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Capítulo 16 - Stephanie

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O sol se infiltrava pelas frestas da cortina, desenhando linhas douradas sobre o lençol amassado e o peito nu de Tomás. Ele ainda dormia profundamente, com a respiração pesada e o rosto tranquilo como eu vi da última vez. A barba por fazer cobria seu maxilar e seus cabelos estavam uma bagunça de dar inveja a qualquer protagonista de filme. Era assim que ele dormia — bonito sem esforço, como se o mundo estivesse exatamente no lugar onde deveria estar. E talvez estivesse. Pelo menos, para mim, naquela manhã, tudo fazia sentido.

Eu não conseguia desviar os olhos dele. Um calor gostoso me preenchia por dentro, desses que não têm nada a ver com gravidez ou alterações hormonais. Era mais... sereno. Mais certeiro. Eu estava calma. Pela primeira vez em muito tempo, eu acordei sentindo que estava exatamente onde deveria estar. Com quem eu deveria estar. Aquela sensação de pertencimento era tão forte, tão clara, que por um segundo me peguei sorrindo feito boba, com os olhos marejados.

Passei os dedos devagar por entre os lençóis, sentindo o calor do corpo dele ainda ali. Não queria acordá-lo — Tomás merecia dormir em paz, sem preocupações, sem eu falando pelos cotovelos ou derrubando alguma coisa. Mas minha mente estava em festa. Porque, no fundo, lá no fundo, algo tinha se encaixado em mim.

Eu sempre fui confusa, dramática, acelerada. Fugi do que sentia por ele por tempo demais, arranjando desculpas ridículas e medos bem convincentes pra justificar o porquê de não me jogar nesse amor. Mas agora... agora era impossível negar. Eu o amava. Com todas as letras. Com todas as vírgulas e exclamações possíveis.

Tive que quase perdê-lo. Tive que viver dias sufocantes sem ele. Dormir em silêncio. Fingir que o que sentíamos era apenas fruto de uma noite, de uma aposta, de uma gravidez inesperada. Tive que quebrar meu orgulho em pedacinhos e olhar para os meus próprios erros para, enfim, entender.

Eu o amava. E não era porque esperava um filho dele. Não era por gratidão, ou culpa, ou medo. Era por tudo o que ele é. Pela forma como ele me olha, como segura minha mão sem precisar dizer nada. Pela maneira como ele se preocupa comigo mesmo quando tenta fingir que não. Pelo riso dele, pelo silêncio confortável que só existe com ele por perto.

Eu me sentia... segura.

Talvez fosse isso que me assustava tanto antes. Porque eu nunca me senti assim com ninguém. Com Matheus, eu sentia que precisava me provar o tempo todo. Com Tomás, eu só precisava ser. Sem filtros, sem fantasias. Só eu. Descomplicada. Bagunçada. Eu.

Me virei de lado e fiquei ali, encarando o homem que sempre esteve na minha vida de forma confusa, mas sempre constante. Que cuidou de mim quando eu não merecia. Que nunca deixou de estar ao meu lado, mesmo quando eu mesma quis que ele se afastasse. E agora, ele dormia aqui. Na minha cama. Depois de me amar como se o mundo inteiro coubesse naquela madrugada.

Deitei a cabeça no travesseiro, mais próxima dele, e sussurrei baixinho:

— Eu te amo, Tomás.

Talvez ele não tenha ouvido. Talvez tenha. Mas não importava. Porque eu finalmente sabia.

Era ele.

Sempre foi ele.

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Voltei da cozinha com uma bandeja meio torta nas mãos — o suco estava quase escorrendo do copo e a manteiga caiu no pratinho de forma bem suspeita, mas, sinceramente, era o melhor que eu podia fazer naquela manhã. Um esforço heroico para uma grávida com preguiça crônica de levantar da cama antes das nove. Mas ele merecia. Depois da noite anterior — depois de tudo — eu precisava desse pequeno gesto para colocar em palavras o que ainda me faltava coragem de dizer olhando nos olhos dele.

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