27. Amadurecimento

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O cansaço foi o bastante para sobressair o seu fator de cura, mas, por mais que sentisse seus músculos queimarem pelo seu esforço em excesso, Deadpool estava destinado a não parar. Não dormia, não descansava, não comia, nem bebia. Teria acontecido o estopim caso tratasse de qualquer outra pessoa, e eram nesses momentos os quais Wade se aliviava por ser uma máquina de guerra. Naquele instante, a sua única batalha se resumia a achar Peter Parker.

Não sabia por quanto tempo se dedicava naquela luta, mas pelas vezes em que viu o sol nascer, sabia que haviam se passado em torno de duas semanas.

Os olhos pesavam, as vozes gritavam, a sua instabilidade estava tão forte quanto nunca, no entanto, aquela era a primeira vez que Wade Winston Wilson pensava com a agilidade de três: as vozes estavam do seu lado.

Os dedos calejados denunciavam a falha no fator de cura. Tremiam pela força incessável de segurar as katanas em suas disputas. O cheiro de sangue na sua roupa não alcançava mais as suas narinas porque já havia se acostumado, assim como a dor dos cortes que demoravam a se fechar não alcançava o seu consciente. Wade Wilson só pensava em uma coisa: no seu amado.

Aos olhos de Nova York, Manhattan, Queens e Brooklyn estavam sob a supervisão constante de duas mulheres duras na queda, uma com sua super força, e outra que apesar de aparentar despreparo, magicamente tudo em sua frente se encaixava; além delas, também havia Demolidor que voltou a ativa, e Deadpool que preferia agir nos lugares mais perigosos. Graças às ações do último, os índices do narcotráfico e de assassinatos da cidade estavam despencado; não sabiam o porquê das ações repentinas do mercenário, mas parecia como um predador faminto e sem descanso, tanto ele quanto os policiais que eram reportados pelos cidadãos por verem pessoas desmaiadas em lugares perigosos. Apesar de tudo isso, as maiores surpresas eram: a aposentadoria do assassinato por parte do anti-herói, e da licença contínua do Homem Aranha. Nenhum dos indivíduos que ajudavam a cuidar de Nova York estavam dispostos a responder as perguntas sobre o desaparecimento do aranha.

Deadpool sentiu uma presença repentina atrás de si, e a perturbação do seu consciente o fez sacar a Desert Eagle e apontá-la em direção à cabeça do indivíduo, mesmo que estivesse há mais de dez metros de distância e sobre um prédio.

— Sou eu. Abaixa a arma. — a voz era familiar, mas Wade não conseguiu reconhecer.

— Eu quem? Eu tô aqui, não tem mais de um eu nesse universo sem eu saber. — respondeu rápido, estreitando os olhos para enxergar algo no meio da penumbra.

— Demolidor. — respondeu simples, se aproximando. O outro abaixou a arma. — Tentei ligar, mas seu celular continua desligado.

— Ah, é. — balbuciou, guardando a arma no coldre. — Tô meio sem tempo pra carregar.

— Tô vendo.

— Na verdade não tá não. — respondeu rápido, fazendo Matthew dar um curto sorriso enquanto descia do prédio pelas escadas de incêndio.

— Pelo menos o senso de humor ainda tá vivo.

Wade apenas suspirou, abaixando a cabeça. Aquilo não era nada comparado ao seu talento humorístico, estava mais para resposta automática programada por um porco. Talvez a falta de sono esteja interferindo na criação de piadas, e até mesmo no seu orgulho ao notar que sua comédia estava pior que os filmes do Adam Sandler. Nem mesmo as vozes estão muito criativas. Não notou quando Matthew chegou à sua frente, apenas percebeu que ele segurava uma sacola.

— Chimichangas. — explicou simples, fazendo Wade sorrir fraco.

— Valeu, cara. — pegou a sacola. — Investiu bem.

— Se fosse qualquer outra coisa você ia recusar.

Deadpool suspirou, e ambos se aproximaram do edifício ao lado para se encostarem. Em silêncio, Wade abriu a sacola e sentiu sua barriga roncar em agradecimento, mas precisou se forçar a comer. O apetite havia o abandonado desde o dia em que assistiu aquele homem desgraçado carregar Peter para longe de si.

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