A noite estava morna, com a brisa salgada lambendo minha pele e o som do mar tentando acalmar minha mente. Eu estava sentada sozinha na areia, de frente para o oceano, abraçando os joelhos e tentando não pensar em mais nada além das estrelas. Mas, claro, meu cérebro estava uma zona.
Tomás tinha me feito rir e cair - literal e emocionalmente - durante o dia inteiro, e agora, com o silêncio da noite, o nome que insistia em surgir era outro: Matheus.
As palavras do Tomás ecoavam na minha cabeça, feito uma daquelas músicas chicletes que você odeia, mas que não consegue parar de cantar.
"Ele te olha como quem te deseja, não como quem te ama."
"Não gosto da forma que ele te olha."
Aquilo tinha me atravessado como um soco. Um daqueles que a gente não sente na hora, mas que deixa um roxo enorme no dia seguinte.
Porque a verdade era... eu sempre soube.
Sempre senti aquele olhar do Matheus em mim. Um olhar carregado de desejo, de uma certa sede que me fazia me sentir desejada, escolhida, viva. E eu amava aquilo. Amava me ver refletida nos olhos dele como se eu fosse o prêmio de uma longa corrida. Como se eu fosse a garota que ele finalmente havia percebido.
Mas e se o Tomás estivesse certo?
E se eu tivesse confundido tudo? Se aquele olhar não fosse amor, mas uma projeção? Um desejo de posse, ou pior... de nostalgia? Como se eu fosse um reflexo do que ele perdeu, do que ele poderia ter sido. Algo para preencher um vazio momentâneo, e não uma escolha definitiva.
A brisa da noite balançava meu cabelo, e eu abracei os joelhos, tentando não deixar que as lágrimas viessem. Porque não era só sobre Matheus. Era sobre mim.
Sobre como eu sempre escolhia me ver pelos olhos dos outros.
Sobre como o desejo me fazia sentir importante.
Sobre como eu confundia ser desejada com ser amada.
E se aquele olhar que eu tanto esperava do Matheus fosse, na verdade, só o que eu queria acreditar?
E se o olhar que de verdade me via... fosse o que mais me irritava, me tirava do sério, me conhecia até quando eu tentava esconder?
O olhar que me puxava para o chão quando eu voava alto demais.
O olhar do Tomás.
Mas talvez... talvez eu ainda tivesse tempo de descobrir.
E se não fosse amor o que eu via nos olhos do Matheus...
Então o que era?
E mais importante... por que, mesmo sentindo tudo aquilo, era o Tomás quem eu não conseguia tirar da cabeça?
De repente, ouço passos na areia. O coração aperta e, quando viro o rosto, lá está ele. Matheus. Com a camisa aberta, pés descalços e aquele jeito de quem carrega um passado nas costas... e sabe disso.
- Pensei que te encontraria aqui - ele disse, parando ao meu lado. - Você sempre gostou de olhar o mar quando estava confusa.
- E você sempre aparecia quando eu queria ficar sozinha - retruco com um meio sorriso.
Ele ri baixo e se senta ao meu lado. O silêncio que se segue não é desconfortável, mas cheio de tensão. Aquele tipo que arrepia a pele.
- Fiquei feliz que você veio, Stephanie.
Eu olho de canto, o coração acelerando.
- Sério?
- Eu... não achei que sua presença fosse mexer tanto comigo. Não depois de tanto tempo, não depois de tudo.
Minhas mãos se apertam contra meus joelhos. Sinto meus olhos arderem. A voz dele, suave e grave, parecia sair direto de um flashback.
- A gente não terminou porque o amor acabou. Só porque... a gente se perdeu - ele continuou, encarando o mar. - Mas agora que eu te vejo aqui... me pergunto se talvez... talvez a gente ainda possa se encontrar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
DETALHES
Любовные романыStephanie Magalhães nunca soube lidar com sentimentos - especialmente os que envolvem amor, compromisso e pedidos de casamento em praias paradisíacas. Designer emocionalmente bagunçada, dramática por natureza e especialista em fugir de tudo que exij...
