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Capítulo 10 - Tomás

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Quando abro a porta do quarto, com a sacola de comida já meio amassada de tanto que apertei no caminho de volta, a primeira coisa que vejo é Stephanie enfiando suas roupas numa mala como se estivesse brigando com o zíper.

— O que você tá fazendo? — pergunto, fechando a porta atrás de mim.

Ela nem me olha.

— Indo embora. — Sua voz sai firme, mas os ombros tremem levemente. — Você ganhou a aposta, parabéns. Agora me deixa sair daqui antes que eu vomite em mim mesma de tanta vergonha.

Largo a sacola em cima da cômoda e caminho até ela.

— Espera, Stephanie... O que aconteceu?

Ela fecha a mala com força, mas a trava emperra, e então ela solta um palavrão baixinho e tenta de novo, com as mãos tremendo.

— Nada que você já não saiba. Eu fui uma idiota. A idiota da história. De novo. — Ela finalmente ergue os olhos, vermelhos, mas cheios de orgulho ferido. — Eu vim pra essa ilha achando que ia reconquistar um homem que me descartou como se eu fosse um sapato velho. E agora estou aqui, suja, machucada, e tentando fingir que nada aconteceu.

— Não fala assim com você mesma. — Digo, me aproximando devagar, como se ela fosse fugir a qualquer movimento brusco.

— Não, Tomás. Me deixa falar. — Ela respira fundo, e então se senta na beira da cama, encarando o chão. — Você me avisou. Todo mundo me avisou. Mas eu queria tanto acreditar que ainda tinha algo ali... que ele ainda me via.

Sento ao lado dela, em silêncio. E então solto:

— Eu conversei com a Bárbara.

Ela vira o rosto pra mim, surpresa.

— Ela me disse que sabia de tudo. Da traição. Que o casamento com o Matheus é só um acordo. Que ele nunca amou ela, nem você. Ele amava o que você representava.

Vejo os olhos dela encherem d'água de novo, mas dessa vez, sem tentar esconder. Uma lágrima escapa e escorre devagar pela bochecha.

— Então era isso? — Ela murmura. — Eu fui usada. Primeiro por ele, depois por ela... Eu... — A voz falha. — Eu me entreguei pra ele, Tomás. Acreditei nas palavras, nos beijos. Eu juro que por um momento achei que ele ainda me enxergava como antes...

— Você não foi burra. — digo, baixinho. — Só sentiu demais por alguém que não sentiu o suficiente por você. Isso não é fraqueza. É coragem.

Ela começa a chorar de verdade, com o rosto escondido nas mãos.

— Eu odeio ele. — diz entre soluços. — E odeio ainda mais o fato de que uma parte de mim ainda queria acreditar nele.

Puxo ela pra perto, sem dizer nada. Só abraço.

Ela se rende ao meu peito, tremendo, molhando minha camiseta com o choro. E eu deixo. Porque talvez ela nunca tenha realmente chorado por tudo que engoliu esses anos todos.

Depois de um tempo, sua voz sai abafada:

— Me desculpa por tudo, Tomás. Por te usar, por te empurrar pra longe, por não te ouvir...

— Você não precisa se desculpar. — murmuro no seu cabelo. — Só precisa deixar eu ficar.

Ela se afasta um pouco, os olhos ainda vermelhos, mas mais calmos.

— Você ainda quer ficar depois de tudo isso?

— Quero. E se você quiser também, a gente vai embora junto. Sem apostas. Sem máscaras. Só nós dois.

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