O hospital se aproximava como um gigante silencioso, imóvel e inevitável. Peter o encarava da calçada oposta, com as mãos nos bolsos do moletom e o capuz tapando parte do rosto, como se pudesse se esconder da própria vida. O ar estava pesado, úmido, como se a cidade soubesse o que se passava dentro dele. O mundo seguia, os carros passavam, as pessoas falavam ao celular, mas dentro de Peter havia um campo de batalha silencioso, e nenhuma dessas pessoas saberia dizer o que estava em jogo.
Por mais que tivesse conversado com Matthew, a verdade era que Peter estava com medo. Não era apenas de Wade morrendo, havia também outra coisa mais íntima, mais desesperadora. Peter estava com medo de olhar Wade nos olhos e não conseguir mais amá-lo do mesmo jeito. Com medo de que, diante de toda a dor, o carinho tivesse se tornado um peso. Medo de perceber que o perdão não seria suficiente. Medo de dizer que "acabou".
E isso ele não sabia se conseguiria fazer isso sem se quebrar de vez.
Peter sempre foi o cara que tentou salvar todo mundo. O que segurava o mundo nos ombros, mesmo quando ele ruía. Mas agora, era o próprio coração que estava em ruínas, rachado entre o amor que ainda sentia por Wade, e a promessa que Wade quebrou. Entre o toque doce que eles compartilhavam, e o sangue que agora interpôs entre os dois.
Harry estava morto; Peter quase o matou, mas Wade o fez por ele, sem permissão. Sem volta.
A mão de Peter tremia. Não sabia se aguentaria ver Wade preso a uma cama de hospital, com o corpo corroído e a mente frágil. Não sabia se conseguiria encarar a parte dele que ainda queria correr para aquele quarto e dizer que ficaria com ele independente do que acontecesse.
Mas isso seria justo?
Peter não queria dar esperança, se no fundo achasse que os dois não tinham mais futuro.
Respirou fundo, porque não seria um covarde, visto que Wade merecia, ao menos, que ele fosse honesto. E porque, mesmo agora, ferido, Peter ainda o amava.
Não sabia o que diria, nem sabia se ficaria. Mas ele daria aquele passo por Wade e por ele mesmo. Naquele dia, no fundo, ele sabia que precisava ver Wade. Não para encontrar respostas, mas para entender as perguntas certas.
E quando atravessou a rua e passou pelas portas do hospital, o coração martelando no peito, Peter só tinha certeza de uma coisa: ele precisava olhar Wade nos olhos e ver, com todas as dores e consequências, o que restava entre eles.
O corredor do hospital parecia mais longo do que todos os que Peter já havia enfrentado, não por seus metros, mas pela densidade do que esperava no fim dele. Cada passo era um soco mudo no peito.
Wade estava lá dentro. Wade, que prometeu. Wade, que matou. Wade, que estava morrendo.
Quando Peter entrou no quarto, o mundo pareceu diminuir em silêncio absoluto. O zumbido do monitor cardíaco era o único som contínuo, pontuado pelo sussurro dos aparelhos que tentavam manter alguma estabilidade num corpo que parecia desistir. E ali, no centro de tudo, estava ele, Wade Wilson, ou o que restava dele.
O câncer, que antes parecia um inimigo adormecido, havia despertado com fúria, empurrado pela hiperplasia viral que Harry havia injetado antes de morrer. Wade estava pálido como a parede ao fundo, a pele cheia de bandagens e curativos, tapando o que seriam as feridas causadas pelas doenças. Os olhos, semicerrados, se moviam frenéticos em sonhos febris, como se fosse atormentado pela sua mente até mesmo na sua inconsciência.
O coração de Peter falhou quando notou que Wade estava preso na cama do hospital com amarras de couro. Haviam duas em cada pulso, outra em seu peito e ombros, e provavelmente nos pés também, por baixo do cobertor. Aquilo fez Peter questionar sobre o comportamento de Wade, ele estava agressivo, ou queria fugir dali? Não importava a resposta, Peter simplesmente não suportava a ideia do seu namorado ser preso daquela forma. Se fosse para contê-lo, ele faria isso com suas próprias mãos. Assim, se aproximou para desfazer todas as amarras, notando como elas estavam apertadas e marcando a pele machucada. No mesmo instante em que livrou as mãos de Wade, elas se moveram até a cabeça e Peter notou a sua brutalidade quando foi direto com as unhas na pele. Antes que Wade se arranhasse, Peter o impediu, segurando as mãos e puxando-as. A sua ação fez o namorado acordar assustado, revelando a esclera dos olhos completamente amarelada.
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Just a Habit - Spideypool
Storie d'amore- "Apenas um hábito" - O Espetacular Homem Aranha ganha um novo stalker, extremamente pervertido por sinal, e seus dias "costumeiros" vão por água à baixo. De início a companhia do seu perseguidor mostra-se bastante incomoda, mas, aos poucos, o heró...
