O sol na minha cara era uma agressão desnecessária.
Sério, ele podia nascer pra lá, do outro lado do planeta. Quem inventou essa ideia de "acorde com o dia" nunca dormiu de ressaca, nua, e sem calcinha numa cama que não reconhece.
— Merda... — murmurei, apertando os olhos e tentando me cobrir com qualquer pedaço de dignidade (e lençol) que restasse.
O quarto era claro demais, cheiroso demais e definitivamente organizado demais pra ser o meu. Eu não tinha aquele abajur. Ou aquelas cortinas. Ou aquela colcha combinando com as almofadas. Ah, não. Aquilo era território inimigo. E o pior: eu não fazia a menor ideia de como fui parar ali.
Tentei lembrar.
Alguma coisa sobre um bar... risadas... tequila...
Tomás Santiago.
Meu estômago revirou. E não era só por causa da ressaca.
Olhei em volta devagar, torcendo pra ele não estar ali. Talvez eu tivesse fugido antes dele acordar. Talvez esse fosse o quarto de hóspedes. Talvez essa fosse minha punição divina por todos os brigadeiros que comi escondida da nutricionista.
Mas então ouvi um barulho.
Mastigação.
Não era uma lembrança. Era ao vivo.
E, quando virei a cabeça, lá estava ele: Tomás Santiago, o homem que eu vinha evitando com talento digno de Oscar, mastigando calmamente uma torrada, sentado na poltrona do quarto — de cueca e com o cabelo bagunçado, parecendo saído direto de um comercial de margarina, versão pós-sexo.
— Bom dia, coelhinha. Dormiu bem?
Puta que pariu.
— Não me chama de coelhinha — resmunguei, enfiando a cabeça debaixo do lençol como se ele fosse um escudo antivergonha. — Eu só deixo me chamarem assim quando estou completamente vestida. E preferencialmente longe de você.
— Engraçado... — ele disse, com a voz arrastada e aquele maldito tom de deboche que fazia meu olho esquerdo tremer —, porque ontem à noite, quando você me arrastou pelo cinto até o quarto, gritando "é agora, Santiago", você parecia bem à vontade.
— Eu não fiz isso. — Minha voz saiu abafada pelo tecido.
— Fez sim.
— Cale a boca.
— Também gritou "EU SEMPRE QUIS SABER SE VOCÊ TINHA TANQUINHO DE VERDADE OU ERA PHOTOSHOP".
— Tomás!
Ele riu. Alto. Solto. E isso me irritou mais do que deveria.
Tirei o lençol do rosto com toda a dignidade possível (nenhuma) e olhei pra ele. O desgraçado estava com a perna cruzada, a xícara de café na mão, e uma expressão satisfeita como se tivesse vencido na vida. E, do ponto de vista dele, talvez tivesse mesmo. Eu, nua na cama dele, era provavelmente o troféu de anos de provocações e brigas dignas de novela mexicana.
— Me dá minha calcinha. — estendi a mão com autoridade.
— Ah, você quer a vermelha ou a preta?
Revirei os olhos.
— Tomás, eu não tenho psicológico pra você hoje.
— E ontem?
— Ontem eu estava bêbada. Ontem não conta. Ontem foi um lapso. Um apagão. Um erro estratégico do meu sistema nervoso central.
— E um presente divino pro meu sistema reprodutor. Obrigado por isso, aliás.
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DETALHES
RomanceStephanie Magalhães nunca soube lidar com sentimentos - especialmente os que envolvem amor, compromisso e pedidos de casamento em praias paradisíacas. Designer emocionalmente bagunçada, dramática por natureza e especialista em fugir de tudo que exij...
