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Epílogo - Stephanie

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Tem dias que eu acordo e ainda me pergunto se tudo isso aqui é real. Não no sentido dramático de “me belisca pra ver se é sonho”, mas no sentido genuinamente bobo de quem passou tempo demais achando que felicidade era só para os outros. E olha... a felicidade não chegou como nos contos de fadas, com um sapatinho perdido ou uma maçã envenenada. Chegou em forma de implicância, de discussões acaloradas , de promessas quebradas, de recomeços inesperados... e do jeito mais lindo e desastroso possível: através do amor de um homem que sempre esteve ali. Tomás Santiago.

Hoje, enquanto coloco meu sobrenome completo no rascunho do novo projeto da editora — Stephanie Magalhães Santiago — eu não consigo evitar sorrir. Porque esse sobrenome não é só uma formalidade, é uma conquista. Uma que exigiu lágrimas, paciência, coragem... e muito, muito amor.

Meu Deus, como a vida pode mudar. De uma mulher que fugia de sentimentos e usava comida e piadas como muleta emocional, eu me tornei... bom, ainda faço piadas e como demais, mas agora é com segurança. Eu me sinto amada. Eu sou amada.

E nada, absolutamente nada, me preparou para o que foi conhecer o amor da maternidade. Danilo. Nosso pequeno furacão de olhos castanhos e sorriso banguela. Ele é a combinação perfeita entre o meu drama e a doçura debochada do Tomás. Nunca pensei que seria mãe — quer dizer, sonhar eu sonhava — mas depois de tudo que passei... da perda, do medo, das incertezas, da culpa. Quando ouvi o coração do Danilo pela primeira vez, foi como se o universo dissesse: “Agora é você. Agora é a sua vez.”

E ele veio. No meio da nossa festa de casamento. Como se dissesse: “Mamãe, papai... parabéns, mas eu não vou deixar vocês dançarem valsa. Bora pro hospital.” Tomás riu tanto naquele dia que eu pensei que ele fosse desmaiar. Ele ainda brinca dizendo que nosso filho já nasceu sabotando a lua de mel dos pais.

O primeiro ano foi intenso. Choros de madrugada, fraldas explosivas (sério, ninguém me avisou que cocô poderia ir até o ombro de um bebê), e cansaço... muito cansaço. Mas também teve os primeiros sorrisos, o primeiro "mamã", a primeira vez que Danilo segurou meu dedo e eu senti que minha existência fazia todo sentido. Não tem roteiro de comédia romântica que capture o que é ver um pedacinho seu e do homem que você ama abrindo os olhos pro mundo.

Tomás virou um pai ainda mais incrível do que eu imaginava. Ele decora música de ninar como se fossem setlists de festival, troca fraldas como se estivesse em uma competição cronometrada e inventa histórias para dormir que envolvem dragões advogados e princesas alérgicas a flores. Às vezes eu só paro e fico olhando para os dois brincando no tapete da sala, e meu peito parece pequeno demais para tanto sentimento.

Nosso casamento? Ah, continua cheio de implicância. Eu reclamo quando ele deixa a toalha molhada em cima da cama, ele resmunga quando eu coloco coisas no carrinho do mercado que “não estavam na lista”, mas à noite, quando a casa está em silêncio e estamos só nós dois, ele segura minha mão e sussurra que faria tudo de novo. Que cada luta, cada crise, cada susto... tudo valeu a pena.

Hoje à noite foi assim. Eu acabei de colocar Danilo no berço depois da última mamada, e Tomás foi lá ajeitar o travesseirinho dele — mesmo sabendo que eu já tinha ajeitado. É a forma dele participar, dele garantir que está tudo perfeito. Ele voltou com aquele sorriso preguiçoso no rosto, me abraçou por trás enquanto eu organizava as roupinhas do dia seguinte.

— A gente podia começar o processo pra uma menininha, né? — ele sussurrou no meu ouvido, com aquele tom sacana que ainda me arrepia.

Eu virei o rosto pra ele, rindo.

— Processo? Parece que a gente vai entrar com papelada no cartório.

— Ué, fazer filho é quase isso... precisa de tentativa, de prática, dedicação... — ele beijou meu pescoço e completou — É o trabalho mais difícil do mundo. Mas eu juro que me comprometo a praticar com empenho.

— Só pensa nisso, né, Santiago?

— Só penso nisso com você, senhora Santiago — ele respondeu, me virando para um beijo leve, que se prolongou como se fosse o primeiro.

E, naquele instante, eu tive certeza. De novo. Certeza de que o amor não precisa ser perfeito. Ele só precisa ser verdadeiro, recíproco e, principalmente, leve. Mesmo nas fases difíceis, mesmo nas noites insones, mesmo quando o mundo parece desabar.

O amor me escolheu quando eu menos esperava.

E eu escolho ele todos os dias.

Escolho o Tomás.

Escolho o Danilo.

Escolho essa vida caótica, intensa e completamente maravilhosa.

A vida me deu muitos sinais.

Eu só precisei abrir os olhos pra ver.

E hoje? Hoje eu não só vejo... eu vivo.

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