A luz suave do entardecer atravessou a cortina branca do quarto de hospital, projetando sombras calmas sobre as paredes estéreis. Wade estava deitado, com os olhos semicerrados, acordado, mas fraco. Matthew entrou silenciosamente, vestido com o terno amassado do tribunal, e se sentou na cadeira ao lado da cama, apoiando o bastão no colo, um pouco cansado. Ficou em silêncio por alguns segundos, apenas curtindo um dos poucos momentos de tranquilidade que existia ao lado de Wade Wilson.
— Você é bom em dar trabalho pra todo mundo. — Matt sorriu de lado. — Inclusive no tribunal.
Wade virou a cabeça devagar, um leve sorriso quebrado nos lábios.
— Você sabe como animar um doente terminal, Murdock.
— Você não é terminal. É teimoso demais pra isso. — Matt deu uma pequena pausa. — O seu julgamento finalmente aconteceu hoje.
Wade piscou lentamente, atento. Ele não era alguém que se preocupava com leis, visto que sempre tinha dinheiro para pagar pela sua liberdade, mas estava curioso sobre o trabalho do amigo. Matthew endireitou a postura, mantendo o tom baixo e estável:
— A promotoria tentou te pintar como um psicopata instável. Convenhamos... não foi tão difícil. Você realmente é um pesadelo jurídico.
Wade deixou escapar um som abafado que poderia ser uma risada, ou apenas falta de ar.
— Culpado com estilo, então?
Matthew sorriu de lado:
— Não exatamente. Eu mostrei o vídeo da Jéssica, onde o Harry acaba com você. Então ela depôs, disse que, se não fosse você, estaríamos todos mortos. Peter também alegou que você o salvou.
Wade fechou os olhos e engoliu em seco:
— E...?
— Você foi absolvido por legítima defesa.
Silêncio.
Wade virou lentamente o rosto para a janela, tentando disfarçar a emoção, sem sucesso.
— Eu matei ele, Matt. Antigamente eu estaria cagando e andando pra isso, mas não mais. Eu prometi pro Peter não matar mais, e mesmo assim... eu tirei mais uma vida.
— Você também salvou três, inclusive a minha. Quatro se contarmos com a tia May, que poderia ter sido um alvo futuro. A corte viu isso, e eu também.
Wade mordeu levemente o lábio inferior.
— Eu achei que você também fosse contra mortes.
— E sou, mas reconheço quando as coisas saem do controle.
Eles ficaram em silêncio por mais alguns instantes, até Wade descontrair:
— Você vai me mandar a conta do advogado? Porque no momento, eu só tenho cupons de chimichanga.
Matthew riu, levemente aliviado:
— Anota no débito cármico. A gente ajusta depois.
Wade assentiu com um meio sorriso, mas logo voltou a encarar o teto, mais sério.
— Eu achava que você me odiasse. Você sabe... por namorar o cara que você gosta.
Matthew ficou em silêncio. Wade Wilson era sempre muito direto, e aquilo era desconcertante.
— Eu não odeio você. Nós somos amigos, os agentes escarlates secretos.
Wade sorriu, e Matthew continuou:
— Eu só... — suspirou. — O coração é um fardo pesado, Wade.
Wade olhou para Matthew.
— O Peter conversou com você, não conversou? Eu sei que você falou alguma coisa pra ajudar ele a se organizar antes de vir conversar comigo.
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Just a Habit - Spideypool
Romance- "Apenas um hábito" - O Espetacular Homem Aranha ganha um novo stalker, extremamente pervertido por sinal, e seus dias "costumeiros" vão por água à baixo. De início a companhia do seu perseguidor mostra-se bastante incomoda, mas, aos poucos, o heró...
