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Capítulo 9 - Tomás

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Acordei com o barulho da porta rangendo e passos desajeitados sobre o assoalho de madeira. Não precisei abrir os olhos para saber que era a Stephanie. Só ela fazia esse tipo de entrada triunfal, como se a casa fosse um palco e ela, a estrela de um espetáculo caótico.

Permaneci deitado, olhos fechados, de costas para a porta, tentando entender se ela estava bem. Ouvi um resmungo abafado e, em seguida, o som inconfundível de vidro se estilhaçando.

— Merda — murmurei, pulando da cama. Acendi o abajur num movimento rápido e, ao me virar, me deparei com uma cena digna de filme: Stephanie em pé, descabelada, os olhos fundos e desfocados, olhando para a própria mão ensanguentada. Aos seus pés, uma garrafa de vodka quebrada.

Ela coçou a cabeça, como se tentasse organizar os pensamentos confusos.

— Eu não sinto a minha mão! — sussurrou, tropeçando nas palavras. — Será que eu vou morrer? Deus, eu não quero morrer! Você já me proibiu de ter coelhos...

— Droga, Stephanie... — esfreguei o rosto com força. — Você não vai morrer. Você só está bêbada.

— Eu bêbada? Não, não... eu não gosto de rato! — rebateu, como se estivesse provando um ponto crucial. Depois jogou a cabeça pra trás. — Por que eu tô de cabeça pra baixo?

Suspirei fundo. Ela precisava de um banho gelado, um balde de café e talvez um exorcismo leve. Mas, naquele momento, o mais urgente era tirá-la de perto dos cacos.

— Tomás! Tomás! Tomás! Tomás! — repetia meu nome como um mantra desesperado enquanto eu me aproximava.

— O que aconteceu com você, maluquinha? — murmurei, irritado e preocupado, antes de pegá-la no colo pra impedir que pisasse nos estilhaços.

— Você é meu herói? — perguntou, me encarando com aqueles olhos brilhando de álcool e confusão.

— Acho que hoje serei sim. — sentei-a na cama com cuidado.

— Você podia me proteger do Matheus... ele foi mal comigo. — a voz dela saiu num fio, enquanto se jogava no colchão.

Minha mente congelou. O nome dele acendeu um alarme dentro de mim.

— Stephanie? — me ajoelhei na frente dela, forçando-a a me olhar. — Ele te machucou?

Ela fez que sim com a cabeça. Um aperto tomou meu peito. Se ele encostou um dedo nela...

— Ele me machucou aqui dentro. — murmurou, chorando e apontando pro próprio peito. — Tá doendo muito, Tomás. Tira essa dor de mim.

Aquilo me desmontou. Eu a abracei forte, acariciando seus cabelos desgrenhados, querendo desesperadamente poder tirar cada gota daquela dor. Se eu pudesse, colocava no meu peito pra ela não sentir mais nada.

— Eu sinto tanto por isso...

Depois de alguns segundos, ela se afastou, sorriu — e, do nada, começou a tirar o vestido.

— Eu quero fazer amor com você. — disse, com um sorrisinho bêbado, puxando minha camisa.

Afastei-me de imediato e respirei fundo.

— Você não quer isso. Tá bêbada. Vai se arrepender amanhã.

Ela me olhou como se estivesse tentando me decifrar.

— Você é loiro?

Não contive o riso. Peguei-a no colo de novo.

— Vamos tomar logo esse banho, Stephanie.

Banhar aquela mulher foi uma missão digna de reality show. Ela alegou que perderia seus "poderes de fada" se entrasse na água. Depois de prometer que eu protegeria sua varinha mágica imaginária, consegui convencê-la a entrar debaixo do chuveiro gelado.

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