Flashback

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Julie

Eu tinha acabado de voltar da escola, estava com meu boletim na mão, pronto para mostrar para os meus pais, sempre que eu tirava notas boas meu pai me ensinava tudo que ele sabia sobre hackear sistemas, era um segredo meu e dele, Alexander nunca teve muito tempo para ficar comigo e com minha mãe, mas sempre que podia ficava conosco, entrei na cozinha onde meu pai estava tomando um café e entreguei o boletim.

- Aqui pai, só nota azul. — Ele pegou meu boletim e o examinou.

- Nem o meu boletim tinha tantos A+ parabéns, flor!  — Meu pai sorri. — Vou te entregar seu diploma, você concluiu nosso curso secreto. — Ele piscou para mim, eu sorri, mas me lembrei que Alexander anda sendo chantageado, ele me pediu para manter segredo, não queria que as pessoas soubessem, ou algo ruim poderia acontecer. Olhei meu pai e ele me entregou um pequeno diploma, eu peguei e o abracei.

- Eu tenho que ir, não acorde sua mãe, ela está bem cansada, ela tentou fazer um bolo e quase destruiu a cozinha. – Nós rimos, ele me deu um beijo na testa e pegou sua maleta e saiu de casa com nosso motorista o Bobbie. Mila nossa empregada ou melhor a Tia Mila apareceu e começou a limpar a mesa onde a pouco tempo meu pai estava ali sentado, ela era baixa, meio gordinha, tinha um rosto jovial apesar de já ter seus cinquenta anos e sempre prendia seus cabelos num coque bem feito.

- Julieta está com fome?

- Não muito Mila. - Fiquei olhando o pequeno diploma por algum tempo.

- Querida se não comer por vontade própria darei na sua boca. - Olhei para ela e sorri.

- Tudo bem, eu como.

- Ótimo! Essa é minha menina.

- Como está a mamãe? - Mila suspirou e continuou fazendo o meu sanduíche.

- Ela ainda está doente, mas vai melhorar, ela até tentou fazer algo para a senhorita, porém não deu muito certo. - Suspirei e olhei para a mesa, minha mãe tinha a imunidade baixa por isso sempre ficava doente. - Ah minha querida fique calma, tudo vai dar certo, basta confiar.

- Obrigada tia Mila, por tudo.

- Que isso minha menina, seus pais são bons comigo, eu que deveria agradecer. - Eu sorrio e ela me entrega o prato com o sanduíche.

- Obrigada. - Peguei e comecei a comer.

- Ah sim, todos nós vamos embora mais cedo hoje, está vindo uma grande tempestade e seu pai pediu pediu que todos nós fossemos para casa.

- Ok. - Terminei meu sanduíche e fui para a sala, minha casa não era muito diferente do resto das casas do bairro. Era branca e tinha grandes colunas e um enorme jardim.

 Subi para o meu quarto, sentei em frente a escrivaninha, peguei um porta retrato na gaveta e coloquei o diploma, e deixei ao lado do computador, depois entrei no meu closet escolhi uma muda de roupas, e fui para o banheiro, minutos depois eu esta...

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Subi para o meu quarto, sentei em frente a escrivaninha, peguei um porta retrato na gaveta e coloquei o diploma, e deixei ao lado do computador, depois entrei no meu closet escolhi uma muda de roupas, e fui para o banheiro, minutos depois eu estava vestida, deitada na minha cama lendo um livro, horas depois vi que já estava escurecendo, ouvi Mila me chamar e sai do meu quarto, ela estava no pé da escada com os outros empregados que eu considerava parte da minha família, prontos para ir embora por causa do horrível temporal que já já começaria a cair, me despedi de todos e logo a casa estava vazia, fui ao quarto dos meus pais e minha mãe estava sentada na cama bebendo um café e comendo alguns biscoitos.

- Querida, venha até aqui. - Fui até ela e a mesma me beijou na testa.

- Como está mãe? 

- Bem melhor, nem cansada estou mais.

- Que bom. - Sorri e Jane também.

- Já foram todos embora?

- Sim, o temporal já está chegando. - Nesse momento um relâmpago passou pela janela e seu brilho refletiu no quarto e os trovões soaram iniciando a tempestade, nesse momento ouvi a voz do meu pai dizendo 'estou em casa', minutos depois meu pai estava no quarto conosco.

