Eu poderia me apaixonar por ele num estalar de dedos.
Acredite quando eu digo: Matheus Santos era tudo aquilo que os romances prometem e quase nunca entregam. Jornalista em ascensão, dono de um sorriso desarmante, voz tranquila, e um jeito absurdamente gentil de existir no mundo. Ele tinha esse ar de tranquilidade que fazia até as mulheres mais fechadas suspirarem — como se o simples fato de estar perto dele fosse uma espécie de calmante natural.
Era impossível não se sentir confortável ao lado dele.
Às vezes, eu até me questionava se não exagerava nas descrições... mas bastava outra pessoa cruzar com ele por cinco minutos pra confirmar: não, não era exagero.
Matheus era tudo aquilo, sim.
E talvez mais.
A forma como nos conhecemos não foi nada romântica. Nada mesmo.
Foi trágica, desesperadora e claustrofóbica.
O elevador despencou seis andares e ficou preso — e nós com ele — por quase vinte e quatro malditas horas.
Sim, você leu certo. Vinte. Quatro. Horas.
Trabalhávamos no mesmo prédio: eu em uma consultoria de gestão editorial, ele numa redação badalada. Antes daquele dia, trocávamos apenas olhares breves no hall e cumprimentos educados no café. Nada demais.
Mas quando a cabine sacudiu, o mundo girou e o elevador parou entre andares com um solavanco indecente, ele foi o motivo de eu não surtar completamente.
Eu juro: perdi a fé em sair dali viva.
O tempo se arrastava, o silêncio do lado de fora era ensurdecedor e, honestamente? Descobri que em situações de vida ou morte, minha calma é uma fraude.
Se um apocalipse zumbi acontecer, pode riscar meu nome da lista — eu sou a primeira a ser devorada.
Matheus, por outro lado, era uma rocha. Ele me distraiu com histórias, me ofereceu água, me fez rir quando tudo o que eu queria era chorar.
E foi ali, entre paredes apertadas e respirações nervosas, que alguma coisa entre nós começou.
Depois que fomos resgatados (e eu beijei o chão como se fosse solo sagrado), algo mudou. Não exatamente um namoro. Nem mesmo um flerte direto. Mas viramos... amigos.
Dos que evitam elevadores e sobem de escada juntos.
Dos que riem das próprias tragédias.
Dos que, aos poucos, se tornam indispensáveis.
E talvez tenha sido ali o começo de tudo.
Ou talvez eu só tenha me apaixonado no segundo em que ele segurou minha mão, no escuro, e disse:
— Tá tudo bem, Stephanie. A gente vai sair dessa.
E eu acreditei.
Nossa amizade parecia saída de um roteiro de filme. Daqueles que a gente assiste e pensa: “Impossível alguém ter uma conexão assim.”
Mas a gente tinha.
Éramos inseparáveis. Confidentes, cúmplices, sem segredos, sem ciúmes, sem vergonha. Um sabia tudo do outro — do medo bobo à crise existencial de domingo à noite.
E foi inevitável.
Me apaixonei por ele.
Não foi de uma vez. Foi aos poucos, nos detalhes. No jeito como ele me ouvia, como me fazia rir, como me conhecia sem que eu precisasse dizer uma palavra.
Ele era diferente de todos os homens que eu já conheci. Parecia ter sido montado sob medida pra mim, como se tivesse sido fabricado com tudo o que eu admirava num homem. Um modelo exclusivo. Um homem “Express”, pronto para entrega imediata.
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RomansaStephanie Magalhães nunca soube lidar com sentimentos - especialmente os que envolvem amor, compromisso e pedidos de casamento em praias paradisíacas. Designer emocionalmente bagunçada, dramática por natureza e especialista em fugir de tudo que exij...
