O voo até a esplendorosa Big Apple foi...pior do que um tiro no ouvido.
Eu já estava com um aperto estranho no peito desde que embarquei, sentei-me em minha poltrona e uma senhora sentou-se ao meu lado. Ela me cumprimentou educadamente e sorri pensando que seria uma tranquila viagem de volta, eu me recostaria, tiraria um cochilo, leria um livro que minha irmã me emprestou e tudo seria muito agradável. Que inocência! A senhora ao meu lado o que ela tinha de velha, tinha de falastrona, conseguiu conversar a viagem toda sem que eu dissesse uma única palavra, deixando-me com uma dor de cabeça terrível e provavelmente um início de enxaqueca. Haja saliva.
Quando o avião pousou, eu soube que seu neto havia nascido na França e ela tinha ido visitá-lo, seu vizinho em Nova Iorque havia sofrido um ataque fulminante e "feito a viagem" e me disse umas cinco vezes que era apaixonada quando se casou, mas seu marido não era tudo o que ela pensava; o homem fez seis filhos nela e depois a largou por uma rapariga qualquer, entretanto, ela exigiu uma gorda pensão. Essas foram algumas das longas histórias que eu realmente prestei atenção, as outras ou eu estava muito cansada para me focar ou estava com a mente longe, tipo para o voo que ia para São Francisco. O que Nick estaria fazendo? Estaria repousando a beleza em sua poltrona de primeira classe ou também estaria aguentando um senhor que tagarelava pelos cotovelos sobre como havia esquecido a lata da sua dentadura? Ah, ai está mais um belo detalhe sobre a senhora Chesterfield sentada ao meu lado.
Por favor, alguém traga uma pinga ou um calmante que consiga fazê-la dormir. Ou quem sabe uma mordaça.
Eu sei, eu sei, é algo cruel para se pensar, mas não para uma mulher que não dormiu nem quatro horas direito. Qual é, mordam-me. Enfim, quando cheguei em casa eu estava um cacos emocional e precisava urgentemente da minha cama e também de um banho, mas esse último teria que esperar. Entrei no meu quarto, joguei minha mala em um canto e adormeci.
Acordei de repente, perdida no tempo, não sabia se era de dia ou de noite. Abri apenas um olho para conferir as horas no relógio pendurado na parede do lado oposto da cama, mas o quarto estava imerso na escuridão. E aí estava minha resposta, era noite. Meu celular começou a tocar estridentemente e eu queria quebrá-lo na parede por ser tão barulhento; porém, ao invés disso, estiquei meu braço, tateando na cama onde eu havia colocado o maldito aparelho.
- Alô? - atendi quando o encontrei.
- Caramba garota, achei que havia morrido ou algo assim - a voz de Gabriel chegou até mim - te liguei um milhão de vezes.
- Eu estava dormindo - resmunguei.
- Não, pessoas normais dormem, você entra em coma.
- Tudo bem, o que quer?
- Liguei apenas para ver se tinha chegado bem e para saber como foi o seu voo
- Ah, foi ótimo, eu estava trocando meu lar por algumas horas de sono e quase pagando alguém para trocar de lugar comigo.
- Ai que chato, você pegou uma daquelas que precisam de focinheiras para viagem? - ele perguntou e fez um som de dor, como se estivesse sofrendo por mim.
- Eu já havia me convencido de que os ouvidos deveriam estar debaixo do braço, qualquer coisa o fechávamos e ouvíamos apenas o que fosse do nosso interesse - falei e ri um pouco.
- Isso seria tipo eca - nós dois rimos, conversamos mais um pouco e Gabe me disse que ao seu lado sentou-se um gato moreno e sarado, de modo que meu amigo não conseguiu não roçá-lo com a perna ou mão "acidentalmente".
- Você não presta - falei quando nos despedimos.
- Não seja tão invejosa - e desligamos.
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Namorado De Aluguel
RomanceCréditos a Lindsay Vatz. Repostando, com algumas alterações. Primeiro livro. Leitores e leitoras,sejam bem vindos! Falem comigo, me dêem suas opiniões, digam o que estão achando, o que acham que vai acontecer, etc.
