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Capítulo 6 - Tomás

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Assim que todos se acomodaram à mesa, os olhares se voltaram para Stephanie. Como sempre, ela era um ímã de atenção, mesmo que não percebesse. Recebeu uma chuva de elogios—da roupa, do cabelo, até do perfume. Vi suas bochechas se colorirem de vergonha, e um sorrisinho surgir de canto de boca. Ela tinha esse jeito desajeitado de receber carinho... e, francamente, era impossível não sorrir junto.

Depois de alguns pães esquisitos com ervas e queijos duvidosos, Babi—nossa adorável anfitriã e futura senhora Matheus—ergueu-se com a empolgação de quem estava prestes a apresentar um show de mágica.

Então, meus amigos, escolhi um jantar perfeito no restaurante Somanex! — ela anunciou com aquele brilho nos olhos de quem quer muito ser a estrela da noite. — De entrada, eu pedi uma deliciosa sopa de nabo com trufa fresca.

Sopa. De. Nabo.

Pisquei umas três vezes, achando que tinha ouvido errado. Quem, em plena saúde mental, escolhe nabo como a estrela da entrada?

Olhei ao redor, esperando ver mais alguém tão horrorizado quanto eu. E encontrei: Stephanie. Os olhos dela estavam fixos em mim, completamente apavorada, como se eu fosse o único capaz de salvá-la dessa tragédia anunciada.

Merda.

Os garçons chegaram, todos pomposos, trazendo os pratos fundos cobertos com tampas de prata. Tudo parecia muito mais dramático do que deveria. Quando as tampas foram retiradas, fui apresentado ao que só posso descrever como... uma poça de água suja com raspas de trufa por cima. A sopa era rala, verde e desanimadora. Parecia que alguém tinha tentado transformar um pântano em haute cuisine.

Stephanie me olhou novamente, implorando com o olhar. Era quase cômico o desespero nos olhos dela. Como um mártir, respirei fundo e provei.

E juro por tudo que é sagrado... foi o pior erro da minha vida. Aquela coisa era amarga, sem gosto, com textura de chá de mato vencido. Engoli como se estivesse sendo torturado e olhei para Stephanie, fazendo a pior careta que consegui. Ela riu baixinho.

Me inclinei até ela e sussurrei:

Para o bem da sua saúde mental, não coma isso.

Ela assentiu, sorrindo, e me agradeceu como se eu tivesse a salvado de um sequestro. Pegou um pedaço de pão e ficou ali, comendo como quem já estava satisfeita. Eu fiz o mesmo. Melhor fingir que já estava cheio do que correr o risco de ter meu paladar permanentemente danificado.

Quando os pratos foram recolhidos, Babi voltou ao palco com o mesmo entusiasmo de quem ia anunciar o vencedor do Oscar.

Então, para o prato principal, pedi a comida preferida do Math! Um côngrio com espuma e bolinho de caranguejo!

Côngrio? Espuma? Bolinho de caranguejo? Eu queria uma lasanha.

O prato chegou, e... bom. Era arte moderna. Uma espuma amarelada nojenta ocupava o centro do prato, parecia vômito de cachorro. Ao lado, uma tira de massa de pastel frita jogada de qualquer jeito. No meio da bagunça, um bolinho minúsculo que mais parecia um brinquedo, e um raminho de agrião que provavelmente era só enfeite.

Stephanie riu ao ver minha expressão e sussurrou:

Acho que não era isso que você esperava, né?

Isso não vai me alimentar.

Nem a mim, meu caro! Vamos pelo menos comer a massa de pastel e o agrião. — Ela gargalhou e voltou à postura.

Observei Matheus nos lançar um olhar atravessado. Fiz um aceno sutil com a taça de vinho, só por educação. Provei o prato. Não era exatamente ruim... mas também não era bom. Era... sem alma. A espuma era doce. Doce, por algum motivo que Deus me livre de tentar entender. O bolinho não tinha gosto de nada. E a combinação toda fazia zero sentido.

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