícia, mesmo assim os flashes de câmeras podiam ser vistos no fundo, como um lembrete cruel de que, agora, a vida de Peter Parker era pública até na sua dor.
Convidado por Matthew, o Padre Lantom, vestindo sua batina preta e com a voz grave, começou a cerimônia. Sua fala era mansa, mas carregada de uma seriedade palpável.
— May Parker foi mais do que uma cidadã desta comunidade. Ela foi um símbolo de bondade, de cuidado... um farol para aqueles que precisavam de orientação, mesmo quando ela mesma enfrentava suas próprias dificuldades. — ele olhou para Peter com um olhar cheio de compreensão. — Ela acreditava no bem das pessoas. Mesmo nas que estavam quebradas... ou que achavam que estavam além da salvação.
Os olhos de Peter estavam fixos no chão, tinha as mãos trêmulas, sentia o frio que subia pelas pernas, mas a voz de Lantom parecia cortar direto o centro de seu peito.
— Há perdas que não conseguimos explicar. Há injustiças que parecem rasgar o mundo que conhecemos. E nessas horas... o luto nos sufoca, nos faz questionar... — ele respirou fundo. — Mas também nos obriga a lembrar que os vivos têm uma escolha. Podemos carregar essa dor... ou podemos transformá-la.
Os olhos de Peter se fecharam com força. O ar parecia lhe faltar.
— O ódio é uma corrente pesada. Difícil de soltar, tentadora de carregar. Mas ela não é o legado que May Parker deixaria. — ele fez uma pausa, voltando a olhar para Peter. — E se ela pudesse falar agora... eu acredito, com toda a minha fé, que ela só pediria uma coisa: "Continue. Continue sendo você."
O padre fez o sinal da cruz, e as pessoas começaram a se dispersar. Familiares distantes, vizinhos, pessoas do hospital em que ela trabalhava, alguns professores da escola onde Peter estudou quando mais novo, e os amigos dele, como Jéssica e Neena. Pouco a pouco, todos se foram, restando apenas Peter e Matthew, os dois em silêncio. Matt ouvia o coração acelerado de Peter, era a mesma frequência que ele tinha quando correu até o corpo falecido em desespero. Ele revivia a cena em suas lembranças mais uma vez.
Matthew se aproximou e abraçou Peter outra vez, na tentativa de tirá-lo daqueles pensamentos, abraço esse que não foi correspondido.
— Eu... quero ficar sozinho. — Peter disse, com a voz quebrada.
— Não, Peter. — Matt disse. — Você não quer, não tem porquê mentir pra mim, não tem porquê ficar sozinho.
Então Peter cedeu, abraçou Matthew e chorou.
Peter Parker. Perdeu os pais, o tio, a namorada, o melhor amigo, o namorado e agora a tia. Todos por causa da morte. Que criatura rude e gananciosa.
Apertou mais o corpo de Matthew nos braços, sem se importar de molhar o casaco dele com lágrimas. Ele estava tão quentinho, e era bom estar entre aqueles braços, debaixo daquele carinho. Mas Peter precisava admitir. Aquilo não o deixava seguro, não era tão confortável quanto as memórias que tinha quando estava no abraço de Wade.
Um soluço mais alto, uma vontade alucinante de gritar.
Wade havia o deixado, seja onde for que ele estivesse, ele não estava acompanhando as notícias. Não viu a exposição de sua identidade, a sua responsabilidade pela morte de alguém, não viu nada sobre o julgamento, e agora... ele não viu que tia May havia partido. Ou ele não viu, ou ele ignorou isso tudo. E só de pensar na possibilidade de Wade ser indiferente ao seu sofrimento, fez a sua dor aumentar ainda mais.
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Just a Habit - Spideypool
Storie d'amore- "Apenas um hábito" - O Espetacular Homem Aranha ganha um novo stalker, extremamente pervertido por sinal, e seus dias "costumeiros" vão por água à baixo. De início a companhia do seu perseguidor mostra-se bastante incomoda, mas, aos poucos, o heró...
