John Narrando
Depois que sai do refeitório, fui direto pro meu quarto. Decidi que não ia assistir mais aulas, não por hoje.Precisava do aconchego da minha cama. Tirar da minha cabeça tudo que me atormenta agora.
Não suportaria ficar mais nenhum minuto alí na presença daqueles vermes. Que durante anos tentam me derrubar, pisar em mim. Colocando meus erros contra mim.
- Por que você saiu do refeitório daquele jeito ? — Bryan perguntou, adentrando o quarto.
Provalmente as aulas já haviam acabado.
- Você não percebeu que Kevin estava me provocando ? Achei melhor sair, do que fazer uma besteira alí mesmo. — falei.
- Tinha que ser o Kevin. Relaxa mano, o que é dele está guardado. — avisou, Bryan.
Fui tomar um banho para relaxa o corpo. Vesti minha calça moletom e fui deitar. Dessa vez, tentar relaxar a mente. E adormeci em um sono pesado.
***
Estavamos no nosso paraíso, — o nome que ela deu ao nosso lugar preferido — . Ela me olhava com a simplicidade de uma criança, ainda tem o mesmo brilho nos olhos. Podia sentir o cheiro dela.
- Por mim, eu passava o resto da minha vida aqui com você. — ela falou olhando os patos que brincavam no lago a nossa frente.
- Eu te amo, sabia ? — falei, trazendo-a para mais perto de mim e le dando um abraço.
- Promete nunca deixar de me amar ? — ela me perguntou. Pude ver a preocupaçãp dela. E derrepente, do nada, sem nem ao menos der dado tempo de eu responder, ela sumiu.
Clarisse havia sumido novamente. E tem sido assim todos os dias que sonho com ela, desde o dia da sua morte.
Derrepende ouvi vozes e risadas atrás de mim: "Você é um babaca", "Você é o culpado dela ter ido embora", " Você nunca a amou de verdade".
Acordo assustado. E percebo que foi só um sonho.
Quatro anos que ela se foi. Me deixou se sentindo culpado.
Haviamos prometido ficar juntos para sempre. Mas ela arriscou a sua vida para salvar a minha.
Até quando viverei assim ? Ela foi a única que amei. E depois dela, todas as outras perderam a graça.
Fico perdido em meus pensamentos, até adormecer novamente...
***
Acordei com dores no corpo. O despertador ainda não havia tocado.
- Acordado já ? — Bryan perguntou. Não tinha visto que ele já havia acordado.
- Tive uma péssima noite de sono. — retruquei, me enrolando com o lençol. O tempo estava frio, e minha vontade era de ficar na cama o resto do dia — Sonhei com ela denovo. — falei, com os olhos fixado no teto.
- Cara, vou ser sincero. — começou — Você vive ai se lamentando por quatro anos. Não acha que já está na hora de seguir em frente ? E deixar que ela descanse em paz ?
- Não é tão fácil assim Bryan. Eu a amava. E ela morreu pra me salvar. — tentei me explicar. Mas era como se a cada palavra dita meu coração doesse mais.
- E você acha que ela não le amava ? Que seja onde for que ela esteja agora, ela está feliz por saber que por todos esses anos, você tem se culpado pela morte dela ?
Queria acreditar nas palavras do Bryan. Mas talvez se ela tivesse seguido os conselhos dos pais dela, de não se envolver comigo, pois a vida que eu tinha a oferecer a ela, era muito menos do que ela merecia, ainda estaria viva.
- Não sei Bryan. E também não sei se quero continuar enganando a Alice. Ela não merece. E tudo isso por uma merda de aposta. — indaguei.
- Agora é tarde John. Você já deu a sua palavra para o Kevin. — Bryan me lembrou.
Só não espero magoá-la por uma besteira. Entre tantas outras meninas desse colégio, ela foi a única que me chamou a atenção. E fazer isso com ela, parece injusto.
- Já sei o que fazer. — digo.
Levanto da cama e logo saio do quarto. Vou até o quarto do Kevin que fica logo após quatro quarto do meu e bato na porta.
- Preciso que esqueça essa aposta. — falei entrando no quarto assim que ele abriu a porta.
- Esquece, trato é trato. Você mesmo que fez questão de dizer que era capaz de parar de agir feito um babaca e se relacionar com uma mina de responsa. E não uma dessas tapa puracos que você se consola para esquecer a sua namoradinha. — falou Kevin com seu sorriso debochado — E além do mas, será apenas uma brincadeirinha Oliver. Que por sinal, irei me divertir muito.
- Eu poderia te matar agora mesmo, desgraçado. — falei apertando seu pescoço com a mão.
- Vai John, o que está esperando ? — Kevin falou com dificuldade — Você não é especialista em matar. Não é mesmo ? — agora sua voz soava com mais dificuldade.
- Esperarei você morrer com seu próprio veneno. — Cuspi na cara dele e sai, fechando a porta do quarto com força.
***
Alice Narrando
- Alice ? — Rafa chamou. Ainda não tinhamos levantado da cama.- Oi. — respondi.
- Você acha que eu dei mole demais para o Bryan, ontem ? — Rafa perguntou, levantando apenas a cabeça para me olhar.
- Imagina. Levando em conta as cinco vezes que você disse que ele é lindo e que não parava de olhar pra ele como se tivesse vendo uma torta de chocolate na sua frente. — brinquei — No mínimo, ele percebeu que você estava flertando com ele.
- Mas você heim ?! Nem pra me ajudar. — Rafa protestou, jogando um travesseiro em mim. E eu ri.
Depois de alguns minutos conversando com Rafa, fui cuidar para chegar na sala ainda no primeiro tempo.
Ficava feliz por ela está afim de alguém — quer dizer, eu acho que está afim — . Gosto de ver aquele par de olhos brilhando de paixão. De como ela fica boba quando está apaixonada. Minha branquinha.
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As vezes sabedoria é apenas calar e observar.
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Fiz esse capítulo especial para que vocês conhecessem um pouco de John.
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Meu amor Vagabundo
RomanceAlice Collin uma adolescente de 17 anos de idade que não gostava de se envolver com perigo ou pessoas perigosas. Acreditava ter encontra o amor da sua vida, seu primo Rian. Mas foi no colégio interno que alguém despertou seus profundos sentimentos...