POV Liz
Fazia cerca de três horas que eu e Pierre estávamos procurando e buscando algum lugar em que eu pudesse ficar em definitivo. Eram poucas as opções que haviam me agradado minimamente. Eu não queria um lugar luxuoso, obviamente, porém não iria aceitar qualquer coisa apenas por estar em uma situação delicada! Isso resultou em nós dois cansados e indo em direção a um restaurante naquela mesma praça onde havia parado mais cedo. Assim que entramos muitos dos olhares foram direcionados a nós dois, porém ambos estávamos acostumados com esse tipo de coisa. Retirei meus óculos escuros e os coloquei pendurado em minha blusa, seguindo Pierre até uma mesa. Ele rapidamente sentou e eu pressionei meus lábios segurando o ímpeto de reclamar de seus modos. Afinal o cavalheiro deveria puxar a cadeira para a dama. O fiz sozinha e ajeitei discretamente a minha blusa.
-Estou faminto! – falou Pierre em português, havíamos decidido falar apenas nessa língua para que eu pudesse treinar.
Aprender a falar outras línguas era crucial para uma criança que nascia em uma sociedade como a que eu cresci. Meu pai vivia viajando e consequentemente levava a mim e a Cassie em suas viagens para demonstrar a família unida e nobre que possuía. Agora eu sabia que muitas das coisas que ele nos ordenou fazer eram apenas para manter a imagem do nome Bellamy.
-Estou em igual modo – revelei e peguei o cardápio bastante simplório, apenas plastificado e com os itens posto em uma lista seguida – Hum, conheço bem pouco da culinária local, terei de confiar em você.
Ele sorriu divertido exibindo as suas charmosas covinhas e chamou o garçom com um assovio. O homem com um simples uniforme se aproximou e meu amigo pediu filé a parmegiana, uma cerveja para ele e um suco de laranja para mim. O lugar era bastante barulhento, as mesas bem simples e a ventilação eram apenas por ventiladores postos em locais não muito estratégicos. Porém, ainda assim, o preço parecia muito bom e adequado para a minha nova situação. Antes que uma conversa fosse construída, o celular de Pierre tocou e ele pegou o aparelho.
-Número desconhecido, deve ser algum contato – ele ponderou em voz alta e atendeu a ligação – Alô. Sim é o Pierre. Ah sei sim quem é você, está tudo bem? Também estou! Sério isso?! – a animação dele crescia ainda mais – Poderia vim até o Restaurante aqui no Rio Vermelho para conversamos? Estou com ela bem aqui na minha frente. Ah, ótimo, estarei esperando.
O olhei curiosa, já que ele havia mencionado que eu estava a sua frente. O rapaz estava com um sorriso de orelha a orelha, o primeiro que havia visto durante toda aquela manhã.
-Parece que encontrei um lugar para você ficar. Uma garota do lugar onde trabalho está querendo dividir o apartamento com alguém. Já vi o lugar, é bem arrumado e sei que irá gostar – Pierre explicou.
- Dieu, merci! – exclamei aliviada – Ela virá aqui?
-Sim, mas... Tem um problema – Pierre foi abaixando os ombros – Não é bem um problema, mas é importante que você saiba – o encarei completamente desconfiada e fiz um gesto para que ele continuasse – Bem, ela gosta de garotas no sentido carnal da coisa. Nunca a vi com nenhum garoto e é até popular entre as meninas.
Arqueei uma sobrancelha surpresa e confusa com a nova informação. Nunca havia imaginado que iria um dia dividir um apartamento com alguém e que esse alguém acima de tudo seria uma lésbica. Porém também não imaginava que um dia iria fugir de casa e estar em uma cidadezinha do Brasil. Tombei levemente a cabeça para o lado e abri um sorriso.
-Mas você por vezes não é atraído por um homem? Ainda continua sendo meu amigo – argumentei com meu habitual tom polido e revirei os olhos – Tia Amélia assumiu um caso com a Baronesa de Howthorne. Antes ela chamou eu e Cassie para explicar a sua situação e fez um belo discurso sobre o amor não ter preconceitos, mas sim a sociedade.
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Ma Chèrie
RomanceLiz teve de tomar uma decisão drástica e dramática em sua vida para escapar de um futuro imposto pelo pai: fugir para o Brasil. Filha de um duque, criado na nata da sociedade europeia e com sangue nobre, Elizabeth acaba em uma cidade do interior viv...
