A vista parecia cooperar com o caos que se formava em Eudora. O surgimento de Hektor, aquele que antes era apenas o presságio do mal nas profecias, agora ressurgia para o tormento de todos.
Peguei-me pensando em meus pais. O grande Atlas saberia o que fazer diante de tamanha aflição? Será que minha mãe seria o ponto de apoio de que ele precisaria? Quais seriam seus pensamentos... suas decisões?
Era difícil caminhar por todos os lados e corresponder ao que esperavam da grande filha de Atlas e Sophia. Ninguém dizia nada, mas eu enxergava a expectativa estampada em cada olhar.
— Alexia?
Elanor aproximou-se de mim e ficou ao meu lado, contemplando a paisagem encoberta pelas nuvens que dominavam Eudora.
— Sabia que esses dias nublados eram os preferidos da sua mãe?
Sorri de leve.
— Que engraçado. Eu diria justamente o contrário. Para mim, quando o céu fica assim, é sinal de que o dia será ruim... e a chuva sempre vem generosa.
Elanor soltou uma breve risada.
— Era exatamente por isso que ela gostava deles. Sophia dizia que jamais daríamos valor aos dias ensolarados se não existissem os dias nublados. A natureza também tem seus dias de tristeza.
Baixei os olhos.
— Ela saberia o que fazer em uma situação como essa...
A agitação em meu peito aumentava. O frio parecia tornar a melancolia ainda mais pesada.
Elanor pousou a mão sobre meu ombro.
— Não se esqueça de que ela está com você. E também há um povo inteiro. Eles não esperam que você resolva todos os problemas... apenas que não desista. Que permaneça de pé e continue lutando como uma verdadeira líder.
Olhei para ela com gratidão.
— Obrigada, Elanor.
Ela me abraçou, e por um breve instante senti que o peso sobre meus ombros diminuía.
Então...
O som de uma buzina ecoou por toda a fortaleza.
Instintivamente olhamos para os portões principais.
Uma explosão rompeu o silêncio.
Uma densa nuvem negra surgiu como uma criatura viva e destroçou uma das torres dos centinelas. Pedras voaram pelos ares enquanto os gritos se espalhavam por toda Eudora. Logo em seguida vieram outras explosões, cada vez mais intensas.
— Vamos!
Elanor saiu na frente, e eu a segui.
Descemos as escadas correndo e atravessamos os corredores enquanto soldados passavam apressados em todas as direções.
— Alexia!
Ouço Damon gritar ao me encontrar no salão principal. Ele veio até mim, ofegante. Seus olhos me analisaram rapidamente antes de respirar aliviado.
— Onde você estava?
— Com Elanor, na Torre Norte. O que está acontecendo?
— Eles estão atacando!
Pietro surgiu ao lado de Helena, ambos vestidos com armaduras.
— Os exércitos de Osíris e Sibyl estão diante dos portões. Os magos lançaram uma Tormenta, e Lucian tenta restaurar a barreira, que caiu misteriosamente pela manhã.
VOCÊ ESTÁ LENDO
ZÊNITE
FantasiAo Vigésimo aniversário de Aléxia Collins, numa noite de celebração, tudo muda ao presenciar sua amiga sendo morta de uma forma assombrosa. No que parecia mais um de seus pesadelos, ela está sendo levada ao mundo de ZÊNITE, onde tudo é completamente...