- Está terrível lá fora. - Mais relâmpagos e trovões começaram, e a porta de nossa casa bateu.

- Fiquem aqui, eu vou ver o que houve. - Meu pai saiu do quarto e minha mãe levantou da cama, segundos depois ouvi alguém subindo a escada rapidamente e outra pessoa gritando, minha mãe pegou a minha mão e me enfiou dentro de um dos vários armários do quarto.

- Não faça barulho e não saia daí. - Ela fechou o armário e foi para o meio do quarto, fiquei olhando pela brecha que tinha, meu pai entrou e trancou a porta e alguém começou  a gritar e bater na porta até que ela se abriu e bateu com tudo na parede, o homem estava com roupas pretas, luvas pretas e na sua mão direita uma arma, tampei minha boca para não gritar.

- ME DÁ LOGO ALEXANDER! - O homem gritou furioso.

- Não está comigo, eu destruí anos atrás.

- PARE DE MENTIR! ME DÊ LOGO! ESTOU PERDENDO A PACIÊNCIA. - Ele apontou a arma para o meu pai.

- Adam calma, não precisa ser assim.

- Precisa sim seu mentiroso desgraçado.

- Adam por favor....

- CALADA JANE, FALE PARA ELE ME DAR O QUE EU QUERO! AGORA!

- Eu já lhe disse.. - Dois tiros foram disparados, um na cabeça e o outro no peito do meu pai e ele caiu no chão, minha mãe gritou pedindo ajuda, sirenes foram ouvidas e o cara atirou na cabeça da minha mãe, ela caiu e ele saiu correndo. Saí do armário, o sangue dos meus pais cobriam quase todo o tapete e o chão branco ficou vermelho, eu ajoelhei perto dos dois e toquei no meu pai, eu estava tremendo, minha mão ficou coberta de sangue, meus pais tinham morrido, chorei e chorei, abracei minha mãe e vários policiais adentraram no quarto, e tentaram me tirar de cima do corpo da minha mãe, o capitão Jensen apareceu, e seu rosto foi de tristeza, ele me tirou de cima da mamãe e eu me soltei dele e desci correndo, quando sai de casa a chuva me pegou, me deixando encharcada, eu encostei na pilastra e fiquei ali, as imagens de minutos atrás não deixavam a minha mente, o corpo dos meus pais foram retirados da casa, e levados e eu fui para a delegacia, eles me faziam perguntas mas eu mal conseguia responde-las, a dor que eu estava sentido era grande demais, por que ele os matou? 

Aquele cara tinha acabado com a minha vida, eu teria que ficar na delegacia até descrever o que aconteceu, durante horas eles me interrogaram, mas nada saía da minha boca, depois de mais algumas horas consegui contar e fiz um retrato falado, eu naquele momento não tinha para onde ir, não queria e nem podia ir para a minha casa, eu não tinha mais nada, meus pais tinham ido e a minha casa só fazia me lembrar ainda mais sobre isso, não tínhamos nenhum parente então ligaram para a Tia Mila, que me levou para casa dela, até terminarem as investigações na casa, durante dias, eu não falava, não comia, até que me avisaram que os corpos deles, estavam liberados para o velório e para o enterro, e  foi o que aconteceu, várias pessoas apareceram no velório e me desejavam meus pêsames e falavam como meus pais isso,  como meus pais aquilo outro, como se o que eles falavam pudesse trazer eles de volta, voltei para a minha casa, mais não tinha coragem de entrar no quarto deles, até que um dia motivada pela raiva e pela investigação esfriando, entrei nos arquivos e fuxiquei o máximo sobre o caso dos meus pais, fiquei tempo demais e fui pega, não fui presa graças ao capitão, mas assinei um termo, e prometi nunca mais fazer aquilo, fotos minhas estavam por todos as revistas e jornais, eu era o assunto do momento, todos queriam uma entrevista comigo, nunca me senti tão exposta e tão desamparada, podia ter a minha família postiça, porém eu me sentia mais sozinha do que nunca, eu tinha muito dinheiro na conta bancaria, mas isso não traria meus pais de volta. Minha vida se transformou de um conto de fadas para um filme de terror em poucas horas.

Uma hacker apaixonada.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora