Eu estava sentada no banco do carona, com a mão suando tanto que parecia que eu tinha mergulhado na pia. A outra mão segurava minha barriga já saliente, como se o bebê pudesse me ajudar a manter a compostura. Não estava funcionando. Tomás dirigia como se fosse um domingo qualquer, calmo, com aquele braço musculoso apoiado no volante, e uma expressão serena no rosto. Ele parecia tão… pronto. E eu? Eu parecia uma adolescente indo conhecer os sogros depois de ter arrombado o carro deles com uma pedra.
— Você acha que sua avó vai gostar de mim? — soltei, tentando parecer casual, mas minha voz saiu meio fina, meio trêmula.
Ele me olhou de lado e soltou uma risadinha.
— Steph, a senhora Nair vai te amar em dois segundos. E, se não amar, vai fingir que ama, porque ela quer um bisneto mais do que quer um rim novo.
Eu ri, meio nervosa.
— Ótimo. Pressão extra. Obrigada.
— Relaxa. Meu pai tá empolgadíssimo com o churrasco, já separou as melhores carnes. E Thais vai estar lá. Ela quer muito te conhecer.
Suspirei. Já imaginava a Thais como aquelas adolescentes super sarcásticas que acham todo mundo uma intrusa. Mas, por algum motivo, parte de mim estava animada. Talvez fosse o milagre hormonal da gravidez. Ou a ideia de que, finalmente, eu poderia fazer parte de algo. Mesmo depois de todo o caos.
Tomás estacionou em frente a uma casa térrea simpática, com flores no jardim e fumaça saindo da churrasqueira dos fundos. A casa exalava aquele cheiro de “família feliz”, e aquilo me deu um nó na garganta. Ele desceu, deu a volta no carro e abriu minha porta com aquele jeito cavalheiro que me dava nos nervos e aquecia meu coração ao mesmo tempo.
— Pronta? — ele perguntou.
— Mais ou menos — confessei.
Ele estendeu a mão e eu aceitei. Quando entrei com ele na casa, fui recebida por uma senhora baixa, de cabelo branco preso num coque torto e um avental bordado. Ela me olhou como se eu fosse um bolo de chocolate recém-saído do forno.
— Então você é a Stephanie! — ela exclamou, abrindo os braços. — Venha cá, minha florzinha! Tomás, menino, você me traz uma joia dessas só agora?
Fui esmagada num abraço que cheirava a canela e carinho, e quase chorei ali mesmo. E depois veio o pai do Tomás, um homem alto, com um sorriso largo e uma habilidade nata para transformar churrasco em evento gourmet. Ele apertou minha mão, fez piada sobre “quem mandou Tomás demorar tanto pra me apresentar” e voltou a cuidar da churrasqueira como um cirurgião em ação.
E então, Thais.
A garota tinha o cabelo trançado até o ombro, um piercing falso no nariz e um olhar afiado que varreu meu corpo como raio-x. Por um segundo achei que ela fosse me esnobar. Mas ela abriu um sorrisinho travesso e disse:
— Então é você que conseguiu amansar meu irmão ranzinza. Parabéns. Ele precisava de alguém com paciência... e de um bebê pra aprender a chorar menos.
— A gente se implica — Tomás resmungou atrás de mim, revirando os olhos.
— Implica nada, ele é doido por você — Thais disse, e me puxou pelo braço como se já fôssemos amigas de infância. — Vem comigo. Vou te mostrar a árvore onde ele caiu e chorou porque achou que ia morrer com seis anos, papai me contou. Tem foto, inclusive.
Aquele almoço virou um dos dias mais bonitos da minha vida. A vó me servindo três tipos de arroz como se eu estivesse desnutrida, o pai do Tomás me dando dicas de como lidar com “o mau humor genético da família”, e Thais me contando histórias embaraçosas enquanto Tomás tentava manter a dignidade.
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DETALHES
RomanceStephanie Magalhães nunca soube lidar com sentimentos - especialmente os que envolvem amor, compromisso e pedidos de casamento em praias paradisíacas. Designer emocionalmente bagunçada, dramática por natureza e especialista em fugir de tudo que exij...
