Atualizamos nossas Diretrizes de Conteúdo.
Consulte as diretrizes mais recentes para continuar compartilhando histórias com segurança.

Capítulo 15 - Tomás

5.3K 411 14
                                        


Chegar em casa com aquele tanto de sacola foi tipo vencer uma maratona. Stephanie abriu a porta já soltando um suspiro dramático e jogando a bolsa no sofá, enquanto eu tentava não tropeçar no tapete com quatro pacotes empilhados nos braços.

— Tomás, cuidado com esse! — ela apontou pro saco onde estavam os bodies de dinossauro. — Se amassar esse, eu te dou um tapa.

Revirei os olhos, mas sorri.

— O bebê vai usar isso por tipo... dez minutos da vida. Depois vai ficar enfiado numa gaveta com cheiro de talco e saudade.

— E eu quero que esses dez minutos sejam impecáveis — retrucou, tirando o casaco e indo direto para o quarto.

Ela estava animada. Meio elétrica. Como se ter comprado cada uma daquelas coisas fosse a confirmação física de que nosso filho estava chegando mesmo. Eu me sentia igual. Só não dizia com tanto drama.

Começamos a organizar tudo: as roupas separadas por tamanho, as fraldas por marca, os sapatinhos em cima da cômoda improvisada no canto do quarto. E, entre uma dobra e outra, Stephanie ria, colocava um boné minúsculo na cabeça e imitava uma voz fina dizendo “papai, me leva no parquinho”.

— Você tá zoando, mas eu tô pronto pra isso. — falei, pegando um dos sapatinhos e girando ele nas mãos. — Já tô até ensaiando a cara de quem vai pro parquinho domingo sete da manhã.

Ela me olhou, e por um segundo, o tom da casa ficou calmo. Um silêncio bom, cheio de significado.

Até que ela parou do meu lado, sentou devagar na cama, suspirou fundo e levou a mão até a barriga.

— Ele tá inquieto hoje...

— Deve ser a sua voz. Ele já entendeu que vai ter que disputar atenção. — brinquei, mas me aproximei de verdade.

Me ajoelhei na frente dela, como andava fazendo nas últimas semanas, e apoiei a mão na barriga saliente que agora já era impossível de ignorar. Era real. E meu. E dela. Nosso.

Foi aí que senti.

Um empurrãozinho leve. Quase como um aviso.

Fiquei completamente paralisado.

— Você sentiu isso?

Ela assentiu, com os olhos marejando.

— Caramba... — soltei em um sussurro. — Ele... chutou?

— Chutou. — ela sorriu, os lábios tremendo um pouco. — Tá dando oi pro pai.

A garganta apertou. Eu nunca tinha sentido nada tão... íntimo. Tão direto. Um ser minúsculo dizendo: “ei, eu tô aqui”. E justo quando eu achei que não podia amar mais.

Encostei a testa na barriga dela, a mão ainda firme ali, como se quisesse guardar aquele momento pra sempre.

— A gente vai ser uma família barulhenta, sabia? — murmurei. — Ele chutando, você gritando, eu tentando manter a sanidade...

— E ele usando o body de dinossauro. — ela completou, rindo baixinho.

Levantei o rosto e ela estava olhando pra mim de um jeito diferente. Ainda havia um pouco de dor ali, mágoa, insegurança... mas também tinha uma esperança silenciosa.

DETALHES Histórias para pegar e não largar. Descubra agora