Acordei com o som da chuva batendo forte no telhado da pousada. Era como se o mundo estivesse chorando lá fora, lavando alguma coisa que a gente ainda não sabia nomear. Eu fiquei ali, imóvel, encarando o teto por alguns segundos, tentando entender o que estava sentindo.
Tomás estava deitado ao meu lado, dormindo profundamente, como se não tivesse nenhuma dúvida no coração. Como se ele não tivesse acabado de me dizer algo que virou meu mundo de cabeça pra baixo.
"Eu te amo."
Essas três palavras estavam ecoando na minha cabeça desde que ele as disse. Três palavras pequenas, simples... mas que me desmontaram por dentro.
Virei devagar, apoiando o cotovelo no colchão e o queixo na mão. Observei ele dormir. O peito subindo e descendo com calma. Os cabelos bagunçados. A barba por fazer. E aquele traço no canto da boca que eu nunca tinha reparado direito - como se ele estivesse quase sempre prestes a sorrir.
Como ele podia me amar assim? Tão fácil, tão leve, tão... de verdade?
Eu queria acreditar. Queria mergulhar nesse sentimento, me jogar de cabeça nesse afeto que ele me oferecia de graça, sem cobrança. Mas eu... eu ainda doía. Ainda sangrava em cantos que ninguém via.
Ainda me sentia a mulher que foi deixada, trocada, iludida. Ainda carregava vergonha por ter acreditado em promessas antigas e tentado destruir casamentos em nome de algo que nunca existiu.
Meus dedos tocaram os lençóis como se pudessem encontrar uma resposta no tecido. Nada.
Voltei o olhar pra ele. Uma parte de mim queria acordá-lo e perguntar "você tem certeza?", e a outra queria correr antes que ele mudasse de ideia.
Lá fora, um trovão estremeceu a janela. Aqui dentro, o silêncio dele era uma paz que me assustava.
Talvez fosse isso o amor: não o fogo que queima, mas o abrigo em dias de tempestade.
Fechei os olhos por um instante e sussurrei para ninguém:
- E se eu não souber amar do jeito certo?
Mas a única resposta que tive foi a respiração tranquila de Tomás, e por enquanto... talvez isso bastasse.
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Tentei evitar Tomás o dia inteiro. Não era difícil fingir interesse no livro, mesmo relendo o mesmo parágrafo pela décima vez. Difícil mesmo era desviar dos olhares dele. Estávamos presos naquele quarto, e fingir que nada havia acontecido entre nós era tão inútil quanto tentar segurar chuva com as mãos.
Mas ele não era do tipo que deixava passar.
- Precisamos conversar - ele disse, abaixando meu livro com um toque firme. - Não vamos dar mais nenhum passo antes de acertarmos esses detalhes. Pode não parecer importante pra você, mas pra mim é. E muito.
- Você quer que eu fale o quê, Tomás?
- Não sei... - ele deu um meio sorriso irônico, levantando as mãos. - Nós transamos, Stephanie! O mínimo seria um "bom dia", um "foi bom pra você?", sei lá... "curti quando você me chupou?" - Ele fez um gesto exagerado entre nós dois, como se amarrasse um laço invisível no ar. - Teve alguma coisa aqui. E você tá fingindo que não.
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DETALHES
RomanceStephanie Magalhães nunca soube lidar com sentimentos - especialmente os que envolvem amor, compromisso e pedidos de casamento em praias paradisíacas. Designer emocionalmente bagunçada, dramática por natureza e especialista em fugir de tudo que exij...
