Chegar em casa com aquele tanto de sacola foi tipo vencer uma maratona. Stephanie abriu a porta já soltando um suspiro dramático e jogando a bolsa no sofá, enquanto eu tentava não tropeçar no tapete com quatro pacotes empilhados nos braços.
— Tomás, cuidado com esse! — ela apontou pro saco onde estavam os bodies de dinossauro. — Se amassar esse, eu te dou um tapa.
Revirei os olhos, mas sorri.
— O bebê vai usar isso por tipo... dez minutos da vida. Depois vai ficar enfiado numa gaveta com cheiro de talco e saudade.
— E eu quero que esses dez minutos sejam impecáveis — retrucou, tirando o casaco e indo direto para o quarto.
Ela estava animada. Meio elétrica. Como se ter comprado cada uma daquelas coisas fosse a confirmação física de que nosso filho estava chegando mesmo. Eu me sentia igual. Só não dizia com tanto drama.
Começamos a organizar tudo: as roupas separadas por tamanho, as fraldas por marca, os sapatinhos em cima da cômoda improvisada no canto do quarto. E, entre uma dobra e outra, Stephanie ria, colocava um boné minúsculo na cabeça e imitava uma voz fina dizendo “papai, me leva no parquinho”.
— Você tá zoando, mas eu tô pronto pra isso. — falei, pegando um dos sapatinhos e girando ele nas mãos. — Já tô até ensaiando a cara de quem vai pro parquinho domingo sete da manhã.
Ela me olhou, e por um segundo, o tom da casa ficou calmo. Um silêncio bom, cheio de significado.
Até que ela parou do meu lado, sentou devagar na cama, suspirou fundo e levou a mão até a barriga.
— Ele tá inquieto hoje...
— Deve ser a sua voz. Ele já entendeu que vai ter que disputar atenção. — brinquei, mas me aproximei de verdade.
Me ajoelhei na frente dela, como andava fazendo nas últimas semanas, e apoiei a mão na barriga saliente que agora já era impossível de ignorar. Era real. E meu. E dela. Nosso.
Foi aí que senti.
Um empurrãozinho leve. Quase como um aviso.
Fiquei completamente paralisado.
— Você sentiu isso?
Ela assentiu, com os olhos marejando.
— Caramba... — soltei em um sussurro. — Ele... chutou?
— Chutou. — ela sorriu, os lábios tremendo um pouco. — Tá dando oi pro pai.
A garganta apertou. Eu nunca tinha sentido nada tão... íntimo. Tão direto. Um ser minúsculo dizendo: “ei, eu tô aqui”. E justo quando eu achei que não podia amar mais.
Encostei a testa na barriga dela, a mão ainda firme ali, como se quisesse guardar aquele momento pra sempre.
— A gente vai ser uma família barulhenta, sabia? — murmurei. — Ele chutando, você gritando, eu tentando manter a sanidade...
— E ele usando o body de dinossauro. — ela completou, rindo baixinho.
Levantei o rosto e ela estava olhando pra mim de um jeito diferente. Ainda havia um pouco de dor ali, mágoa, insegurança... mas também tinha uma esperança silenciosa.
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DETALHES
RomanceStephanie Magalhães nunca soube lidar com sentimentos - especialmente os que envolvem amor, compromisso e pedidos de casamento em praias paradisíacas. Designer emocionalmente bagunçada, dramática por natureza e especialista em fugir de tudo que exij...
