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Capítulo 7 - Stephanie

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A cozinha estava escura, iluminada apenas pela luz da geladeira aberta e da lua espiando pela janela. Eu estava sentada no chão, com uma meia calça rasgada, cabelo preso com uma caneta e um sanduíche de queijo e presunto nas mãos como se fosse um troféu. Me sentia uma criminosa, uma fugitiva do sono e da dieta.

— Isso aqui... — murmurei com a boca cheia, — é arte.

Mastiguei devagar, saboreando cada mordida como se tivesse acabado de sair de um reality show de sobrevivência. Foi quando senti. Um olhar. Aquele olhar.

Enquanto mastigava, percebi que o Tomás me encarava. Franzi o cenho, olhei para trás achando que talvez algum fantasma gourmet tivesse surgido no resort pra nos expulsar da cozinha — nada. Quando voltei a encarar aquele homem indecente, ele estava mais perto, com aquele sorriso de quem sabe exatamente o efeito que causa em mim.

— Por que tá me olhando assim? — perguntei desconfiada, limpando a boca com as costas da mão.

Ele se aproximou ainda mais com aquela lentidão proposital de quem sabe exatamente o que está fazendo. E quando seu olhar parou na minha boca, nem me deu tempo de processar. Passou o polegar no canto dela boca e depois, com a maior cara de pau do planeta, colocou o dedo na própria boca.

— Tinha maionese aqui — disse com a voz baixa, aveludada, olhos cravados nos meus lábios.

Meu coração deu uma falhada.

— Você é sempre assim... íntimo da maionese dos outros?

Tentei brincar, mas minha voz soou estranha, fraca... como se meu corpo já tivesse entendido que a situação estava saindo do controle. Ele sorriu de um jeito vagabundo — não o tipo de vagabundo nojento, mas o tipo que faz você querer cometer pecados com gosto. Tirou uma mecha do meu cabelo do rosto com delicadeza, e eu senti meu coração dar uma cambalhota no peito.

Ele inclinou a cabeça de lado, os olhos dançando dos meus olhos para a minha boca. E foi nesse momento que eu percebi o calor. A tensão. O jeito como o silêncio se estendia entre nós como uma corda prestes a arrebentar.

— Acho melhor eu voltar pro quarto... — comecei a dizer, mas a frase nem terminou. Ele respondeu com um beijo no meu pescoço, e eu senti tudo em mim entrar em curto-circuito. A pele, os pelos, os hormônios, o juízo — se é que eu ainda tinha algum.

O sanduíche caiu no chão. A vergonha também.

— A gente não devia... — tentei dizer, entre um beijo e outro.

— Devia sim — ele sussurrou contra a minha pele, me fazendo arrepiar inteira.

Era perigoso o jeito que ele falava. Ele me beijou como se a cozinha do resort fosse um cenário montado só pra aquele momento. Como se tudo, absolutamente tudo, se resumisse a nós dois ali.

Me pegou de surpresa com aquele beijo urgente, quente, daqueles que fazem os joelhos fraquejarem. Eu deveria ter empurrado ele, falado alguma coisa sensata, lembrado que estávamos na cozinha da casa dos outros. Mas tudo que fiz foi arfar, agarrar o pescoço dele e puxá-lo de volta como se ele fosse oxigênio e eu estivesse há minutos sem respirar.

Tomás me apertou contra o balcão e suas mãos foram direto para a minha cintura, me puxando com força. Nossos corpos se encaixaram de um jeito que era indecente. Um jeito que gritava "isso vai sair do controle em cinco segundos."

E foi ali, entre um beijo e um toque, que as coisas desandaram de vez. Ele me virou com facilidade e me deitou no chão gelado da cozinha, sobre o tapetinho que dizia "Lar, doce lar". Irônico. Porque nada era doce naquele momento. Era quente, urgente, carnal.

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