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Capítulo 13 - Tomás

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Ela falou. Jogou no ar como se fosse só mais uma frase, como se estivesse me dizendo que esqueceu o guarda-chuva ou que a padaria da esquina fechou.

"Eu tô... meio grávida."

Fiquei ali. Parado. A chave ainda na mão, a porta aberta, o mundo desabando em silêncio ao nosso redor.

Não respondi. Nem consegui.

Abri a porta com um gesto lento, quase automático, e entrei no apartamento. A mochila caiu do ombro para o chão, mas nem percebi. Me joguei no sofá como se meu corpo pesasse toneladas.

Grávida.

Ela estava grávida.

E era meu.

Minhas mãos apoiadas nos joelhos, os olhos fixos no chão, mas minha cabeça... minha cabeça gritava. Gritava cada vez que eu a ignorei. Cada vez que deixei as mensagens dela sem resposta, cada visita que recusei, cada passo que dei pro lado contrário, tentando expulsá-la da minha vida. E tudo isso enquanto ela... enquanto ela carregava meu filho dentro dela.

Ouvi seus passos entrando, hesitantes. A porta foi fechada com cuidado. Ela não disse nada. Só veio. Se sentou ao meu lado como quem carrega o mundo nas costas. E começou a soluçar baixinho.

— Eu... eu também fiquei em pedaços com isso, Tomás. Não era pra acontecer... os médicos sempre disseram que eu não podia. Que era improvável. Impossível, quase. Mas... de algum jeito, aconteceu. Eu nem sei o que pensar. Eu tô feliz. E apavorada. Tudo ao mesmo tempo.

Olhei de canto. A barriga dela escondida por baixo do casaco. Quase imperceptível, mas ali. Presente. Real.

Minha garganta fechou. Ela coçava a mão, vermelha, salpicada de urticária. O pescoço também. Reação de quando ela estava nervosa demais. Ansiosa demais. Eu conhecia.

Levei as mãos ao rosto, tentando encontrar alguma palavra. Qualquer coisa.

Mas tudo parecia errado.

E então, sem pensar, me aproximei e puxei ela pra mim. Senti os braços dela hesitarem, depois cederem. A cabeça encostada no meu peito, o cheiro doce do cabelo dela, familiar demais, cruel demais.

E ali, sem aviso, sem controle, eu comecei a chorar.

Não como quem derrama uma lágrima bonita em filme francês.

Mas como quem se parte.

Porque era isso que estava acontecendo.

Ela chorava no meu peito. Eu chorava por tudo o que perdemos. Por tudo o que fomos. E por tudo o que ainda poderíamos ser, se eu tivesse deixado.

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Preparei um copo com água e açúcar pra ela. Podia ser placebo, podia ser só um gesto bobo… mas era tudo o que eu conseguia fazer naquele momento. E pra mim, naquele instante, o copo que eu queria mesmo era o de whisky que comprei semanas atrás — depois que o furacão Stephanie passou pela minha vida e me deixou no meio dos escombros.

Entreguei o copo e me sentei na frente dela. Ela ainda estava com o casaco encharcado, os cabelos grudando no rosto, as mãos trêmulas. Quando ela tirou o casaco, o vermelho das urticárias me fez piscar. Se espalhava por boa parte do corpo, manchando a pele sensível dela.

— Você... você foi ao médico por causa disso?

Ela balançou a cabeça, tímida.

— Tá melhorando. No início tava bem pior — murmurou, baixinho, como uma criança que não quer admitir que escondeu um machucado.

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